Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — Instituto Consulplan 2023
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa506947
Banca
Instituto Consulplan
Órgão
Pref Nova Friburgo
Ano
2023
Cargo
Ag ( )
Apelo
Amanhã faz um mês que a Senhora está longe de casa. Primeiros dias, para dizer a verdade, não senti falta, bom chegar tarde, esquecido na conversa de esquina. Não foi ausência por uma semana: o batom ainda no lenço, o prato na mesa por engano, a imagem de relance no espelho.
Com os dias, Senhora, o leite primeira vez coalhou. A notícia de sua perda veio aos poucos: a pilha de jornais ali no chão, ninguém os guardou debaixo da escada. Toda a casa era um corredor deserto, e até o canário ficou mudo. Para não dar parte de fraco, ah, Senhora, fui beber com os amigos. Uma hora da noite e eles se iam e eu ficava só, sem o perdão de sua presença a todas as aflições do dia, como a última luz na varanda.
E comecei a sentir falta das pequenas brigas por causa do tempero na salada − o meu jeito de querer bem. Acaso é saudade, Senhora? Às suas violetas, na janela, não lhes poupei água e elas murcham. Não tenho botão na camisa, calço a meia furada. Que fim levou o saca-rolhas?
Nenhum de nós sabe, sem a Senhora, conversar com os outros: bocas raivosas mastigando.
Venha para casa, Senhora, por favor.
(TREVISAN, Dalton. Mistérios de Curitiba. 5ª ed. Rio de Janeiro: Record, 1996.)
O título é uma síntese precisa do texto, cuja função é estratégica na sua articulação: ele nomeia o texto após sua produção, sugere o sentido do mesmo, desperta o interesse do leitor para o tema, estabelece vínculos com informações textuais e extratextuais e, ainda, contribui para a orientação da conclusão à que o leitor deverá chegar. O fragmento a seguir fundamenta o título dado ao texto:
A“Venha para casa, Senhora, por favor.”
B“Amanhã faz um mês que a Senhora está longe de casa.”
C“Toda a casa era um corredor deserto, e até o canário ficou mudo.”
D“Às suas violetas, na janela, não lhes poupei água e elas murcham.”
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GabaritoA — “Venha para casa, Senhora, por favor.”
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
O título "Apelo" e o fragmento que o fundamenta
Gabarito: letra A. O fragmento que sintetiza e fundamenta o título "Apelo" é "Venha para casa, Senhora, por favor.", pois é a única passagem que expressa diretamente o pedido, o apelo — a essência do título. O texto inteiro descreve a ausência e a saudade, mas é na frase final, em modo imperativo ("Venha"), que o eu lírico solicita algo à Senhora, materializando o sentido do título. Como se lê no último parágrafo do texto:
"Venha para casa, Senhora, por favor."
O título "Apelo" nomeia o texto e antecipa sua intenção principal: um pedido, uma súplica. A alternativa A é a única que contém esse ato de fala — o pedido explícito —, enquanto as demais descrevem a situação de ausência ou suas consequências, sem conter o apelo em si.
O comando da questão
O enunciado pede que se identifique o fragmento que fundamenta o título — ou seja, qual trecho do texto sintetiza e justifica a escolha do título "Apelo". Isso é uma questão de compreensão (informação explícita), não de inferência: basta localizar a passagem que expressa o pedido. O título é uma síntese do texto; o fragmento que o fundamenta deve conter a essência do que o título nomeia.
O texto e o movimento argumentativo
O texto de Dalton Trevisan é um apelo — uma súplica para que a Senhora (a esposa, a mãe, a companheira) volte para casa. O eu lírico descreve, ao longo dos parágrafos, os efeitos da ausência: o leite coalhou, o canário ficou mudo, as violetas murcham, ele sente falta das pequenas brigas. Toda essa descrição acumula argumentos para justificar o pedido final. O clímax do texto — e sua conclusão — é a frase imperativa:
"Venha para casa, Senhora, por favor."
É nesse momento que o texto realiza o apelo. Tudo o que veio antes (a saudade, o abandono, a solidão) serve de justificativa para esse pedido. O título "Apelo" é, portanto, uma síntese precisa dessa frase final — e é ela que o fundamenta.
A técnica que decide
A questão testa a capacidade de relacionar o título ao conteúdo do texto. O título é uma síntese — ele resume a intenção central. Para encontrar o fragmento que o fundamenta, é preciso identificar qual trecho expressa diretamente essa intenção. As alternativas B, C e D descrevem sintomas da ausência (o tempo, o abandono da casa, as violetas murchas), mas não contêm o pedido — o apelo em si. A alternativa A é a única que realiza o ato de pedir, com o verbo no imperativo ("Venha") e o tom de súplica ("por favor").
NÃO CAIA NESSA!
A banca oferece fragmentos que descrevem a situação de ausência (B, C, D) para confundir o candidato, que pode achar que qualquer trecho sobre a falta da Senhora fundamenta o título. Mas o título "Apelo" exige um pedido — e só a alternativa A contém um.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Venha para casa, Senhora, por favor."
Esta é a única passagem que expressa diretamente o apelo — o pedido para que a Senhora volte. O verbo "Venha" está no imperativo, modo verbal que expressa ordem, pedido ou súplica. O advérbio "por favor" reforça o tom de apelo. É exatamente isso que o título nomeia: um pedido, uma súplica. O fragmento sintetiza o texto, pois condensa em uma frase a intenção de todo o discurso.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"Amanhã faz um mês que a Senhora está longe de casa."
Este fragmento contextualiza a ausência — informa o tempo (um mês) — mas não contém nenhum pedido. Descreve a situação inicial, sem expressar o apelo. O erro é de tangenciamento: fala do tema (a ausência), mas não do que o título nomeia (o pedido).
Alternativa C — ❌ Incorreta
"Toda a casa era um corredor deserto, e até o canário ficou mudo."
Este fragmento descreve uma consequência da ausência — a casa deserta, o canário mudo. É uma imagem da solidão, mas não há pedido algum. O erro é de tangenciamento: ilustra o efeito da falta, não o apelo em si.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"Às suas violetas, na janela, não lhes poupei água e elas murcham."
Este fragmento descreve outro sintoma da ausência — as violetas murcham apesar dos cuidados. É mais uma evidência do abandono, mas não expressa o pedido. O erro é de tangenciamento: mostra a decadência da casa, não o apelo.
PEGA ESSA DICA!
Ao relacionar título e texto, pergunte: "o que o título nomeia?" — se nomeia um pedido, procure o fragmento com verbo no imperativo ou tom de súplica. Descrições de cenário, por mais ligadas ao tema, não fundamentam um título que expressa uma ação.
Gabarito: letra A — o fragmento que fundamenta o título "Apelo" é "Venha para casa, Senhora, por favor.", a única passagem que contém o pedido explícito, em modo imperativo, sintetizando a intenção de todo o texto.