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Questão de Português — Partícula "Se" — Avança SP 2023

PortuguêsPartícula "Se"
Código
qa506140
Banca
Avança SP
Órgão
Pref Araçariguama
Ano
2023
Cargo
FOb (Araçariguama)

PRECISA-SE

 

Sendo este um jornal por excelência, e por excelência dos precisa-se e oferece-se, vou pôr um anúncio em negrito: precisa-se de alguém homem ou mulher que ajude uma pessoa a ficar contente porque esta está tão contente que não pode ficar sozinha com a alegria, e precisa reparti-la. Paga-se extraordinariamente bem: minuto por minuto paga-se com a própria alegria. É urgente pois a alegria dessa pessoa é fugaz como estrelas cadentes, que até parece que só se as viu depois que tombaram; precisa-se urgente antes da noite cair porque a noite é muito perigosa e nenhuma ajuda é possível e fica tarde demais. Essa pessoa que atenda ao anúncio só tem folga depois que passa o horror do domingo que fere. Não faz mal que venha uma pessoa triste porque a alegria que se dá é tão grande que se tem que a repartir antes que se transforme em drama. Implora-se também que venha, implorase com a humildade da alegria-sem-motivo. Em troca oferece-se também uma casa com todas as luzes acesas como numa festa de bailarinos. Dá- se o direito de dispor da copa e da cozinha, e da sala de estar. P.S. Não se precisa de prática. E se pede desculpa por estar num anúncio a dilacerar os outros. Mas juro que há em meu rosto sério uma alegria até mesmo divina para dar.

 

Clarice Lispector

O uso da partícula "se" nos verbos "precisa-se", "implora-se" e "paga-se" indica:
  1. Asujeito determinado simples.
  2. Bsujeito determinado composto.
  3. Csujeito indeterminado.
  4. Dsujeito inexistente.
  5. Esujeito oculto.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — sujeito indeterminado.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Partícula "se" e a Indeterminação do Sujeito

Gabarito: letra C. Nos verbos "precisa-se", "implora-se" e "paga-se", a partícula "se" é índice de indeterminação do sujeito, pois esses verbos são transitivos indiretos (ou intransitivos) e não possuem objeto direto — logo, não há termo que possa funcionar como sujeito paciente. A indeterminação é confirmada pela impossibilidade de identificar quem pratica a ação, como se vê no texto: "precisa-se de alguém homem ou mulher" — quem precisa? Não se sabe; apenas se sabe que se precisa de alguém.

O Comando

A questão pede que você identifique a função sintática da partícula "se" nos verbos destacados. Isso é uma questão de gramática aplicada ao texto: não basta saber a teoria, é preciso analisar cada verbo no contexto em que aparece. O comando "indica" aponta para a classificação correta do sujeito dessas orações.

O Texto

O texto de Clarice Lispector é um anúncio fictício, mas a análise sintática independe do gênero. Os verbos "precisa-se", "implora-se" e "paga-se" aparecem em orações sem sujeito explícito e sem objeto direto. Veja:

"precisa-se de alguém homem ou mulher que ajude uma pessoa a ficar contente"

Aqui, "de alguém" é objeto indireto (quem precisa, precisa de algo). Não há um termo que pratique a ação de precisar; a ação é atribuída a um sujeito indeterminado. O mesmo ocorre com "implora-se" (quem implora, implora por algo) e "paga-se" (quem paga, paga com algo — no texto, "paga-se com a própria alegria").

A Técnica que Decide

A regra é clara: a partícula "se" será índice de indeterminação do sujeito (IIS) quando o verbo for transitivo indireto, intransitivo ou de ligação, e não houver objeto direto. Já a partícula apassivadora (PA) ocorre com verbo transitivo direto (ou transitivo direto e indireto), e o verbo concorda com o sujeito paciente.

No texto, os três verbos são transitivos indiretos:

  • "precisa-se de alguém" → VTI

  • "implora-se" → VTI (implorar por algo)

  • "paga-se com a própria alegria" → VTI (pagar com algo)

Como não há objeto direto, não pode haver voz passiva sintética. Portanto, o "se" é IIS, e o sujeito é indeterminado.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar IIS de PA, pergunte: o verbo pede objeto direto? Se sim, é PA (ex.: "vendem-se casas" → casas são vendidas). Se pede preposição, é IIS (ex.: "precisa-se de casas").

Análise das Alternativas

Partícula "se"
  • 1Índice de indeterminação (IIS)
    • Verbo transitivo indireto
    • Verbo intransitivo
    • Verbo de ligação
    • Sem objeto direto
    • Ex.: precisa-se de alguém
  • 2Partícula apassivadora (PA)
    • Verbo transitivo direto
    • Com objeto direto
    • Concorda com sujeito paciente
    • Ex.: vendem-se casas
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Sujeito determinado simples seria aquele que pode ser identificado, como "Maria precisa de ajuda". No texto, não há um termo que exerça essa função; o "se" indetermina o sujeito. A alternativa extrapola ao atribuir um sujeito que não existe na oração.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Sujeito determinado composto ocorre quando há dois ou mais núcleos, como "João e Maria precisam". No texto, não há núcleo algum; o sujeito é indeterminado. A alternativa contradiz a estrutura das orações, que não apresentam sujeito explícito.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Sujeito indeterminado é exatamente o que ocorre. O "se" funciona como índice de indeterminação, e o verbo fica na 3ª pessoa do singular. No texto, "precisa-se", "implora-se" e "paga-se" não permitem identificar quem pratica a ação — apenas se sabe que alguém precisa, implora e paga. A indeterminação é reforçada pelo contexto: o anúncio busca "alguém" genérico.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Sujeito inexistente ocorre com verbos impessoais (haver, fazer, ser quando indica tempo, etc.), como "Há pessoas na sala". No texto, os verbos não são impessoais; eles têm sujeito, ainda que indeterminado. A alternativa confunde sujeito indeterminado com oração sem sujeito.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Sujeito oculto (ou elíptico) é aquele que, embora não expresso, pode ser identificado pela desinência verbal ou pelo contexto, como "Precisamos de ajuda" (nós). No texto, o verbo está na 3ª pessoa do singular com "se", e não há como recuperar um sujeito específico. A alternativa tangencia o conceito, pois o sujeito oculto exige identificação, o que não ocorre aqui.

Conclusão

A questão testa a distinção entre sujeito indeterminado e sujeito oculto/inexistente. A chave é a transitividade: verbos transitivos indiretos com "se" indicam indeterminação. Lembre-se: se o verbo pede preposição, o "se" é IIS; se pede objeto direto, é PA.

Gabarito: letra C.

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