Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Linguagem Formal e Informal — FUNDATEC 2023

PortuguêsLinguagem Formal e Informal
Código
qa505117
Banca
FUNDATEC
Órgão
IFC
Ano
2023
Cargo
PEBTT ( )

Ser professor

Por Ester Rosseto

 

Ser professor é um lance de amor. Nesse caminho que venho trilhando constatei que existe uma profunda diferença entre dar aula e ser professor. Dar aula é muito bom. É querer compartilhar conhecimento, propagar a informação. Dar aula exige esforço, dedicação, preparo. Mas existe uma imensa distância entre “dar aula” e ser professor, porque dar aula é uma atividade, mas ser professor é muito mais do que isso.

 

Como já dizia o grande mestre Paulo Freire, “eu nunca poderia pensar em educação sem amor. É por isso que me considero um educador: acima de tudo porque sinto amor”, porque professor vai além. Além das tarefas estabelecidas em contrato, além das horas pagas no holerite, além da ideia de que aquilo é apenas um meio para se ganhar a vida.

 

Professor quer saber o nome, quer saber quem é quem, quer saber as histórias, as origens, os rumos pretendidos. Professor está na chuva para se molhar, para se arriscar diariamente. Para sofrer com as derrotas e vibrar com as vitórias dos alunos. Para corrigir provas como quem assiste a um jogo de futebol, lamentando-se quando um craque chuta a bola no travessão. Desacreditando quando um perna de pau acerta a bola no ângulo.

 

Professor se envolve, mesmo quando tenta evitar

 

Professor se perde no cronograma. Não está lá só para cumprir horário e currículo. Está lá para parar a cada dúvida, para ensinar não só a matéria, mas ensinar o melhor do - pouco ou muito - que sabe sobre a vida.

 

Professor acaba por viver muitas vidas além da sua. Vivencia o crescimento, os obstáculos, as crises, os começos de namoro, as brigas entre amigos, problemas de casa, a conjuntivite alheia, as angústias, os caminhos.

 

Professor não tem medo de se expor, de se mostrar humano e vulnerável. Não tem medo de roupa preta suja de giz, de pilhas de livros para carregar, da odisseia do fechamento dos diários no fim do ano, nem das provas que parecem dar cria na calada da noite.

 

Só o que sei é que, no fim das contas, ser professor é um lance de amor. Às vezes é sofrido. Às vezes é maçante. Como todo amor. Mas é uma dessas paixões avassaladoras que vicia, e que quem sente, já não consegue ver sentido em viver sem.

 

(Disponível em: http://zimemaper.blogspot.com/2015/11/cronica-ser-professor-ester-rosseto.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados na questão.

   

Considerando a linguagem empregada no texto, assinale a alternativa correta.

  1. AO texto foi escrito de acordo com a norma padrão, mas não de acordo com a norma culta, pois contém diversos vícios da fala transpostos para a escrita.
  2. BA autora empregou a norma gramatical estritamente, dessa maneira, alguns trechos soam bastante diferente da língua falada usualmente.
  3. CO texto foi escrito observando somente a norma culta, pois não há a ocorrência de palavras do léxico informal.
  4. DPode-se dizer que a escrita do texto segue a norma padrão, pois segue as normas preconizadas pela gramática, mas traz marcas de oralidade.
  5. EA autora buscou escrever seguindo a norma gramatical e a culta, excluindo totalmente a norma padrão.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Pode-se dizer que a escrita do texto segue a norma padrão, pois segue as normas preconizadas pela gramática, mas traz marcas de oralidade.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Linguagem formal e informal no texto — Gabarito: letra D.

Gabarito: letra D. A escrita do texto segue a norma padrão (respeita as regras gramaticais), mas traz marcas de oralidade, como expressões coloquiais e construções típicas da fala. A alternativa D é a única que reconhece essa dupla característica: o texto é gramaticalmente correto, porém apresenta traços informais. Como se lê no 1º parágrafo, a autora usa a expressão "é um lance de amor", e no 3º parágrafo, "perna de pau" — ambas são marcas de oralidade que não violam a norma padrão.

