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Questão de Português — Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc) — INSTITUTO AOCP 2023

PortuguêsCoerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Código
qa505621
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
Pref V Conquista
Ano
2023
Cargo
Peda ( )

Como os astros influenciam nossa vida? Veja o

que é ciência ou não

 

Desde a composição do corpo humano até a construção de grandes civilizações, devemos nossa existência e nossa evolução às estrelas e à observação do céu. Os astros, então, têm uma influência enorme na nossa vida.

 

Curiosamente, porém, é comum que as pessoas atribuam à posição de planetas, Lua e estrelas outros "poderes" que, do ponto de vista científico, eles não têm - como moldar nossa personalidade ou comportamento.

 

Quem explica isso é Marcelo Girardi Schappo, doutor em Física Atômica e Molecular, professor do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) e autor de Astronomia - Os astros, a ciência, a vida cotidiana (ed. Contexto), livro recém-lançado que aborda a importância dos céus no nosso dia-a-dia.

 

Em entrevista à BBC News Brasil, Schappo explica quatro influências determinantes dos astros na existência humana, e duas que, apesar de bastante populares, não têm respaldo científico.

 

Estamos falando de elementos como carbono, oxigênio, enxofre, magnésio e a maior parte dos nomes que vemos na tabela periódica, existentes em estrelas que viveram bilhões de anos atrás e foram continuamente explodindo e se reconstituindo.

 

Nesse processo, explica Schappo, as estrelas formaram uma “nuvem inicial”, que deu origem ao Sol - a principal estrela do nosso Sistema Solar -, aos planetas como a Terra e à combinação de elementos que permitiu que gases, minerais, água e a vida surgissem e evoluíssem por aqui.

 

É um processo que se estende por cerca de 13 bilhões de anos e que permitiu a riqueza de elementos químicos da Terra.

 

Por isso, estudiosos de astronomia costumam dizer que nós, seres vivos, somos feitos de "poeira das estrelas".

 

As estrelas, explica Schappo, "fazem um processo de fusão nuclear e vão juntando esses elementos pequenos, que viram elementos mais pesados. Esses tijolinhos (elementos) fundamentais à nossa vida aqui vieram do interior de estrelas, que explodiram ou expandiram as suas camadas externas e enriqueceram quimicamente o ambiente interestelar. É esse material que vai acabar se aglomerando e dar origem a novas estrelas, planetas e novos sistemas onde eventualmente a vida pode florescer."

 

Construção das civilizações

 

Para além da base fundamental da vida, foi graças aos céus - mais especificamente, à capacidade de nossos antepassados em observar os céus - que pudemos construir as civilizações humanas, afirma Schappo.

 

Ele se refere especificamente às estações do ano.

   

As diferentes estações existem - e se opõem nos hemisférios Norte e Sul - por causa da inclinação da Terra em relação ao Sol, enquanto dá a volta em torno do Sol.

 

Como a Terra é inclinada em seu eixo, os raios solares incidem de forma diferente em diferentes partes do mundo, a depender do momento do ano - assim, a energia do Sol incide com mais intensidade nos meses de verão e menos intensidade nos de inverno.

 

Muito antes de adquirirem esse conhecimento científico, nossos antepassados aprenderam sobre os padrões climáticos observando o céu. Há constelações de estrelas que só aparecem no céu noturno nos meses de verão, enquanto outras são visíveis no inverno, detalha Schappo. Várias civilizações também identificaram as datas de solstícios e equinócios (dias com mais ou menos luz diurna no ano), o que lhes permitiu identificar a troca de estações.

 

Com esses padrões astronômicos, foi possível se antecipar a períodos de secas ou chuvas, e perceber os melhores momentos de plantar e colher.

 

"Se antever a isso ajudou na transição de um sistema nômade para um sedentário", em que sociedades puderam se desenvolver e prosperar, argumenta o físico. "É obrigatório conhecer esse ambiente e esses padrões da Terra."

 

Por isso, ele argumenta que entender astronomia foi uma "questão de sobrevivência".

