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Questão de Português — Elementos da Comunicação e Funções da Linguagem — FURB 2023

PortuguêsElementos da Comunicação e Funções da Linguagem
Código
qa506184
Banca
FURB
Órgão
Pref Blumenau
Ano
2023
Cargo
ACS ( )

Uso excessivo de telas na infância pode causar atraso de fala

 

Atualmente, muitas crianças passam grande parte do tempo livre se expondo a telas como forma de diversão. No entanto, o uso excessivo de aparelhos eletrônicos pode causar diversos prejuízos para o desenvolvimento delas.

 

No caso das crianças com idade abaixo de 2 anos, o ideal é não utilizar telas. Segundo a professora do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFMG, Lígia Pertence, essa recomendação é da Sociedade Brasileira de Pediatria e se deve ao fato de os eletrônicos nessa idade provocarem diversos prejuízos na aquisição de habilidades motoras e cognitivas.

 

"Nós vemos, nitidamente, um atraso de fala, por exemplo, nas crianças que usam telas em uma faixa etária jovem. Isso é importante, porque as pessoas acham que a criança adquire a fala escutando músicas ou outras coisas. E não é assim. A fala é uma interação [...] A gente adquire a fala interagindo", explica a especialista, que foi a convidada do Saúde com Ciência desta semana.

 

Além do prejuízo cognitivo, as habilidades motoras, como correr, pular e até mesmo empilhar ou montar objetos, também ficam afetadas com o uso excessivo de telas. Segundo Lígia Pertence, esse desenvolvimento acontece com a repetição.

 

Já nas faixas etárias maiores, a criança precisa se movimentar. Ficar muito tempo em frente aos eletrônicos causa mais sedentarismo para esse grupo. "A atividade física é muito importante para o desenvolvimento e para a prevenção de distúrbios metabólicos, como obesidade, hipertensão e diabetes. Hoje em dia, a gente já tem visto uma frequência bem alta desses distúrbios nas crianças. Além disso, a atividade estimula fatores de crescimento", afirma a professora.

 

Como aproveitar o tempo livre aos finais de semana sem as telas?

 

As famílias podem propor atividades e passeios para divertir as crianças longe das telas. Tanto para aquelas que forem viajar, quanto as que forem ficar na própria cidade, o recomendado é interagir com a criança e, se puder, explorar e conhecer novos lugares. Entre eles, museus, praças, clubes e até campos de futebol ou quadras próximas podem ser ótimas opções. O importante é estar junto com elas, como afirma a professora Lígia Pertence.

 

"Tem muita gente que acha que as coisas têm que ser muito arquitetadas, ter uma super brincadeira ou algo especial. E as crianças não são assim. Podem brincar de brincadeiras culturais, como pega-pega, brincadeiras de quando a gente era criança e que não vão precisar de grandes estruturas. Vão deixar as crianças tão felizes quanto outras brincadeiras. O importante para elas é o contato, a interação", completa.

 

Até mesmo em casa, jogos de tabuleiro ou de cartas também são ótimas dicas para entreter as crianças e divertir em família.

 

Tempo de tela recomendado pela Sociedade Brasileira de Pediatria:

 

- Menores de 2 anos de idade: evitar exposição a telas;

- De 2 a 5 anos de idade: até uma hora por dia;

- De 6 a 10 anos de idade: de uma a duas horas por dia;

- De 11 a 18 anos de idade: de duas a três horas por dia.

 

Retirado e adaptado de: FACULDADE DE MEDICINA DA UFMG. Uso excessivo de telas na infância pode causar atraso de fala. Saúde com Ciência. Disponível em: caausaar-aaso-de-aaa/ ufmg.br/uso-excessivo-de-telas-na-infancia-pode-causar-atraso-de-fala/ Acesso em: 13 ago., 2023.

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

 

A respeito do gênero e da função da linguagem predominante em "Uso excessivo de telas na infância pode causar atraso de fala", analise as proposições a seguir e a relação proposta entre elas:

 

I. O texto pertence ao gênero artigo científico, no qual consta o posicionamento de uma professora da faculdade de Medicina da UFMG.

 

PORQUE

 

II. A função da linguagem predominante no texto é a expressiva, que tem como objetivo transmitir subjetividades, como a opinião da professora entrevistada.

 

A respeito dessas asserções, assinale a opção correta:

  1. AA asserção I é uma proposição falsa e a II é uma proposição verdadeira.
  2. BA asserção I é uma proposição verdadeira e a II é uma proposição falsa.
  3. CAs asserções I e II são proposições verdadeiras e a II é uma justificativa correta da I.
  4. DAs asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa correta da I.
  5. EAs asserções I e II são proposições falsas.
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GabaritoE — As asserções I e II são proposições falsas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Gênero Textual e Função da Linguagem: Notícia de Divulgação Científica

Gabarito: letra E. As asserções I e II são falsas: o texto não é um artigo científico, mas uma notícia/reportagem de divulgação científica (gênero jornalístico expositivo-informativo), e a função da linguagem predominante não é a expressiva, mas a referencial, centrada na transmissão objetiva de informações sobre o uso de telas na infância. A passagem que ancora o veredito é a própria estrutura do texto, que apresenta dados, cita especialistas e recomendações de uma entidade (Sociedade Brasileira de Pediatria), sem subjetividade do autor.

