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Questão de Português — Vocábulo "Que" — INSTITUTO AOCP 2023

PortuguêsVocábulo "Que"
Código
qa505617
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
Pref V Conquista
Ano
2023
Cargo
Peda ( )

Como os astros influenciam nossa vida? Veja o

que é ciência ou não

 

Desde a composição do corpo humano até a construção de grandes civilizações, devemos nossa existência e nossa evolução às estrelas e à observação do céu. Os astros, então, têm uma influência enorme na nossa vida.

 

Curiosamente, porém, é comum que as pessoas atribuam à posição de planetas, Lua e estrelasa outros "poderes" que, do ponto de vista científico, eles não têm - como moldar nossa personalidade ou comportamento.

 

Quem explica isso é Marcelo Girardi Schappo, doutor em Física Atômica e Molecular, professor do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) e autor de Astronomia - Os astros, a ciência, a vida cotidiana (ed. Contexto), livro recém-lançado que aborda a importância dos céus no nosso dia-a-dia.b

 

Em entrevista à BBC News Brasil, Schappo explica quatro influências determinantes dos astros na existência humana, e duas que, apesar de bastante populares, não têm respaldo científico.

 

Estamos falando de elementos como carbono, oxigênio, enxofre, magnésio e a maior parte dos nomes que vemos na tabela periódica, existentes em estrelas que viveram bilhões de anos atrás e foram continuamente explodindo e se reconstituindo.

 

Nesse processo, explica Schappo, as estrelas formaram uma “nuvem inicial”, que deu origem ao Sol - a principal estrela do nosso Sistema Solar -, aos planetas como a Terra e à combinação de elementos que permitiu que gases, minerais, água e a vida surgissem e evoluíssem por aqui.

 

É um processo que se estende por cerca de 13 bilhões de anos e que permitiu a riqueza de elementos químicos da Terra.

 

Por isso, estudiosos de astronomia costumam dizer que nós, seres vivos, somos feitos de "poeira das estrelas".

 

As estrelas, explica Schappo, "fazem um processo de fusão nuclear e vão juntando esses elementos pequenos, que viram elementos mais pesados. Esses tijolinhos (elementos) fundamentais à nossa vida aqui vieram do interior de estrelas, que explodiram ou expandiram as suas camadas externas e enriqueceram quimicamente o ambiente interestelar. É esse material que vai acabar se aglomerando e dar origem a novas estrelas, planetas e novos sistemas onde eventualmente a vida pode florescer."

 

Construção das civilizações

 

Para além da base fundamental da vida, foi graças aos céus - mais especificamente, à capacidade de nossos antepassados em observar os céus - que pudemos construir as civilizações humanase, afirma Schappo.

 

Ele se refere especificamente às estações do ano.

   

As diferentes estações existem - e se opõem nos hemisférios Norte e Sul - por causa da inclinação da Terra em relação ao Sol, enquanto dá a volta em torno do Sol.

 

Como a Terra é inclinada em seu eixo, os raios solares incidem de forma diferente em diferentes partes do mundo, a depender do momento do ano - assim, a energia do Sol incide com mais intensidade nos meses de verão e menos intensidade nos de inverno.

 

Muito antes de adquirirem esse conhecimento científico, nossos antepassados aprenderam sobre os padrões climáticos observando o céu. Há constelações de estrelas que só aparecem no céu noturno nos meses de verão, enquanto outras são visíveis no inverno, detalha Schappo. Várias civilizações também identificaram as datas de solstícios e equinócios (dias com mais ou menos luz diurna no ano), o que lhes permitiu identificar a troca de estações.

 

Com esses padrões astronômicos, foi possível se antecipar a períodos de secas ou chuvas, e perceber os melhores momentos de plantar e colher.

 

"Se antever a isso ajudou na transição de um sistema nômade para um sedentário", em que sociedades puderam se desenvolver e prosperar, argumenta o físico. "É obrigatório conhecer esse ambiente e esses padrões da Terra."

 

Por isso, ele argumenta que entender astronomia foi uma "questão de sobrevivência".e

 

Esse conhecimento evoluiu para o calendário - o Gregoriano, que vigora atualmente, foi criado há 440 anos para acompanhar os pouco mais de 365 dias que a Terra demora para dar sua volta em torno do Sol.

 

Agora que a humanidade está diante de mudanças nos padrões climáticos da Terra por conta do aquecimento globald, Marcelo Schappo argumenta que o conhecimento astronômico também será fundamental - por conta de sua capacidade de analisar os padrões do Sol e a forma como a nossa atmosfera absorve sua energia.

