Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Tipologia e Gênero Textual — Avança SP 2023

PortuguêsTipologia e Gênero Textual
Código
qa505260
Banca
Avança SP
Órgão
Pref Itapecerica S
Ano
2023
Cargo
ASE (Itapecerica S)

O que é regulação da mídia e por que o 

tema gera polêmica? 

 

        Num país como o Brasil, de dimensões continentais e mais de 210 milhões de habitantes, que compõem uma população muito diversa, é natural que existam discussões e divergências em diversos espaços (políticos, como na Câmara dos Deputados e em Assembleias Legislativas; públicos; mas não somente neles) e de diversas maneiras. Não é diferente quando se fala de regulação da mídia. 

Em se tratando de formação de opinião pública, os meios de comunicação têm um papel muito importante nesse quesito, além de grande responsabilidade pelas suas publicações. 

        No Brasil, cerca de 50% da mídia é controlada por apenas 5 famílias. Este número não reflete a pluralidade necessária para que exista verdadeiramente um Estado democrático de direito. Ao mesmo tempo, existem muitos países que utilizam de regulação da mídia para controlar a opinião pública, como instrumento de consolidação de regimes autoritários. 

        Antes de tudo, é preciso destacar que não há somente uma "opinião pública", consensual e bem definida acerca desse assunto, uma vez que o nosso país é consideravelmente populoso e possui pessoas de diferentes classes socioeconômicas, etnias, religiões, etc. 

        Por isso, diferentes grupos sociais se identificam com diferentes opiniões e, mesmo em um determinado grupo, não necessariamente prevalece a concordância plena de ideias. Esses grupos disputam, em lugares públicos, espaços para expressar suas opiniões. Porém, existem aqueles que conseguem manifestar suas opiniões em maior quantidade do que outros. 

        Pensando na atuação da grande mídia, que bombardeia a população diariamente com imagens, notícias, estereótipos, percebe-se que esta possui grande poder e influencia na formação de opinião de uma sociedade. 

        O conteúdo difundido pelos meios de comunicação é estrategicamente moldado, servindo aos interesses das empresas que detêm esses instrumentos de difusão de informações. Por exemplo: uma propaganda tem a intenção de provocar um desejo por determinado produto, mesmo que você nunca tenha ouvido falar nele. Assim, você passa a acreditar que precisa daquilo, podendo chegar ao ponto de comprá-lo, sem nem exatamente ter certeza de que precisa mesmo. 

        No Brasil, cinco grandes empresas de telecomunicação dominam os meios de maior audiência: Globo, Bandeirantes, Record, RBS e Grupo Folha. Destaca-se a abrangência da Rede Globo, que além de deter os maiores números de audiência da TV aberta, também soma dezenas de canais na TV a cabo, veículos jornalísticos impressos e canais de rádio. 

        Traduzindo em números: essas emissoras alcançam cerca de 75% da população, contando somente com os programas de televisão e rádio e veículos impressos. Se somarmos os acessos em portais na internet, a cobertura da Rede Globo sozinha chega em quase metade dos brasileiros. 

        Apesar da vasta dimensão do território brasileiro, a produção do conteúdo destes veículos também é concentrada geograficamente. Estima-se que 80% dos escritórios que controlam os principais meios de comunicação no Brasil estão localizados nas regiões Sudeste e Sul. 

        Com tanto poder nas mãos de poucas pessoas, a transmissão de informações naturalmente fica restrita. Isso porque apenas os grupos detentores dos grandes canais é que têm sua voz ouvida e seus interesses defendidos com vigor. 

        Mas essa parcela de empresários corresponde a uma porcentagem muito pequena da população, não representando a maioria do povo em suas características e necessidades. Logo, a grande mídia não dissemina a diversidade de opiniões, culturas, ideologias e preocupações de uma nação tão numerosa heterogênea e desigual como o Brasil. E sem pluralidade de ideias, não há democracia saudável.


[…]



(LOPES, Enize Neves Lopes; SCHIOCHET, Gabriel Augusto. O que é regulação da mídia e por que o tema gera polêmica?. Politize!, 10 de novembro de 2022. Disponível em: https://www.politize.com.br/regulacao-da-midia/. Acesso em 04 de fevereiro de 2023).


