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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — Quadrix 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa505373
Banca
Quadrix
Órgão
CAU PA
Ano
2023
Cargo
Arq Urb ( )

Em todas as épocas em que a linguagem clássica da arquitetura alcançou um alto grau de eloquência, seu uso se baseou em uma certa filosofia. Um arquiteto só conseguiria empregar as ordens com amor se as amasse de fato e, para tanto, deveria estar persuadido de que essas mesmas ordens corporificavam algum princípio absoluto de verdade ou beleza. A crença na autoridade essencial das ordens assumiu várias formas. A mais simples pode ser descrita nos seguintes termos: Roma fora a maior, Roma fora a mais sábia. A veneração pura e simples de Roma é a melhor pista para a compreensão de muitos aspectos de nossa civilização. Já não podemos compartilhar integralmente desta veneração, porque conhecemos Roma muito bem e nossas informações nem sempre são agradáveis. E nunca soubemos tanto como agora a respeito de outras civilizações que contribuíram para o sucesso alcançado por Roma. Mas se quisermos compreender o pensamento dos séculos XV e XVI, precisamos ser simples. Burckhardt conta uma história muito bonita, que nos pode auxiliar. Em uma certa ocasião, em 1485, foi anunciada a descoberta, em um sarcófago, do corpo de uma mulher romana, em estado de perfeita conservação. O corpo foi levado para o Pallazzo dei Conservatori. À medida que a notícia foi se espalhando, foi se formando uma multidão para ver a maravilha.


John Summerson. A linguagem clássica da arquitetura.
São Paulo: Martins Fontes, 2006 (com adaptações).

Acerca da estrutura e do conteúdo do texto, julgue o item a seguir.   Na expressão “Já não podemos”, identifica-se uma informação implícita: a de que, em algum momento anterior, pôde-se compartilhar da veneração mencionada.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Pressuposição e o advérbio "já": a informação implícita na expressão "Já não podemos"

Gabarito: C (Certo). A assertiva está correta porque a expressão "Já não podemos" contém uma pressuposição — informação implícita, mas marcada linguisticamente — de que, em algum momento anterior, era possível compartilhar da veneração mencionada. O advérbio "já", nesse contexto, indica que uma situação que antes existia deixou de existir, como se lê no trecho: "Já não podemos compartilhar integralmente desta veneração, porque conhecemos Roma muito bem e nossas informações nem sempre são agradáveis."

O comando: o que a banca pede

O enunciado pede que se julgue se a afirmação sobre o texto é certa ou errada. A palavra-chave é "informação implícita": a banca não quer que você localize uma informação explícita, mas que depreenda algo que está nas entrelinhas, porém marcado linguisticamente — ou seja, um pressuposto. É uma questão de inferência, não de recorrência.

O texto: onde mora a resposta

O texto de John Summerson discute a veneração de Roma como chave para entender a civilização. No trecho central, o autor afirma:

"Já não podemos compartilhar integralmente desta veneração, porque conhecemos Roma muito bem e nossas informações nem sempre são agradáveis."

A expressão "Já não podemos" é a pista decisiva. O advérbio "já" + a negação "não" formam uma estrutura que pressupõe um estado anterior: se "já não podemos", então antes podíamos. Essa é uma informação implícita, mas marcada linguisticamente — não é uma dedução subjetiva, é uma decorrência necessária da própria construção.

A técnica: pressuposto × subentendido

Para resolver, é essencial distinguir:

Critério

Pressuposto

Subentendido

Marcação

Linguística (pistas no texto)

Extralinguística (entrelinhas)

Dedução

Necessária

Subjetiva

Exemplo

"Já não podemos" → antes podíamos

"Você tem relógio?" → quero saber as horas

O pressuposto está "registrado" nas palavras; o subentendido é uma insinuação. Aqui, o "já" é uma marca linguística clássica de pressuposição: ele indica que uma situação anterior foi interrompida. Assim, a assertiva está correta.

Análise da assertiva

Assertiva — ✅ Certo

A afirmação de que "Na expressão 'Já não podemos', identifica-se uma informação implícita: a de que, em algum momento anterior, pôde-se compartilhar da veneração mencionada" é verdadeira. O advérbio "já" + a negação "não" pressupõem que, antes, a ação era possível. O texto confirma: "Já não podemos compartilhar integralmente desta veneração" — a construção implica que antes se podia compartilhar. A banca não extrapolou; apenas explicitou o pressuposto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca testa se você confunde pressuposto com subentendido. O "já" é uma pista linguística — a informação implícita é necessária, não subjetiva. Quem marca "Errado" geralmente acha que a informação não está no texto, mas ela está marcada na própria expressão.

PEGA ESSA DICA!

Ao ver "já não" ou "ainda não", pergunte: "o que isso pressupõe?" — "já não" pressupõe que antes sim; "ainda não" pressupõe que se esperava que sim. Essas estruturas são ouro em prova.

Conclusão: a assertiva está certa, pois a expressão "Já não podemos" contém um pressuposto — informação implícita, mas linguisticamente marcada — de que antes se podia compartilhar da veneração. Gabarito: C (Certo).

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