 

Além de ensinar nossos antepassados a entender os ciclos climáticos, a observação dos céus foi crucial em outro ponto importante na história humana: as navegações.

 

"Muitas navegações e métodos de navegação importantes na história foram guiados pelas estrelas", afirma Schappo.

 

Uma das estrelas da constelação do Cruzeiro do Sul, por exemplo, "aponta quase no polo Sul celeste - é um bom indicativo de onde está o sul, e a partir daí sabe onde estão os outros pontos cardeais", explica o físico.

 

No hemisfério Norte, a Estrela Polar, na constelação da Ursa Menor, é usada como indicativo do norte.

Hoje, a nossa navegação via satélite também se apoia no conhecimento astronômico - tanto no envio de satélites ao espaço quanto na utilização desses satélites para você definir, no GPS do celular, o trajeto que vai fazer de casa para o trabalho.

 

"O sistema do GPS funciona com vários satélites, colocados em órbita da Terra", explica Schappo.

"Quando quero usar meu celular para saber minha posição no planeta, o que ele (aparelho) faz é trocar informações com esses satélites - e o sinal leva um tempo para sair do celular, chegar no satélite e retornar. É com essa diferença de tempo de sinal que ele troca com pelo menos dois ou três satélites que ele calcula exatamente a posição em que você está no planeta em latitude, longitude e altitude. Portanto, é uma superferramenta para navegação aérea, marítima e exploração terrestre."

 

[…]

 

Texto adaptado de: Como os astros influenciam nossa

vida? Veja o que é ciência ou não - BBC News Brasil. Acesso em: 02 de jul. 2023.

Assinale a alternativa em que o termo “que” destacado esteja retomando o termo antecedente.
  1. A“Curiosamente, porém, é comum que as pessoas atribuam à posição de planetas, Lua e estrelas.”
  2. BOs astros, a ciência, a vida cotidiana (ed. Contexto), livro recém-lançado que aborda a importância dos céus no nosso dia-a-dia.”
  3. C“[...] foi graças aos, mais especificamente, à capacidade de nossos antepassados em observar os céus - que pudemos construir as civilizações humanas, [...]”
  4. D“Agora que a humanidade está diante de mudanças nos padrões climáticos da Terra por conta do aquecimento global.”
  5. E“Por isso, ele argumenta que entender astronomia foi uma ‘questão de sobrevivência’.”
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GabaritoB — “Os astros, a ciência, a vida cotidiana (ed. Contexto), livro recém-lançado que aborda a importância dos céus no nosso dia-a-dia.”

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O vocábulo "que" como pronome relativo: retomada do antecedente

Gabarito: letra B. A alternativa B é a correta porque o "que" em "livro recém-lançado que aborda a importância dos céus" é um pronome relativo, que retoma o termo antecedente "livro". Nas demais alternativas, o "que" exerce outras funções: conjunção integrante (A, E), partícula expletiva de realce (C) e conjunção temporal (D). A pista decisiva é a possibilidade de substituir o "que" por "o qual/a qual" — teste clássico para identificar o pronome relativo.

O comando: identificar a função do "que"

A questão pede que você assinale a alternativa em que o "que" destacado retoma o termo antecedente. Isso é uma tarefa de análise sintática e coesão referencial: você precisa identificar, em cada ocorrência, se o "que" é um pronome relativo (que substitui um termo já dito, retomando-o) ou se exerce outra função (conjunção, partícula expletiva, etc.). O comando não pede interpretação de sentido, mas sim o reconhecimento de uma classe gramatical específica no contexto.

O texto: onde está a resposta

No trecho da alternativa B, temos:

"Astronomia - Os astros, a ciência, a vida cotidiana (ed. Contexto), livro recém-lançado que aborda a importância dos céus no nosso dia-a-dia."

Aqui, "que" inicia a oração adjetiva "que aborda a importância dos céus", que caracteriza o substantivo "livro". O pronome relativo "que" retoma "livro" e exerce a função de sujeito dentro da oração adjetiva. Esse é o caso clássico de pronome relativo: ele substitui um termo já mencionado, evitando repetição e ligando as orações.

