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Questão de Português — Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc) — FUNDATEC 2023

PortuguêsCoerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Código
qa507084
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Sapucaia do Sul
Ano
2023
Cargo
ATrib ( )

Nem bons e nem maus

 

Por Gilmar Marcílio

 

Confesse: você se considera totalmente do bem. Todos pensam assim a respeito de si próprios. Talvez até quem está na cadeia pagando por um crime  hediondo. É difícil estabelecer um juízo crítico quando nos falta distanciamento. Resistamos a essa tendência, sem dúvida imatura. A verdade é que somos uma mescla, um pêndulo inclinando-se ora para um lado, ora para o outro. Ao dizer isso, evito fazer um julgamento de valor afirmando sermos seres potencialmente ruins. As circunstâncias moldam e revelam com clareza os comportamentos. A raiva, constantemente, faz vir à tona sentimentos que julgávamos não fazer parte da nossa natureza. Muitos nem se confrontam com situações de excessiva violência para reagir com destempero. Ninguém sabe como vai se portar, senão diante de circunstâncias concretas. Sem contar o fatoE) de mudarmos tanto com o passar dos anos, a ponto de percebermos que a agressividadeD) foi abafada pela necessidadeA) de agir segundo os códigosB) de civilidadeC). Mas ela está aí.

 

Vamos lembrar um exemplo banal. Você está no trânsito e um motorista invade a frente do seu carro. Toca a buzina e ele responde com um gesto obsceno à sua tentativa de lhe mostrar o quão equivocado estava. É vital ter um bom equilíbrio emocional para ignorar isso e ir em frente, plácido e sereno. Mas há uma maneira eficaz de se proteger desse veneno. Basta entender que nada disso foi feito contra a sua pessoa. Provavelmente o tresloucado cometerá mais uma infração logo adiante. Tento pôr em prática essa lição. Acesso meu modo zen de ser e, no máximo, partilho minha indignação ao chegar em casa. Acredite, é péssimo despender energia em algo que daí a cinco minutos será aconselhável esquecer. Aliás, é extremamente indicado não se contaminar por essas miudezas. A vida é maior, muitas vezes descobrimos tardiamente.

 

Guardamos a sensação de estar indo em sentido contrário aos princípios que nos regem. Distinguimos o caminho correto a ser seguido, mas na hora “h” parece que estamos sendo empurrados na direção oposta. Admitamos: anjos e demônios povoam o espaço interior de cada um. Essa história de terceirizar a responsabilidade, achando que só os demais são maus, deveria ser desconsiderada ainda na adolescência. Mas para os padrões atuais, ela se estende excessivamente e daí... O segredo para uma boa conduta é deixar de lado a condescendência e assumir: precisamos trabalhar incessantemente para nos tornarmos melhores.

 

Nada provoca tão forte alegria em mim do que vencer alguma má tendência. Um hábito deplorável, pequenos e persistentes vícios, certa resistência em abandonar algumas prisões mentais, roubando a autonomia para agir. O processo de libertação pode ser longo, mas é bastante prazeroso quando chega ao final. Coloque uma lupa sobre o real e, com honestidade, admita: aqui acertei, ali errei. Este é o certificado de termos chegado à idade adulta.

 

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br – texto adaptado especialmente para esta prova).

Assinale a alternativa que indica o referente correto do pronome pessoal “ela” destacado no primeiro parágrafo.
  1. Anecessidade.
  2. Bcódigos.
  3. Ccivilidade.
  4. Dagressividade.
  5. Efato.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — agressividade.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Coesão referencial: o referente do pronome "ela" — Gabarito: letra D.

O pronome pessoal "ela", destacado no primeiro parágrafo, retoma "agressividade" — é o que se prova pela leitura do trecho: "a ponto de percebermos que a agressividade foi abafada pela necessidade de agir segundo os códigos de civilidade. Mas ela está aí." O pronome "ela" é um elemento anafórico (retoma algo já dito) e, no contexto, só pode se referir ao substantivo feminino singular "agressividade", que é o núcleo do sujeito da oração anterior. As demais alternativas apontam para termos que estão dentro da estrutura da oração, mas não são o antecedente lógico do pronome.

O comando da questão

O enunciado pede para indicar o referente correto do pronome pessoal "ela". Isso é uma questão de coesão referencial anafórica: o pronome retoma um termo mencionado anteriormente no texto. A tarefa não é interpretar o sentido global do texto, mas sim rastrear a cadeia de referência — identificar a qual palavra o pronome se liga. Para isso, é preciso voltar ao trecho e verificar qual substantivo feminino singular pode ser substituído por "ela" sem quebrar a lógica e a concordância.