 

Esse conhecimento evoluiu para o calendário - o Gregoriano, que vigora atualmente, foi criado há 440 anos para acompanhar os pouco mais de 365 dias que a Terra demora para dar sua volta em torno do Sol.

 

Agora que a humanidade está diante de mudanças nos padrões climáticos da Terra por conta do aquecimento global, Marcelo Schappo argumenta que o conhecimento astronômico também será fundamental - por conta de sua capacidade de analisar os padrões do Sol e a forma como a nossa atmosfera absorve sua energia.

 

Além de ensinar nossos antepassados a entender os ciclos climáticos, a observação dos céus foi crucial em outro ponto importante na história humana: as navegações.

 

"Muitas navegações e métodos de navegação importantes na história foram guiados pelas estrelas", afirma Schappo.

 

Uma das estrelas da constelação do Cruzeiro do Sul, por exemplo, "aponta quase no polo Sul celeste - é um bom indicativo de onde está o sul, e a partir daí sabe onde estão os outros pontos cardeais", explica o físico.

 

No hemisfério Norte, a Estrela Polar, na constelação da Ursa Menor, é usada como indicativo do norte.

Hoje, a nossa navegação via satélite também se apoia no conhecimento astronômico - tanto no envio de satélites ao espaço quanto na utilização desses satélites para você definir, no GPS do celular, o trajeto que vai fazer de casa para o trabalho.

 

"O sistema do GPS funciona com vários satélites, colocados em órbita da Terra", explica Schappo.

 

"Quando quero usar meu celular para saber minha posição no planeta, o que ele (aparelho) faz é trocar informações com esses satélites - e o sinal leva um tempo para sair do celular, chegar no satélite e retornar. É com essa diferença de tempo de sinal que ele troca com pelo menos dois ou três satélites que ele calcula exatamente a posição em que você está no planeta em latitude, longitude e altitude. Portanto, é uma superferramenta para navegação aérea, marítima e exploração terrestre."

 

[…]

 

Texto adaptado de: Como os astros influenciam nossa

vida? Veja o que é ciência ou não - BBC News Brasil. Acesso em: 02 de jul. 2023.

“É um processo que se estende por cerca de 13 bilhões de anos e que permitiu a riqueza de elementos químicos da Terra.   Por isso, estudiosos de astronomia costumam dizer que nós, seres vivos, somos feitos de ‘poeira das estrelas’.”   O segundo parágrafo do trecho apresentado, na relação com o primeiro, estabelece o sentido de
  1. Acausa.
  2. Badição.
  3. Cconclusão.
  4. Dcontraste.
  5. Eexplicação.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — conclusão.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Relação de sentido entre parágrafos: o valor do conectivo "Por isso"

Gabarito: letra C. O segundo parágrafo estabelece uma relação de conclusão com o primeiro, porque o conectivo "Por isso" introduz uma ideia que é consequência lógica do que foi afirmado anteriormente. No texto, o processo de 13 bilhões de anos que enriqueceu a Terra com elementos químicos é a causa que leva à conclusão de que somos feitos de "poeira das estrelas".

O comando da questão

A questão pede que você identifique a relação de sentido que o segundo parágrafo estabelece com o primeiro. Isso é uma tarefa de coesão sequencial: analisar como os conectivos ligam as ideias e que valor lógico eles imprimem à passagem. Não se trata de interpretar o conteúdo, mas de reconhecer a função do conectivo "Por isso" no contexto.

O texto e o movimento argumentativo

No primeiro parágrafo, o autor afirma que o processo de formação dos elementos químicos da Terra se estende por bilhões de anos. No segundo, ele conclui que, por causa desse processo, os seres vivos são feitos de "poeira das estrelas". A relação é clara: o primeiro parágrafo apresenta a base factual (o processo longo de enriquecimento químico), e o segundo apresenta a decorrência dessa base (a origem estelar dos elementos que nos compõem).

"É um processo que se estende por cerca de 13 bilhões de anos e que permitiu a riqueza de elementos químicos da Terra. Por isso, estudiosos de astronomia costumam dizer que nós, seres vivos, somos feitos de 'poeira das estrelas'."

