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Questão de Português — Tipologia e Gênero Textual — FUNDATEC 2023

PortuguêsTipologia e Gênero Textual
Código
qa505120
Banca
FUNDATEC
Órgão
IFC
Ano
2023
Cargo
PEBTT ( )

Ser professor

Por Ester Rosseto

 

Ser professor é um lance de amor. Nesse caminho que venho trilhando constatei que existe uma profunda diferença entre dar aula e ser professor. Dar aula é muito bom. É querer compartilhar conhecimento, propagar a informação. Dar aula exige esforço, dedicação, preparo. Mas existe uma imensa distância entre “dar aula” e ser professor, porque dar aula é uma atividade, mas ser professor é muito mais do que isso.

 

Como já dizia o grande mestre Paulo Freire, “eu nunca poderia pensar em educação sem amor. É por isso que me considero um educador: acima de tudo porque sinto amor”, porque professor vai além. Além das tarefas estabelecidas em contrato, além das horas pagas no holerite, além da ideia de que aquilo é apenas um meio para se ganhar a vida.

 

Professor quer saber o nome, quer saber quem é quem, quer saber as histórias, as origens, os rumos pretendidos. Professor está na chuva para se molhar, para se arriscar diariamente. Para sofrer com as derrotas e vibrar com as vitórias dos alunos. Para corrigir provas como quem assiste a um jogo de futebol, lamentando-se quando um craque chuta a bola no travessão. Desacreditando quando um perna de pau acerta a bola no ângulo.

 

Professor se envolve, mesmo quando tenta evitar

 

Professor se perde no cronograma. Não está lá só para cumprir horário e currículo. Está lá para parar a cada dúvida, para ensinar não só a matéria, mas ensinar o melhor do - pouco ou muito - que sabe sobre a vida.

 

Professor acaba por viver muitas vidas além da sua. Vivencia o crescimento, os obstáculos, as crises, os começos de namoro, as brigas entre amigos, problemas de casa, a conjuntivite alheia, as angústias, os caminhos.

 

Professor não tem medo de se expor, de se mostrar humano e vulnerável. Não tem medo de roupa preta suja de giz, de pilhas de livros para carregar, da odisseia do fechamento dos diários no fim do ano, nem das provas que parecem dar cria na calada da noite.

 

Só o que sei é que, no fim das contas, ser professor é um lance de amor. Às vezes é sofrido. Às vezes é maçante. Como todo amor. Mas é uma dessas paixões avassaladoras que vicia, e que quem sente, já não consegue ver sentido em viver sem.

 

(Disponível em: http://zimemaper.blogspot.com/2015/11/cronica-ser-professor-ester-rosseto.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados na questão.

   

Considerando os gêneros e tipos textuais, assinale a alternativa que indica a análise correta do texto anterior.

  1. AO texto é do tipo dissertativo, pois analisa e interpreta dados da realidade por meio de conceitos abstratos, de forma isenta e objetiva, visando convencer o leitor acerca de um ponto de vista.
  2. BTem-se um texto do tipo narrativo, pois se trata de uma crônica, na qual a autora passa ao leitor suas visões de mundo através das ações que atribui ao professor, e de suas próprias vivências.
  3. CA tipologia do texto pode ser definida como descritiva, pois a autora, pelos aspectos que seleciona, pela adjetivação escolhida, relata as características de uma profissão num momento estático do tempo.
  4. DTrata-se de um texto do tipo narrativo, pois a autora escreve uma reportagem, cuja finalidade é dar a conhecer aos leitores os percalços e as alegrias da vida de um professor, baseando-se somente em aspectos concretos.
  5. EO texto é do tipo dissertativo, pois apresenta caráter injuntivo ao tentar convencer o leitor da opinião da autora a respeito da profissão de professor.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Tem-se um texto do tipo narrativo, pois se trata de uma crônica, na qual a autora passa ao leitor suas visões de mundo através das ações que atribui ao professor, e de suas próprias vivências.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Tipologia e gênero textual: crônica narrativa — Gabarito: letra B.

O texto é do tipo narrativo, pois se trata de uma crônica em que a autora transmite suas visões de mundo por meio das ações que atribui ao professor e de suas próprias vivências. A alternativa B é a única que acerta ao identificar o gênero (crônica) e o tipo textual predominante (narrativo), como se comprova no trecho: “Professor quer saber o nome, quer saber quem é quem, quer saber as histórias, as origens, os rumos pretendidos.” — uma sequência de ações que caracteriza a narração.

