Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — Quadrix 2023
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa505440
Banca
Quadrix
Órgão
CRECI 6 (PR)
Ano
2023
Cargo
PAS (CRECI 6 PR)
Quando o oficial de justiça chegou
Lá na favela
E contra seu desejo
Entregou pra seu Narciso
Um aviso, uma ordem de despejo
Assinada, seu doutor
Assim dizia a petição
Dentro de dez dias
Quero a favela vazia
E os barracos todos no chão
É uma ordem superior
Ô, ô, ô, ô, ô, meu senhor!
É uma ordem superior
Ô, ô, ô, ô, ô, meu senhor!
É uma ordem superior
Não tem nada não, seu doutor
Não tem nada não
Amanhã mesmo vou deixar meu barracão
Não tem nada não, seu doutor
Vou sair daqui
Pra não ouvir o ronco do trator
Pra mim não tem probrema
Em qualquer canto eu me arrumo
De qualquer jeito eu me ajeito
Depois, o que eu tenho é tão pouco
Minha mudança é tão pequena
Que cabe no bolso de trás
Mas essa gente aí, hein?
Como é que faz?
Mas essa gente aí, hein?
Como é que faz?
Ô, ô, ô, ô, ô, meu senhor!
Essa gente aí
Como é que faz?
Ô, ô, ô, ô, ô, meu senhor!
Essa gente aí, hein?
Como é que faz?
Adoniran Barbosa. Despejo na favela. Internet: <www.letras.mus.br> (com adaptações).
Texto para o item.
Com base nas ideias e na estrutura linguística do texto, julgue o item.
A grafia de “probrema” tem a função de representar fielmente a fala do personagem.
CCerto
EErrado
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GabaritoC — Certo
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A grafia de “probrema” e a representação da fala popular
Gabarito: C (Certo). A grafia “probrema” é uma metátese — a troca de posição das letras “r” e “o” — que reproduz, de forma fiel, a pronúncia popular do personagem. O texto é uma letra de samba que registra a fala de um morador da favela, e a grafia não-padrão é um recurso de representação da oralidade, como se vê em “probrema” e em outras marcas como “pra mim não tem probrema”.
O comando pede que se julgue a função da grafia “probrema” no texto: se ela serve para representar fielmente a fala do personagem. Isso é uma questão de compreensão — a resposta está explícita na própria estrutura do texto, que é uma canção popular com marcas de oralidade. Não se trata de inferir nada além do que está escrito; basta observar que o texto, ao registrar a fala de um personagem simples, usa a grafia para transcrever a pronúncia real.
O texto de Adoniran Barbosa é construído como um monólogo dramático: o personagem, seu Narciso, fala diretamente com o oficial de justiça. A letra está repleta de marcas de oralidade e de variação linguística popular:
"Pra mim não tem probrema"
Aqui, além de “probrema”, temos “pra” (em vez de “para”) e a construção “pra mim” (em vez de “para eu”), típicas da fala coloquial. A grafia “probrema” não é um erro do autor, mas uma escolha estilística deliberada para representar a fala do personagem — um recurso comum na literatura e na música popular para dar verossimilhança ao diálogo.
A técnica para resolver: pergunte-se qual é a função da grafia não-padrão no contexto. Se o texto é uma canção que retrata a fala de um personagem popular, a grafia “probrema” tem a função de transcrever a pronúncia, e não de marcar um erro ortográfico. A banca não está cobrando se “probrema” é a forma correta — está cobrando se ela representa a fala do personagem, o que é verdadeiro.
NÃO CAIA NESSA!
A banca pode tentar fazer o candidato pensar que “probrema” é um erro ortográfico que deveria ser corrigido. Mas a questão não pergunta se a grafia é correta; pergunta se ela tem a função de representar a fala. A grafia não-padrão é intencional e cumpre exatamente essa função.
PEGA ESSA DICA!
Em questões sobre grafia não-padrão, pergunte-se: “o autor escreveu assim por quê?”. Se a resposta for “para reproduzir a fala de um personagem”, a grafia é funcional e a afirmação é correta.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A grafia “probrema” é uma metátese (troca de posição de fonemas) que reproduz a pronúncia popular. No texto, o personagem diz:
"Pra mim não tem probrema"
Essa grafia, junto com outras marcas como “pra” e “pra mim”, tem a função de representar fielmente a fala do personagem — um morador de favela que fala de forma coloquial. A afirmação está correta.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa E nega o que o texto mostra. A grafia “probrema” não é um erro acidental; é um recurso intencional de representação da oralidade. O texto é uma canção que retrata a fala popular, e a grafia não-padrão é parte dessa representação. Portanto, a afirmação de que a grafia tem a função de representar a fala é verdadeira, e a alternativa E, que a nega, está errada.
Conclusão: a grafia “probrema” é um recurso de representação da fala popular, e não um erro. A questão testa a capacidade de reconhecer a função da grafia não-padrão no contexto. Gabarito: letra C (Certo).