Texto

   

No quarto parágrafo, "opinião pública" surge entre aspas. Esse destaque ocorre porque:

  1. Aé a primeira vez que a expressão aparece no texto.
  2. Bmarca passagem extraída de outro contexto.
  3. Chá uma relativização de sentido.
  4. Dassinala repetição recorrente.
  5. Ediferencia inserção de discurso direto.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — há uma relativização de sentido.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Uso das Aspas: Relativização de Sentido

Gabarito: letra C. As aspas em "opinião pública" sinalizam que o autor relativiza o sentido da expressão, ou seja, não a toma como algo absoluto, único ou consensual. Isso fica claro no próprio parágrafo, quando o texto afirma que "não há somente uma 'opinião pública', consensual e bem definida acerca desse assunto". A banca explora a confusão com outros usos das aspas (citação, discurso direto, repetição), mas a função aqui é semântica: marcar que o termo deve ser lido com ressalva.

O Comando

A questão pergunta por que a expressão "opinião pública" aparece entre aspas no quarto parágrafo. Isso é uma questão de interpretação de recurso expressivo: não basta saber a regra geral das aspas; é preciso observar o efeito de sentido que elas produzem naquele contexto específico. O comando "Esse destaque ocorre porque" pede a função das aspas, não a mera constatação de que elas existem.

O Texto

O texto discute a regulação da mídia e a formação de opinião pública. No quarto parágrafo, o autor escreve:

"Antes de tudo, é preciso destacar que não há somente uma 'opinião pública', consensual e bem definida acerca desse assunto, uma vez que o nosso país é consideravelmente populoso e possui pessoas de diferentes classes socioeconômicas, etnias, religiões, etc."

A expressão "opinião pública" aparece entre aspas porque o autor quer relativizar a ideia de que exista uma opinião única e homogênea. Ele mesmo explica que não há uma só opinião pública, mas sim múltiplas opiniões de grupos diversos. As aspas funcionam como um sinal de ressalva: o autor não usa o termo em seu sentido absoluto, mas com a ressalva de que se trata de um conceito problemático, não consensual.

A Técnica: Funções das Aspas

As aspas têm várias funções na língua portuguesa. As principais são:

  • Citar palavras ou trechos de outro autor (discurso alheio);

  • Destacar termos estrangeiros, gírias ou neologismos;

  • Marcar ironia ou sentido figurado;

  • Relativizar o sentido de uma palavra ou expressão, indicando que ela não deve ser tomada ao pé da letra.

Nesta questão, a função é a relativização: o autor coloca o termo entre aspas para mostrar que ele não é absoluto, que há controvérsia sobre o que seria "opinião pública". Isso é reforçado pela sequência do parágrafo, que fala em "diferentes grupos sociais" e "diferentes opiniões".

Análise das Alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. A expressão "opinião pública" já apareceu antes, no segundo parágrafo: "Em se tratando de formação de opinião pública, os meios de comunicação têm um papel muito importante". Portanto, não é a primeira vez que aparece. A alternativa é falsa.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. Não há indicação de que a expressão tenha sido extraída de outro contexto ou de outra obra. O texto é um artigo de opinião, e o autor usa as aspas por conta própria, não para marcar uma citação. A alternativa inventa uma informação que não está no texto.

Alternativa C — ✅ Correta

Gabarito. As aspas indicam relativização de sentido: o autor não usa "opinião pública" como um conceito absoluto, mas com ressalva, pois logo em seguida afirma que "não há somente uma 'opinião pública', consensual e bem definida". A expressão é colocada entre aspas para mostrar que se trata de um termo problemático, que não deve ser entendido de forma simplista.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. As aspas não marcam repetição recorrente. A expressão aparece apenas duas vezes no texto, e a segunda ocorrência é justamente a que está entre aspas. Não há repetição recorrente que justifique o uso das aspas.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. As aspas não estão marcando discurso direto. Discurso direto é a reprodução literal da fala de alguém, geralmente introduzida por dois-pontos ou travessão. Aqui, não há fala de personagem ou citação de outro autor; é o próprio autor usando o termo com ressalva.

Conclusão

A questão testa a capacidade de identificar a função expressiva das aspas, não apenas a regra gramatical. A alternativa correta é a letra C, pois as aspas em "opinião pública" sinalizam que o autor relativiza o sentido do termo, mostrando que não existe uma opinião pública única e consensual. As demais alternativas descrevem outros usos das aspas que não se aplicam ao contexto.

PEGA ESSA DICA!

Ao encontrar aspas em um texto, pergunte-se: o autor está citando alguém? Está usando ironia? Está relativizando um conceito? A resposta depende do contexto. Grife o trecho em que a expressão aparece e veja o que vem antes e depois.

Gabarito: letra C

Link permanente: /questoes/qa505260