O comando da questão

A questão pede que você analise o texto quanto a gêneros e tipos textuais. Isso significa que você deve identificar, primeiro, o tipo textual (narrativo, descritivo, dissertativo, injuntivo) e, depois, o gênero (crônica, reportagem, artigo de opinião etc.). A banca mistura os dois conceitos nas alternativas, então o candidato precisa separá-los com clareza.

O texto: tema, tese e movimento argumentativo

O texto “Ser professor”, de Ester Rosseto, é uma crônica que reflete sobre a diferença entre “dar aula” e “ser professor”. A autora não defende uma tese com argumentos lógicos; ela narra as atitudes e vivências do professor, como em:

“Professor está na chuva para se molhar, para se arriscar diariamente. Para sofrer com as derrotas e vibrar com as vitórias dos alunos.”

Essa sequência de ações, no presente do indicativo, é típica da narração — mesmo sem um enredo clássico com começo, meio e fim, há uma progressão de ações que caracterizam o “ser professor”. A crônica, como gênero, frequentemente mescla narração e reflexão, mas o predomínio é narrativo.

A técnica que decide

Para classificar a tipologia, o que importa é a intenção do autor e a estrutura predominante. O texto relata ações (narrar), não descreve estaticamente (descrever), nem argumenta para convencer (dissertar). A presença de opiniões e reflexões não torna o texto dissertativo — elas estão inseridas em uma moldura narrativa. Além disso, o gênero é crônica, não reportagem, como afirma a alternativa D.

Análise das alternativas

1Narrativo
Ações e vivências
Progressão temporal
Crônica (gênero)
2Descritivo
Características estáticas
Sem progressão
3Dissertativo
Tese e argumentos
Convencer o leitor
4Injuntivo
Instruções
Verbos no imperativo
Tipologia textual
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Tipologia textual: Narrativo (Ações e vivências, Progressão temporal, Crônica (gênero)); Descritivo (Características estáticas, Sem progressão); Dissertativo (Tese e argumentos, Convencer o leitor); Injuntivo (Instruções, Verbos no imperativo)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa A afirma que o texto é dissertativo, “analisa e interpreta dados da realidade por meio de conceitos abstratos, de forma isenta e objetiva”. Isso contradiz o texto: a autora é subjetiva e emotiva, como se vê em “Ser professor é um lance de amor”. Não há dados objetivos nem isenção; há uma visão pessoal. O erro é contradizer o texto e confundir tipo textual.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa B acerta ao dizer que é um texto narrativo, pois é uma crônica em que a autora passa suas visões de mundo através das ações que atribui ao professor e de suas próprias vivências. O texto está repleto de ações: “Professor quer saber o nome”, “Professor se envolve”, “Professor acaba por viver muitas vidas”. Essas ações, no presente, configuram uma narração — o gênero crônica é tipicamente narrativo. A alternativa está inteiramente sustentada pelo texto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C classifica o texto como descritivo, “relata as características de uma profissão num momento estático do tempo”. Embora haja adjetivos e caracterizações, o texto não é estático: há progressão de ações e envolvimento temporal (“Professor se perde no cronograma”, “Professor acaba por viver muitas vidas”). O erro é restringir o texto a uma descrição, ignorando o caráter narrativo predominante.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D diz que é um texto narrativo, mas o classifica como reportagem, “baseando-se somente em aspectos concretos”. Isso é falso: o texto é uma crônica, não uma reportagem, e não se baseia “somente em aspectos concretos” — há forte subjetividade e emoção. O erro é trocar o gênero (crônica por reportagem) e restringir o conteúdo a aspectos concretos.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E afirma que o texto é dissertativo e tem “caráter injuntivo ao tentar convencer o leitor”. Isso contradiz o texto: não há verbos no imperativo nem instruções; a autora não tenta convencer com argumentos, mas compartilha vivências. O erro é confundir tipologia (dissertativo/injuntivo) com o que é, na verdade, narrativo.

Conclusão

A questão exige distinguir tipo textual (narrativo) de gênero textual (crônica). A alternativa B é a única que acerta ao identificar ambos corretamente. As demais ou contradizem o texto, ou restringem seu alcance, ou trocam o gênero. Lembre-se: para classificar, olhe a intenção predominante — aqui, narrar ações e vivências.

Gabarito: letra B.

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