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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — INSTITUTO AOCP 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa506333
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
PCie PR
Ano
2023
Cargo
AAPO ( )

QUANDO OS MORTOS FALAM: A HISTÓRIA DA AUTÓPSIA

 

A indagação da causa da morte sempre esteve presente em nossos pensamentos, seja você médico ou não. A palavra autópsia significa “ver por si próprio” e vem do grego clássico αυτοψία, sendo composta por αυτος (autós, “si mesmo”) e ὄψις (ópsis, “visão”). Outro termo grego equivalente e de uso mais recente é νεκροψία (necropsía), composto de νεκρός (nekrós, “morto”) e ὄψις (ópsis, “visão”), isto é, a dissecação do cadáver para determinar, por meio da observação, a causa de morte ou a natureza da doença.

 

As origens da autópsia (ou necrópsia) se confundem com a da própria medicina. Seus primeiros registros na antiguidade são das dissecações com Herófilo e Erasístrato, no século II a.C. Considerado uma das principais figuras da medicina, o grego Galeno de Pérgamo (129-201) já recorria a esse recurso, realizando dissecações em animais como porcos, macacos, cavalos e cães, apontando as semelhanças anatômicas entre os órgãos que cumpriam a mesma função em espécies diferentes.

 

No Século IX, o estudo do corpo humano após a morte voltou a crescer, principalmente graças à escola de medicina de Salerno, na Itália, e à obra de Constantino, que traduziu do árabe para o latim numerosos textos médicos gregos. Logo depois, Guglielmo de Saliceto, Rolando de Parma e outros médicos medievais enfatizaram a afirmação de Galeno, segundo a qual o conhecimento anatômico era importante para o exercício da cirurgia.

 

Passando pelo período do Renascimento, a anatomia humana teve uma grande contribuição com artistas que buscavam nesta ciência as bases para retratarem de maneira mais precisa a figura humana. O mais famoso deles, Leonardo da Vinci, dissecou mais de trinta corpos de homens e mulheres de todas as idades. Dentre seus diversos trabalhos, ele ainda é reconhecido por seus esboços e obras baseados na arte da dissecação.

 

Então chegamos ao momento na história em que a Patologia passa a despontar como especialidade em si, separada do restante da medicina. A principal figura dessa guinada é Antonio Benivieni (1443-1502), médico florentino que foi o primeiro a colher sistematicamente dados de autópsias realizadas em seus pacientes. Em seguida, em 1543, o médico Andreas Vesalius lançaria o primeiro livro de anatomia humana: “De Humani Corporis Fabrica”. Resultado de seus trabalhos como professor da Universidade de Pádua, onde realizou dissecações de cadáveres, a obra instituiu categoricamente o método correto de dissecação anatômica. Entre todos os nomes, porém, um dos que mais se destaca é o de Rudolf Ludwig Karl Virchow (1804-1878). Considerado a maior figura na história da Patologia, ele foi um dos primeiros a utilizar o microscópio, um dos principais avanços da óptica em seu tempo, para analisar tecidos.

 

Durante todo esse processo histórico, sistematizações e padronizações foram constantes e necessárias para tornar possível a evolução dos procedimentos da autópsia. De um princípio baseado na dissecação de órgãos, essa ciência passou para um método avançado de estudo que investiga a causa da morte de um paciente, permitindo desenvolver o conhecimento geral sobre a doença que o acometeu.

 

Adaptado de: https://www.sbp.org.br/quando-os-mortos-falam-ahistoria-da-autopsia/. Acesso em: 15 mar. 2023.

A partir da leitura do texto, é correto afirmar que
  1. Ao termo "necropsia" é mais antigo que o termo "autópsia".
  2. Bos artistas renascentistas estudavam a anatomia humana com o propósito de realizar cirurgias de modo mais eficaz.
  3. Cdesde seu surgimento até o momento atual, a autópsia manteve o mesmo objetivo: investigar a causa da morte das pessoas.
  4. Do primeiro livro de anatomia humana foi lançado pelo médico Andreas Vesalius no século XVI.
  5. ERudolf Ludwig Karl Virchow é considerado o maior nome na história da Patologia porque institui categoricamente o método correto de dissecação anatômica.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — o primeiro livro de anatomia humana foi lançado pelo médico Andreas Vesalius no século XVI.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Compreensão de texto: localizando a informação explícita

Gabarito: letra D. A alternativa D é a única inteiramente sustentada pelo texto: o 5º parágrafo afirma que "em 1543, o médico Andreas Vesalius lançaria o primeiro livro de anatomia humana: 'De Humani Corporis Fabrica'". O século XVI corresponde exatamente ao ano de 1543, e o texto atribui a Vesalius o lançamento do primeiro livro de anatomia humana. As demais alternativas ou extrapolam, ou trocam referentes, ou contradizem o que está escrito.

