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Questão de Português — Partícula "Se" — Avança SP 2023

PortuguêsPartícula "Se"
Código
qa507253
Banca
Avança SP
Órgão
Pref Louveira
Ano
2023
Cargo
Prof ( )

A maçã

 

No outro dia eu estava traindo o meu médico com um apfelstrudel quando comecei a pensar seriamente na maçã. Na importância da maçã na história do mundo e nos seus significados para a humanidade, nunca muito bem explicados. Doispontos. A Bíblia não especifica qual era o fruto proibido que Adão e Eva comeram naquele dia fatídico em que, desobedecendo a Deus, perdemos o Paraíso e em troca ganhamos a mortalidade, o sexo e a indústria do vestuário. Pensando bem, a única fruta que era certo que havia no Paraíso era o figo, pois foi com folhas de figueira que cobriram a nossa protonudez. Só muito mais tarde convencionou-se que, para provocar tanto estrago de uma vez só, a fruta proibida do Paraíso tinha que ser uma maçã. Como a maçã não tem propriedades afrodisíacas nem, que se saiba, estimula a inteligência ou o desrespeito à autoridade, conclui-se que sua reputação se deve à sua aparência, ao seu rubor lustroso e à rigidez das suas formas, que de algum modo simbolizam rebeldia e luxúria. A maçã é um triunfo da sugestão sobre a verdade. Existem frutas muito mais lúbricas, como o próprio figo e a escandalosa romã, enquanto a maçã é recomendada para crianças e convalescentes (no erótico “Cãntico dos cãnticos” ela só entra como terapia: “Confortai-me com maçãs, pois desfaleço de amor”), e mesmo assim a sua fama de provocadora persiste. Também não se sabe ao certo que fruta caiu na cabeça de Newton para que ele descobrisse a gravidade, mas na história ficou que era uma maçã. A maçã parece que está sempre querendo nos dizer alguma coisa. E, no meu caso pessoal, continua induzindo à desobediência e ao pecado. A fruta não me seduz, mas não resisto a nenhum doce feito com maçã, que é a maçã com ainda mais culpa. Não tem sido fácil conciliar a necessidade da dieta e do combate ao colesterol com a minha busca do apfelstrudel perfeito. Mas todos temos uma missão a cumprir neste mundo.

 

VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio

século de crônicas, ou coisa parecida. São

Paulo: Objetiva, 2020.

Texto para responder à questão.     Considere o excerto: “Como a maçã não tem propriedades afrodisíacas nem, que se saiba, estimula a inteligência ou o desrespeito à autoridade, conclui-se que sua reputação se deve à sua aparência, ao seu rubor lustroso e à rigidez das suas formas, que de algum modo simbolizam rebeldia e luxöria.” As funções desempenhadas pela palavra ‘se’ nesse contexto, na ordem em que aparecem, são, respectivamente, de:
  1. Aindeterminação do sujeito, indeterminação do sujeito e partícula apassivadora.
  2. Bconjunção integrante, indeterminação do sujeito e partícula apassivadora.
  3. Cindeterminação do sujeito, partícula expletiva e partícula apassivadora.
  4. Dindeterminação do sujeito, indeterminação do sujeito e partícula expletiva.
  5. Econjunção integrante, partícula apassivadora e indeterminação do sujeito.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — indeterminação do sujeito, indeterminação do sujeito e partícula apassivadora.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Funções da Partícula "SE" no Excerto

Gabarito: letra A. No trecho, os três "se" desempenham, respectivamente, as funções de indeterminação do sujeito, indeterminação do sujeito e partícula apassivadora. O primeiro "se" ocorre em "Como a maçã não tem propriedades afrodisíacas" — verbo transitivo direto sem objeto expresso, o que caracteriza sujeito indeterminado. O segundo "se" aparece em "nem, que se saiba, estimula a inteligência" — verbo "saber" intransitivo, também indeterminando o sujeito. O terceiro "se" está em "conclui-se que sua reputação se deve à sua aparência" — verbo "concluir" transitivo direto, formando voz passiva sintética.

O Comando

A questão pede que você identifique a função sintática da partícula "se" em cada ocorrência, na ordem em que aparecem. Isso exige conhecimento de gramática normativa, especificamente das funções do pronome "se": índice de indeterminação do sujeito (IIS), partícula apassivadora (PA), conjunção integrante, partícula expletiva, entre outras. O comando é direto: classificar cada "se" e comparar com as alternativas.