O Comando: Análise de Asserções (Gênero + Função)

A questão pede que você julgue duas asserções (I e II) e a relação entre elas. O comando "analise as proposições a seguir e a relação proposta entre elas" exige que você verifique:

  1. Se a asserção I é verdadeira ou falsa (sobre o gênero textual);

  2. Se a asserção II é verdadeira ou falsa (sobre a função da linguagem);

  3. Se a II justifica corretamente a I (relação de causa e consequência).

Aqui, o foco é conceitual: você precisa saber identificar o gênero de um texto jornalístico e a função da linguagem predominante. Não é uma questão de inferência, mas de aplicação de conceitos a um texto concreto.

O Texto: Notícia de Divulgação Científica, não Artigo Científico

O texto "Uso excessivo de telas na infância pode causar atraso de fala" é uma notícia/reportagem de divulgação científica. Veja as marcas textuais que comprovam isso:

  • Título jornalístico: "Uso excessivo de telas na infância pode causar atraso de fala" — manchete típica de reportagem, não de artigo científico.

  • Citação de fonte especializada: "Segundo a professora do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFMG, Lígia Pertence" — a notícia recorre a uma autoridade para dar credibilidade à informação, mas não é a autora do texto.

  • Estrutura expositiva: apresenta dados, recomendações e orientações práticas ("Tempo de tela recomendado pela Sociedade Brasileira de Pediatria"), com linguagem acessível ao público leigo.

  • Indicação de origem: "Retirado e adaptado de: FACULDADE DE MEDICINA DA UFMG. Saúde com Ciência" — evidencia o caráter jornalístico/divulgativo.

Um artigo científico teria estrutura formal (resumo, introdução, metodologia, resultados, conclusão), linguagem técnica especializada e seria escrito pelos próprios pesquisadores. Nada disso está presente aqui.

A Função da Linguagem: Referencial, não Expressiva

A função referencial (ou denotativa) é centrada no referente (o assunto, o contexto). O texto busca informar objetivamente sobre os prejuízos do uso excessivo de telas na infância, apresentando dados, citações e recomendações. As marcas dessa função são:

  • Impessoalidade: o autor não expressa suas emoções ou opiniões pessoais; apenas transmite informações.

  • Foco no conteúdo: o texto está centrado no tema (uso de telas), não no emissor.

  • Linguagem denotativa: as palavras são usadas em seu sentido literal, sem subjetividade.

A função expressiva (ou emotiva) é centrada no emissor (o "eu" do texto), com foco em suas emoções, opiniões e subjetividade. Marcas dessa função seriam: verbos e pronomes em 1ª pessoa, frases exclamativas, interjeições, adjetivos carregados de juízo de valor. Nada disso predomina no texto em questão.

Embora o texto cite a opinião da professora Lígia Pertence, isso não torna a função expressiva predominante. A opinião da especialista é usada como argumento de autoridade para sustentar a informação objetiva, não como expressão da subjetividade do autor do texto. O foco permanece no conteúdo informativo.

Análise das Asserções

Asserção I — ❌ Incorreta

A asserção I afirma que "O texto pertence ao gênero artigo científico, no qual consta o posicionamento de uma professora da faculdade de Medicina da UFMG".

Erro: O texto não é um artigo científico. É uma notícia/reportagem de divulgação científica, como comprova a estrutura jornalística (título-manchete, citação de fonte, linguagem acessível) e a indicação de origem ("Retirado e adaptado de: FACULDADE DE MEDICINA DA UFMG. Saúde com Ciência"). Além disso, o texto não apresenta o posicionamento da professora como autora, mas sim a cita como fonte especializada: "Segundo a professora do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFMG, Lígia Pertence". A professora é entrevistada, não a autora do texto. A asserção I é falsa.

Asserção II — ❌ Incorreta

A asserção II afirma que "A função da linguagem predominante no texto é a expressiva, que tem como objetivo transmitir subjetividades, como a opinião da professora entrevistada".

Erro: A função predominante não é a expressiva, mas a referencial. O texto está centrado no referente (o assunto: uso de telas na infância), com foco na transmissão objetiva de informações. A opinião da professora é citada como argumento de autoridade para dar credibilidade à informação, não como expressão da subjetividade do autor. A função expressiva seria predominante se o texto fosse centrado no emissor, com marcas de 1ª pessoa e subjetividade explícita — o que não ocorre. A asserção II é falsa.

Conclusão

Como a banca pediu a análise das asserções e da relação entre elas, e ambas são falsas, a alternativa correta é a letra E: "As asserções I e II são proposições falsas".

Gênero textual
  • 1Artigo científico
    • Estrutura formal (resumo, metodologia)
    • Escrito pelos pesquisadores
  • 2Notícia de divulgação científica
    • Título jornalístico
    • Cita especialista como fonte
    • Linguagem acessível
  • 3Função da linguagem
    • Expressiva
      • Centrada no emissor
      • 1ª pessoa, subjetividade
    • Referencial
      • Centrada no referente
      • Impessoal, informativa
      • Argumento de autoridade
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NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta confundir o candidato ao associar a citação da professora à função expressiva. Lembre-se: citar uma opinião de terceiros como fonte de autoridade é característica da função referencial, que busca informar objetivamente. A função expressiva exige que o próprio autor do texto expresse suas emoções e subjetividade.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar a função da linguagem, pergunte: "O que está em destaque?" Se o foco é o assunto (referente), é função referencial. Se o foco é o emissor (eu), é função expressiva. Se o foco é o receptor (você), é função apelativa. Se o foco é a mensagem (forma), é função poética. Se o foco é o canal, é função fática. Se o foco é o código, é função metalinguística.

Gabarito: letra E

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