O conectivo "Por isso" é a chave: ele retoma a informação anterior (o processo de 13 bilhões de anos) e a apresenta como razão para a afirmação seguinte. Em outras palavras, o primeiro parágrafo é a causa; o segundo, a consequência lógica. Essa relação de causa-consequência, quando expressa por um conectivo que conclui a partir do que foi dito, é chamada de conclusão.

A técnica que decide

Para distinguir as relações, pergunte: o que o conectivo faz com a ideia anterior?

  • Causa: o conectivo introduz o motivo de algo (ex.: "porque", "já que").

  • Conclusão: o conectivo introduz a consequência ou dedução a partir do que foi dito (ex.: "portanto", "logo", "por isso").

  • Adição: o conectivo acrescenta uma ideia sem relação de causa (ex.: "e", "além disso").

  • Contraste: o conectivo opõe ideias (ex.: "mas", "porém").

  • Explicação: o conectivo justifica ou esclarece uma ideia (ex.: "ou seja", "isto é").

No trecho, "Por isso" não explica, não adiciona, não contrasta: ele conclui a partir da causa apresentada. É a relação de conclusão.

Análise das alternativas

  1. 11º parágrafo: causa
  2. 2Conectivo 'Por isso'
  3. 32º parágrafo: conclusão
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. A alternativa confunde causa com conclusão. No trecho, a causa é o processo de 13 bilhões de anos (primeiro parágrafo); a conclusão é "somos feitos de poeira das estrelas" (segundo parágrafo). O conectivo "Por isso" não introduz a causa, mas a consequência dela. Se a relação fosse de causa, o conectivo seria "porque" ou "já que", e a ordem seria invertida: "Somos feitos de poeira das estrelas porque houve um processo de 13 bilhões de anos".

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. A alternativa confunde adição com conclusão. Adição seria "além disso", "e", "também" — conectivos que apenas acrescentam uma informação sem relação de causa. No trecho, o segundo parágrafo não é uma mera adição; ele é a consequência lógica do primeiro. O conectivo "Por isso" estabelece uma relação de causa-consequência, não de simples soma de ideias.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa correta. O conectivo "Por isso" introduz uma conclusão a partir da causa apresentada no primeiro parágrafo. O processo de 13 bilhões de anos (causa) leva à conclusão de que somos feitos de "poeira das estrelas" (consequência). A relação é de conclusão, pois o segundo parágrafo deduz uma afirmação a partir do que foi dito antes.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. A alternativa confunde contraste com conclusão. Contraste seria "mas", "porém", "entretanto" — conectivos que opõem ideias. No trecho, não há oposição entre os parágrafos; há uma relação de causa-consequência. O segundo parágrafo não contradiz o primeiro, mas o complementa logicamente.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. A alternativa confunde explicação com conclusão. Explicação seria "ou seja", "isto é", "porque" — conectivos que esclarecem ou justificam uma ideia. No trecho, o segundo parágrafo não explica o primeiro; ele conclui a partir dele. A explicação seria: "O processo de 13 bilhões de anos porque...". Aqui, o conectivo "Por isso" deduz uma consequência, não explica uma causa.

NÃO CAIA NESSA!

A banca oferece relações de sentido que parecem plausíveis (causa, explicação) mas que invertem a direção lógica do conectivo. "Por isso" é um conectivo conclusivo, não causal nem explicativo. A causa está no primeiro parágrafo; a conclusão, no segundo.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar a relação de sentido, troque o conectivo por outro da mesma família. Se "por isso" pode ser substituído por "portanto" ou "logo" sem alterar o sentido, a relação é de conclusão. Se fosse causa, caberia "porque"; se fosse explicação, caberia "ou seja".

Conclusão: a relação entre os parágrafos é de conclusão, pois o segundo parágrafo apresenta a consequência lógica do processo descrito no primeiro. O conectivo "Por isso" é a pista decisiva: ele conclui a partir da causa. Gabarito: letra C.

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