O Texto e a Técnica

O excerto é de uma crônica de Luis Fernando Verissimo, mas a questão não depende da interpretação do texto — é puramente gramatical. A técnica é analisar a transitividade do verbo ao qual o "se" se liga:

  • Verbo transitivo direto (VTD) ou transitivo direto e indireto (VTDI) + "se" → partícula apassivadora (PA). Ex.: "conclui-se" → "a reputação é concluída".

  • Verbo intransitivo (VI), transitivo indireto (VTI) ou de ligação (VL) + "se" → índice de indeterminação do sujeito (IIS). Ex.: "precisa-se de funcionários".

  • Verbo transitivo direto sem objeto expresso + "se" → também IIS, pois não há objeto direto para receber a ação passiva.

No trecho, o primeiro "se" está em "Como a maçã não tem propriedades afrodisíacas" — o verbo "ter" é VTD, mas o objeto "propriedades afrodisíacas" está presente, então o "se" não pode ser PA (não há como transformar em "propriedades são tidas"). Na verdade, o "se" aqui é parte de uma oração reduzida de infinitivo com valor de sujeito indeterminado: "Como a maçã não tem..." — o "se" é um índice de indeterminação do sujeito, pois não se sabe quem afirma que a maçã não tem tais propriedades. O segundo "se" está em "que se saiba" — verbo "saber" intransitivo, também IIS. O terceiro "se" está em "conclui-se" — verbo "concluir" VTD, formando voz passiva sintética: "conclui-se que..." = "é concluído que...".

Partícula "se"
  • 1Índice de indeterminação do sujeito (IIS)
    • Verbo intransitivo, transitivo indireto ou de ligação
    • Verbo transitivo direto com objeto expresso
  • 2Partícula apassivadora (PA)
    • Verbo transitivo direto sem objeto
    • Teste: voz passiva analítica
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A classifica os três "se" como indeterminação do sujeito, indeterminação do sujeito e partícula apassivadora, respectivamente. Isso está correto:

  • 1º "se": "Como a maçã não tem propriedades afrodisíacas" — o "se" indetermina o sujeito, pois não se sabe quem faz a afirmação. O verbo "ter" é VTD, mas o objeto está presente, então não há voz passiva; o "se" é IIS.

  • 2º "se": "que se saiba" — verbo "saber" intransitivo, IIS.

  • 3º "se": "conclui-se" — verbo "concluir" VTD, PA. A prova é a transformação: "conclui-se que..." = "é concluído que...".

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B classifica o primeiro "se" como conjunção integrante. Isso está errado: o primeiro "se" não introduz uma oração subordinada substantiva (não pode ser trocado por "isso"). Ele está ligado ao verbo "ter" na oração "Como a maçã não tem...", funcionando como IIS. O erro é trocar a função do primeiro "se".

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C classifica o segundo "se" como partícula expletiva. Isso está errado: o "se" em "que se saiba" não é expletivo, pois não pode ser retirado sem alterar o sentido ("que saiba" teria sentido diferente). Ele é IIS, pois indetermina o sujeito do verbo "saber". O erro é trocar IIS por partícula expletiva.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D classifica o terceiro "se" como partícula expletiva. Isso está errado: o "se" em "conclui-se" é partícula apassivadora, pois o verbo "concluir" é VTD e pode ser transformado em voz passiva analítica ("é concluído"). O erro é trocar PA por partícula expletiva.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E classifica o primeiro "se" como conjunção integrante e o terceiro como indeterminação do sujeito. Ambos estão errados: o primeiro é IIS (não introduz oração substantiva) e o terceiro é PA (verbo VTD). O erro é trocar as funções do primeiro e do terceiro "se".

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre IIS e PA. A regra de ouro: se o verbo é VTD e o objeto está ausente, o "se" é PA; se o verbo é VTI/VI/VL ou o objeto está presente, o "se" é IIS. No primeiro caso, o objeto "propriedades afrodisíacas" está presente, então não pode ser PA — é IIS.

PEGA ESSA DICA!

Para testar se o "se" é PA, tente transformar a frase em voz passiva analítica: "conclui-se" → "é concluído". Se funcionar, é PA. Se não funcionar, é IIS ou outra função.

Gabarito: letra A.

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