O trecho decisivo

O trecho em que o pronome aparece é o seguinte:

"Sem contar o fato de mudarmos tanto com o passar dos anos, a ponto de percebermos que a agressividade foi abafada pela necessidade de agir segundo os códigos de civilidade. Mas ela está aí."

Aqui, a oração "que a agressividade foi abafada" tem como núcleo do sujeito o substantivo agressividade. O pronome "ela" aparece logo em seguida, na oração coordenada adversativa "Mas ela está aí", e só pode retomar esse núcleo. A concordância confirma: "ela" é feminino singular, assim como "agressividade". Os demais termos — "necessidade", "códigos", "civilidade" e "fato" — ou não são femininos singulares ("códigos" é masculino plural, "fato" é masculino singular) ou, embora femininos singulares ("necessidade", "civilidade"), não fazem parte da cadeia de referência imediata: o pronome está retomando o sujeito da oração anterior, não um adjunto ou complemento.

A técnica: rastrear a cadeia de referência

Em questões de coesão referencial, o método é sempre o mesmo: localize o pronome, volte no texto e identifique o termo que ele substitui. O pronome pessoal "ela" é um recurso anafórico — retoma algo já mencionado. Para descobrir o referente, pergunte: "quem está aí?" A resposta é "a agressividade está aí". Se você tentar substituir "ela" por qualquer outra alternativa, a frase perde o sentido: "a necessidade está aí"? Não. "A civilidade está aí"? Também não. Apenas "a agressividade está aí" mantém a lógica do texto, que afirma que a agressividade foi abafada, mas continua presente.

Análise das alternativas

Pronome "ela" (anáfora)
  • 1Referente: agressividade
    • Núcleo do sujeito da oração anterior
    • Concordância: feminino singular
    • Substituição mantém o sentido
  • 2Descartados por gênero/número
    • Códigos (masculino plural)
    • Fato (masculino singular)
  • 3Descartados por função sintática
    • Necessidade (complemento)
    • Civilidade (adjunto)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Necessidade é um substantivo feminino singular, mas não é o referente. No trecho, "necessidade" aparece como núcleo do complemento "pela necessidade de agir segundo os códigos de civilidade". O pronome "ela" não pode retomá-la, pois a oração "Mas ela está aí" não faria sentido com "a necessidade está aí" — o texto fala da agressividade que foi abafada, não da necessidade. A alternativa confunde o gênero gramatical com a função sintática: ambos são femininos, mas apenas "agressividade" é o sujeito da oração anterior.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Códigos é um substantivo masculino plural. O pronome "ela" é feminino singular, portanto não pode retomá-lo. A alternativa ignora a concordância de gênero e número, que é um dos critérios mais fortes para identificar o referente. Além disso, "códigos" está dentro do adjunto "segundo os códigos de civilidade", não é o núcleo do sujeito.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Civilidade é um substantivo feminino singular, mas não é o referente. Ela aparece como complemento do substantivo "códigos" ("códigos de civilidade"). O pronome "ela" não pode retomá-la, pois "a civilidade está aí" não é o que o texto afirma. A alternativa erra ao escolher um termo que está em um nível mais profundo da oração, em vez do núcleo do sujeito.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Agressividade é o referente correto. Como vimos, o trecho diz: "a ponto de percebermos que a agressividade foi abafada pela necessidade de agir segundo os códigos de civilidade. Mas ela está aí." O pronome "ela" retoma "agressividade", que é o núcleo do sujeito da oração anterior. A concordância (feminino singular) e a lógica do texto (a agressividade foi abafada, mas continua presente) confirmam a resposta.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Fato é um substantivo masculino singular. O pronome "ela" é feminino singular, portanto não pode retomá-lo. A alternativa ignora a concordância de gênero, além de "fato" estar em uma posição sintática diferente (objeto da preposição "de").

Conclusão

A questão testa a habilidade de identificar o referente de um pronome anafórico. A resposta é a letra D, pois "ela" retoma "agressividade", como se prova pela concordância e pela lógica do trecho. As demais alternativas ou têm gênero/número incompatíveis ou estão em posições sintáticas que não permitem a retomada.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de coesão referencial, sempre verifique a concordância de gênero e número entre o pronome e o possível referente. Isso elimina rapidamente alternativas como "códigos" e "fato". Depois, teste a substituição do pronome pelo termo candidato: se a frase fizer sentido, é o referente.

Gabarito: letra D

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