A técnica: o teste do "o qual"

Para identificar se o "que" é pronome relativo, substitua-o por "o qual", "a qual", "os quais" ou "as quais". Se a substituição for possível sem alterar o sentido, é pronome relativo. Veja:

  • B: "livro recém-lançado que aborda" → "livro recém-lançado o qual aborda" ✓

  • A: "é comum que as pessoas atribuam" → "é comum o qual as pessoas atribuam" ✗ (não faz sentido)

  • C: "foi graças aos céus ... que pudemos construir" → "foi graças aos céus ... o qual pudemos construir" ✗ (não faz sentido)

  • D: "Agora que a humanidade está diante" → "Agora o qual a humanidade está diante" ✗ (não faz sentido)

  • E: "ele argumenta que entender astronomia" → "ele argumenta o qual entender astronomia" ✗ (não faz sentido)

Esse teste é infalível para separar o pronome relativo das demais funções.

As outras funções do "que"

  • Conjunção integrante: introduz uma oração que funciona como sujeito, objeto, etc. Pode ser trocada por "isso". Ex.: "ele argumenta que entender astronomia foi..." → "ele argumenta isso".

  • Partícula expletiva de realce: pode ser retirada sem prejuízo de sentido. Ex.: "foi graças aos céus ... que pudemos construir" → "foi graças aos céus ... pudemos construir" (mantém o sentido).

  • Conjunção temporal: equivale a "quando". Ex.: "Agora que a humanidade está diante" → "Agora quando a humanidade está diante".

Análise das alternativas

Função do "que"

Alternativa

Teste de identificação

Pronome relativo (retoma antecedente)

B

Substituível por "o qual"

Conjunção integrante

A, E

Substituível por "isso"

Partícula expletiva de realce

C

Pode ser retirada sem prejuízo

Conjunção temporal

D

Equivale a "quando"

1Pronome relativo
Retoma antecedente
Substituível por "o qual"
2Conjunção integrante
Substituível por "isso"
3Partícula expletiva
Retirável sem prejuízo
4Conjunção temporal
Equivale a "quando"
Funções do "que"
LEVELsoulevel.com.br
Funções do "que": Pronome relativo (Retoma antecedente, Substituível por "o qual"); Conjunção integrante (Substituível por "isso"); Partícula expletiva (Retirável sem prejuízo); Conjunção temporal (Equivale a "quando")

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Curiosamente, porém, é comum que as pessoas atribuam à posição de planetas, Lua e estrelas."

Aqui, o "que" é conjunção integrante, pois introduz a oração "que as pessoas atribuam...", que funciona como sujeito da oração principal ("é comum"). Não retoma nenhum termo antecedente. O teste do "o qual" falha: "é comum o qual as pessoas atribuam" não faz sentido. Erro: troca de função — o "que" não é pronome relativo.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Astronomia - Os astros, a ciência, a vida cotidiana (ed. Contexto), livro recém-lançado que aborda a importância dos céus no nosso dia-a-dia."

O "que" é pronome relativo, retomando "livro". Substituindo: "livro recém-lançado o qual aborda...". A oração adjetiva "que aborda a importância dos céus" caracteriza o livro. É exatamente o que o comando pede: retomada do antecedente.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"[...] foi graças aos céus - mais especificamente, à capacidade de nossos antepassados em observar os céus - que pudemos construir as civilizações humanas, [...]"

O "que" aqui é partícula expletiva de realce (ou de reforço), pois pode ser retirado sem alterar o sentido: "foi graças aos céus ... pudemos construir as civilizações humanas". Não retoma termo antecedente. Erro: troca de função — o "que" é expletivo, não relativo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Agora que a humanidade está diante de mudanças nos padrões climáticos da Terra por conta do aquecimento global."

O "que" é conjunção temporal, equivalendo a "quando": "Agora quando a humanidade está diante...". Não retoma termo antecedente. Erro: troca de função — o "que" é conjunção temporal, não relativo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Por isso, ele argumenta que entender astronomia foi uma 'questão de sobrevivência'."

O "que" é conjunção integrante, introduzindo a oração objetiva direta "que entender astronomia foi...". Pode ser trocado por "isso": "ele argumenta isso". Não retoma termo antecedente. Erro: troca de função — o "que" é conjunção integrante, não relativo.

Conclusão

A única alternativa em que o "que" retoma um termo antecedente é a B, pois é pronome relativo. Nas demais, o "que" exerce outras funções (conjunção integrante, partícula expletiva, conjunção temporal). Lembre-se: o teste do "o qual" é a chave para identificar o pronome relativo.

PEGA ESSA DICA!

Ao se deparar com o "que", pergunte: "posso substituir por 'o qual'?" Se sim, é pronome relativo. Se puder trocar por "isso", é conjunção integrante. Se puder retirar sem prejuízo, é partícula expletiva. Se equivaler a "quando", é conjunção temporal.

Gabarito: letra B

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