O comando pede que o candidato analise a linguagem empregada no texto e assinale a alternativa correta. Isso exige distinguir três conceitos que a banca frequentemente confunde: norma padrão (conjunto de regras gramaticais prescritas), norma culta (variedade de prestígio, usada em situações formais) e linguagem informal/coloquial (uso espontâneo, com gírias e expressões populares). A questão não pede interpretação profunda, mas sim reconhecimento de características linguísticas — o que a torna uma questão de conceito aplicado ao texto.

O texto é uma crônica sobre o que é ser professor. A autora defende a tese de que "ser professor é um lance de amor" e contrasta "dar aula" (atividade técnica) com "ser professor" (envolvimento afetivo). O movimento argumentativo é emocional e subjetivo, o que justifica o uso de expressões coloquiais. Veja os exemplos:

"Ser professor é um lance de amor."

"Professor está na chuva para se molhar, para se arriscar diariamente."

"Desacreditando quando um perna de pau acerta a bola no ângulo."

Essas passagens mostram que a autora não escreve de forma estritamente formal, mas também não comete desvios gramaticais. Ela usa a norma padrão como base e insere marcas de oralidade para aproximar o leitor. É exatamente isso que a alternativa D afirma.

A técnica para resolver: teste cada alternativa perguntando se ela descreve fielmente o que o texto apresenta. A alternativa correta deve reconhecer a coexistência de correção gramatical e informalidade. As demais ou negam uma dessas características, ou a exageram, ou a confundem com vício de linguagem.

1Norma padrão
Segue regras gramaticais
Concordância, regência, pontuação
2Marcas de oralidade
"Lance de amor"
"Perna de pau"
3O que NÃO é
Vício de linguagem
Registro estritamente formal
Linguagem do texto
LEVELsoulevel.com.br
Linguagem do texto: Norma padrão (Segue regras gramaticais, Concordância, regência, pontuação); Marcas de oralidade ("Lance de amor", "Perna de pau"); O que NÃO é (Vício de linguagem, Registro estritamente formal)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o texto "contém diversos vícios da fala transpostos para a escrita". Isso é um erro de classificação: as expressões coloquiais do texto ("lance de amor", "perna de pau") não são vícios de linguagem — são marcas de oralidade aceitáveis em textos literários/crônicas. Vício de linguagem é um desvio que prejudica a comunicação (barbarismo, solecismo, ambiguidade), o que não ocorre aqui. A alternativa extrapola ao transformar coloquialismo em erro.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa diz que a autora "empregou a norma gramatical estritamente". Isso é falso: o texto tem expressões informais como "lance de amor" e "perna de pau", que não são típicas de um registro estritamente formal. A alternativa contradiz o texto ao ignorar as marcas de oralidade presentes.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que "não há a ocorrência de palavras do léxico informal". Isso é diretamente contradito pelo texto, que usa "lance de amor" (1º parágrafo) e "perna de pau" (3º parágrafo). A alternativa restringe indevidamente o alcance do texto ao negar o que está explícito.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa afirma que o texto "segue a norma padrão, pois segue as normas preconizadas pela gramática, mas traz marcas de oralidade". Isso é exatamente o que o texto apresenta: a autora escreve com correção gramatical (concordância, regência, pontuação adequadas), mas usa expressões coloquiais como "lance de amor" e "perna de pau". A norma padrão não proíbe o uso de coloquialismos em textos literários; ela apenas estabelece as regras estruturais. A alternativa parafraseia corretamente a característica central do texto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a autora "excluiu totalmente a norma padrão". Isso é absurdo: o texto respeita a norma padrão em sua estrutura (não há erros de concordância, regência ou ortografia). A alternativa contradiz o texto ao negar a correção gramatical evidente.

NÃO CAIA NESSA!

A banca testa se o candidato confunde norma padrão com norma culta e linguagem formal. O texto é padrão (gramaticalmente correto), mas não é estritamente formal (tem coloquialismos). A alternativa C nega a oralidade; a A a trata como vício; a B e a E exageram na formalidade.

PEGA ESSA DICA!

Ao analisar a linguagem de um texto, liste as marcas de oralidade (gírias, expressões populares, construções típicas da fala) e verifique se há desvios gramaticais. Se há coloquialismos sem desvios, a resposta é "norma padrão com marcas de oralidade".

Gabarito: letra D — a única que reconhece a coexistência de correção gramatical e informalidade, como provam as expressões "lance de amor" e "perna de pau".

Link permanente: /questoes/qa505117