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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — Quadrix 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa505438
Banca
Quadrix
Órgão
CRECI 6 (PR)
Ano
2023
Cargo
PAS (CRECI 6 PR)

Quando o oficial de justiça chegou
Lá na favela
E contra seu desejo
Entregou pra seu Narciso
Um aviso, uma ordem de despejo
Assinada, seu doutor
Assim dizia a petição
Dentro de dez dias
Quero a favela vazia
E os barracos todos no chão
É uma ordem superior
Ô, ô, ô, ô, ô, meu senhor!
É uma ordem superior
Ô, ô, ô, ô, ô, meu senhor!
É uma ordem superior
Não tem nada não, seu doutor
Não tem nada não
Amanhã mesmo vou deixar meu barracão
Não tem nada não, seu doutor
Vou sair daqui
Pra não ouvir o ronco do trator
Pra mim não tem probrema
Em qualquer canto eu me arrumo
De qualquer jeito eu me ajeito
Depois, o que eu tenho é tão pouco
Minha mudança é tão pequena
Que cabe no bolso de trás
Mas essa gente aí, hein?
Como é que faz?
Mas essa gente aí, hein?
Como é que faz?
Ô, ô, ô, ô, ô, meu senhor!
Essa gente aí
Como é que faz?
Ô, ô, ô, ô, ô, meu senhor!
Essa gente aí, hein?
Como é que faz?


Adoniran Barbosa. Despejo na favela. Internet: <www.letras.mus.br> (com adaptações).

Texto para o item.

 

Com base nas ideias e na estrutura linguística do texto, julgue o item.

 

A palavra “gente” refere‑se às pessoas encarregadas de derrubar os barracos na favela.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Referente de “gente” na canção “Despejo na favela”

Gabarito: ERRADO. A palavra “gente” não se refere às pessoas encarregadas de derrubar os barracos, mas sim aos outros moradores da favela — aqueles que, diferentemente do eu lírico, não têm para onde ir. A pista está na pergunta retórica que fecha a canção: “Mas essa gente aí, hein? / Como é que faz?”, que contrasta com a fala anterior do eu lírico: “Pra mim não tem probrema / Em qualquer canto eu me arrumo”. O texto não menciona quem executará a demolição; a referência é claramente aos demais favelados.

O comando: compreensão e inferência

O enunciado pede que se julgue uma afirmação sobre o referente de uma expressão (“gente”). Isso é uma questão de coesão referencial: identificar a que termo ou ideia a palavra remete. Não se trata de localizar uma informação explícita — o texto não diz “gente = demolidores” —, mas de inferir o referente a partir do contexto. A banca testa se o candidato percebe a oposição que o eu lírico estabelece entre ele mesmo e “essa gente aí”.

O texto: a fala do eu lírico

Na canção, o eu lírico (um morador da favela) recebe a ordem de despejo. Ele reage com resignação pessoal: “Amanhã mesmo vou deixar meu barracão”, “Pra mim não tem probrema / Em qualquer canto eu me arrumo”. Em seguida, introduz uma preocupação com os outros: “Mas essa gente aí, hein? / Como é que faz?”. O conectivo “Mas” marca uma oposição entre a facilidade individual (“me arrumo”) e a dificuldade coletiva (“Como é que faz?”).

“Mas essa gente aí, hein? / Como é que faz?”

A pergunta retórica só faz sentido se “essa gente” forem pessoas na mesma situação do eu lírico — os outros favelados que também receberam a ordem de despejo e não têm a mesma facilidade de recomeçar. O eu lírico, que “se arruma em qualquer canto”, contrasta com aqueles que não têm para onde ir. Não há, em nenhum verso, referência a “pessoas encarregadas de derrubar os barracos”; essa ideia é uma extrapolação do candidato, que traz informação de fora do texto.

A técnica: coesão referencial e inferência

Coesão referencial é o mecanismo pelo qual um termo retoma outro já mencionado (ou pressuposto) no texto. Aqui, “essa gente aí” é uma expressão nominal que retoma, por inferência, o conjunto de moradores da favela — o mesmo grupo ao qual o eu lírico pertence. A pista é o demonstrativo “essa”, que aponta para algo próximo do interlocutor (o “seu doutor”, o oficial de justiça), mas distante do eu lírico: são os outros, não ele.

A banca adora cobrar esse tipo de questão porque o candidato, ao ler “gente”, pode pensar em “pessoas que trabalham na demolição” — mas o texto não autoriza essa leitura. A regra de ouro: o referente de um pronome/expressão é sempre o termo que o texto permite recuperar, nunca uma ideia que o leitor traz de fora.

1O que o texto permite
Outros moradores da favela
Mesma situação do eu lírico
Sem ter para onde ir
2O que o texto NÃO diz
Encarregados da demolição
Quem executa a ordem
3Pistas textuais
Conectivo “Mas” (oposição)
Pergunta retórica “Como é que faz?”
Contraste com “me arrumo”
Referente de “gente”
LEVELsoulevel.com.br
Referente de “gente”: O que o texto permite (Outros moradores da favela, Mesma situação do eu lírico, Sem ter para onde ir); O que o texto NÃO diz (Encarregados da demolição, Quem executa a ordem); Pistas textuais (Conectivo “Mas” (oposição), Pergunta retórica “Como é que faz?”, Contraste com “me arrumo”)

Alternativa E — ❌ Errada ⟵ GABARITO

A afirmação está errada porque o texto não sustenta que “gente” se refira às pessoas encarregadas de derrubar os barracos. Vejamos:

  • O texto fala de “ordem de despejo”, “barracos todos no chão”, “ronco do trator” — mas nunca menciona quem executará a demolição. Não há personagem “demolidor” na canção.

  • O eu lírico, ao dizer “Mas essa gente aí, hein? / Como é que faz?”, está preocupado com os outros moradores, não com os executores da ordem. A pergunta “Como é que faz?” só se aplica a quem precisa sair — os favelados.

  • O contraste com “Pra mim não tem probrema / Em qualquer canto eu me arrumo” deixa claro que “essa gente” são os que não têm essa facilidade — ou seja, os outros despejados.

Portanto, a alternativa extrapola o texto ao introduzir a figura dos “encarregados de derrubar os barracos”, que não existe na canção.

Alternativa C — ✅ Correta

A afirmação está correta porque “gente” se refere aos moradores da favela — os demais afetados pela ordem de despejo. A pista está na pergunta retórica:

“Mas essa gente aí, hein? / Como é que faz?”

O eu lírico, que já resolveu sua situação (“Amanhã mesmo vou deixar meu barracão”), pergunta-se sobre os outros. O pronome “essa” + “gente” retoma, por inferência, o conjunto de favelados que também receberam a ordem. Não há outra leitura possível dentro do texto.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de coesão referencial, pergunte: “quem o texto permite que seja esse termo?”. Se a resposta exigir informação de fora, é extrapolação.

Conclusão: como a banca pediu para julgar a afirmação, e ela está errada (o referente não são os demolidores), o gabarito é ERRADO.

Gabarito: ERRADO.

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