O comando pede "a partir da leitura do texto, é correto afirmar que" — ou seja, trata-se de compreensão (recorrência): a resposta deve estar explícita no texto, sem inferências ou acréscimos. A técnica é localizar a passagem que corresponde a cada alternativa e verificar se ela diz exatamente o que a alternativa afirma. Palavras como "mesmo objetivo", "porque" e "mais antigo" são pistas de possíveis distorções.

O texto é uma exposição histórica sobre a autópsia: apresenta a etimologia, as origens na antiguidade, o desenvolvimento na Idade Média e no Renascimento, e a consolidação da Patologia como especialidade. O movimento argumentativo é cronológico, e cada parágrafo traz informações factuais específicas. A resposta mora no 5º parágrafo, que trata de Vesalius e Virchow.

A armadilha central desta questão é a troca de referente: a banca pega uma informação verdadeira do texto e a atribui à pessoa errada. Na alternativa E, por exemplo, o texto diz que Virchow é "considerado a maior figura na história da Patologia", mas quem "instituiu categoricamente o método correto de dissecação anatômica" foi Vesalius, não Virchow. A alternativa C, por sua vez, generaliza ao afirmar que a autópsia "manteve o mesmo objetivo" desde o surgimento, quando o texto mostra uma evolução: "De um princípio baseado na dissecação de órgãos, essa ciência passou para um método avançado de estudo que investiga a causa da morte".

PEGA ESSA DICA!

Ao ler cada alternativa, pergunte: "o texto autoriza isto?" — se a alternativa exige acrescentar algo que não está escrito, ela está errada. Grife os nomes próprios e as datas: eles são os alvos favoritos de troca.

Alternativa A — ❌ Incorreta

O texto não compara a antiguidade dos termos. No 1º parágrafo, diz apenas que "necropsia" é "outro termo grego equivalente e de uso mais recente" — ou seja, o texto afirma que necropsia é mais recente, não mais antigo. A alternativa inverte a informação: diz que "necropsia" é mais antigo, quando o texto diz o contrário. Erro: contradiz o texto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O texto diz que os artistas renascentistas buscavam na anatomia "as bases para retratarem de maneira mais precisa a figura humana" — finalidade artística, não cirúrgica. A alternativa extrapola ao atribuir a eles o propósito de "realizar cirurgias de modo mais eficaz", que não aparece em nenhum trecho. Erro: extrapolação.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O texto mostra uma evolução do procedimento: "De um princípio baseado na dissecação de órgãos, essa ciência passou para um método avançado de estudo que investiga a causa da morte". A alternativa generaliza ao afirmar que "desde seu surgimento até o momento atual, a autópsia manteve o mesmo objetivo", ignorando a mudança descrita. Erro: generalização indevida.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O 5º parágrafo afirma: "em 1543, o médico Andreas Vesalius lançaria o primeiro livro de anatomia humana: 'De Humani Corporis Fabrica'". O ano 1543 pertence ao século XVI, e o texto atribui a Vesalius o lançamento do primeiro livro de anatomia humana. A alternativa é uma paráfrase fiel dessa passagem.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O texto diz que Virchow é "considerado a maior figura na história da Patologia" e que "foi um dos primeiros a utilizar o microscópio". Quem "instituiu categoricamente o método correto de dissecação anatômica" foi Vesalius, não Virchow. A alternativa troca o referente: atribui a Virchow um feito que o texto atribui a Vesalius. Erro: troca de referente.

Conclusão: a questão cobra compreensão — a resposta está literal no texto. A alternativa D é a única que reproduz exatamente o que o 5º parágrafo afirma, sem acrescentar, inverter ou generalizar. As demais caem em armadilhas clássicas: contradizer o texto (A), extrapolar (B), generalizar (C) e trocar referentes (E).

Gabarito: letra D

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