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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — Avança SP 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa507261
Banca
Avança SP
Órgão
SANEBAVI
Ano
2023
Cargo
ASG ( )

Pandemia faz acelerar rejeição à globalização.

 

O mundo já vinha experimentando políticas protecionistas e guerras comerciais que fizeram com que especialistas alertassem para uma trajetória de desglobalização nos últimos anos. Depois de atingir o pico no início dos anos 2000, o comércio global e o investimento direto estrangeiro tiveram uma diminuição como proporção do PIB mundial a partir da crise de 2008. Agora, a pandemia de coronavírus casada com a maior recessão desde a crise de 1929 deve aprofundar a tendência do que alguns chamam de “slowbalization”, ou a desaceleração da globalização como conhecida até hoje.

A interrupção no processo de globalização já aconteceu antes na história, mas desde o fim da Segunda Guerra Mundial até a crise econômica de 2008 o mundo vinha aumentando o intercâmbio de bens, investimentos, serviços e tecnologia. A assinatura de um primeiro acordo comercial entre Washington e Pequim no final de 2019 lançou esperanças de que 2020 fosse mais próspero para o comércio internacional, mas a crise atual indica que o mundo verá a disrupção das atuais cadeias globais de produção impulsionada por políticas protecionistas, busca por uma produção regionalizada e intensificação das tensões geopolíticas.

 

O Fundo Monetário Internacional projeta uma queda de 11% no comércio mundial neste ano, sem plena recuperação em 2021. A Organização Mundial do Comércio tem cenários mais sombrios: nas estimativas otimistas, o comércio cairá 13%. Nas pessimistas, um terço do comércio mundial deve ser perdido neste ano. As projeções sobre fluxo de investimento também indicam perdas de dois dígitos.

Ao atingir a China no final do ano passado, o coronavírus causou a paralisação do país apontado como “fábrica global”, em razão da sua importância na exportação e nas cadeias de produção. Wuhan, cidade onde a propagação do coronavírus foi inicialmente identificada, é sede de produção chinesa para automóveis e aço, além de concentrar centenas de empresas multinacionais. Com fábricas fechadas, circulação de pessoas limitada e demanda interna paralisada, o primeiro sinal vindo da China foi preocupante para a cadeia de produção global. As importações chinesas caíram 4% em janeiro e fevereiro, comparado com o mesmo período do ano anterior, enquanto as exportações caíram 17%.

 

A crise também escancarou uma dependência acentuada da China que acendeu sinais de alerta. Em 2018, o gigante asiático foi responsável por 43% dos equipamentos de proteção individual, como luvas e máscaras, de todo o mundo. A preocupação com um eventual apagão na produção chinesa fez crescer as tendências de regionalização e de busca por parcerias mais próximas.

Barry Eichengreen, economista e professor da Universidade da Califórnia em Berkeley, afirma que algumas vantagens competitivas de países de baixa renda – como especialidade em operações de montagem e fornecimento de insumos – serão perdidas “à medida que países avançados começarem a encurtar e remodelar suas cadeias de produção”.

 

“É improvável que os apelos a um novo compromisso pela globalização ganhem força depois da pandemia de COVID-19. Os que desejam ver a globalização preservada devem concentrar esforços em minimizar as disrupções causadas pelo período de desglobalização que virá e em preparar o terreno para um processo mais sustentável depois disso”, escreveu o economista Mohamed A. El-Erian, principal conselheiro econômico da Allianz e membro do comitê externo criado pelo FMI para resposta à crise causada pelo Coronavírus, em artigo para o site Project Syndicate.

 

Para o economista, o pé no freio na integração internacional será adotado simultaneamente por governos, empresas e pelas famílias. Do lado corporativo, argumenta El-Erian, a valorização de cadeias de suprimento global deve dar lugar a uma abordagem mais localizada, ao passo que governos irão se esforçar para garantir uma produção segura de produtos de interesse nacional.

 

O movimento dos países até agora foi o de autoproteção. O governo americano entrou em rota de colisão com aliados, ao invocar a Lei de Proteção de Defesa para manter no país e evitar exportação de equipamentos de proteção médicos. A ação americana foi criticada por parceiros como o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, e por analistas, que vislumbram não apenas o risco de retaliação como também acham que isso servirá de estímulo para que outras nações pensem em nacionalizar a produção feita por empresas dos EUA com operação no exterior. Na União Europeia, há recomendação para que governos tenham uma dose extra de vigilância para proteger a indústria estratégica de eventuais investimentos estrangeiros feitos neste momento que possam colocar em risco áreas essenciais para a região.

 

Para o especialista em comércio Douglas Irwin, do Peterson Institute for International Economics, o risco de uma “reação exagerada” e propensa ao protecionismo por parte dos países é agravado pelo vácuo de liderança no sistema comercial global, com os Estados Unidos longe de desempenharem o papel que tiveram em outros momentos de crise. Com o pano de fundo do vírus, a tensão entre EUA e China voltou a entrar em ritmo de escalada.

 

Analistas apontam que é cedo para estimar o impacto real da disrupção causada pela crise – e a janela de projeções dos organismos internacionais, que têm traçado mais de um cenário possível, confirmam as incertezas. O comum acordo, no entanto, é de que o panorama global irá mudar. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 

ESTADÃO Conteúdo. Revista IstoÉ Digital. “Pandemia faz acelerar rejeição à globalização.”. (São Paulo, 2020). Disponível em: < https://istoe.com.br/pandemia-fazacelerar- rejeicao-a-globalizacao/>. Acesso em: 31 ago. 2023. ADAPTADO.

Leia o texto a seguir para responder a questão.   De acordo com as informações presentes no texto, o Fundo Monetário Internacional projeta um cenário para o comércio mundial no período apresentado. Assinale a alternativa que indica corretamente essa projeção.
  1. AUm aumento significativo no comércio mundial.
  2. BUma queda de 11% no comércio mundial.
  3. CA manutenção do comércio mundial no mesmo nível que no ano anterior.
  4. DUma projeção otimista de crescimento de 5% no comércio mundial.
  5. EA perda de um terço do comércio mundial.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Uma queda de 11% no comércio mundial.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Projeção do FMI sobre o comércio mundial

Gabarito: letra B. O texto afirma expressamente que "O Fundo Monetário Internacional projeta uma queda de 11% no comércio mundial neste ano" — exatamente o que a alternativa B reproduz. A questão é de compreensão literal: basta localizar a informação explícita e identificar a paráfrase correta.

O comando

O enunciado pede a projeção do FMI (Fundo Monetário Internacional), não de qualquer outra organização. Isso é decisivo: o texto traz dados de duas entidades diferentes — o FMI e a OMC (Organização Mundial do Comércio). Quem não presta atenção no sujeito acaba marcando uma alternativa que mistura os números.

O texto

No terceiro parágrafo, o autor escreve:

"O Fundo Monetário Internacional projeta uma queda de 11% no comércio mundial neste ano, sem plena recuperação em 2021."

A frase é clara e objetiva: o FMI prevê queda de 11% no comércio mundial. Em seguida, o texto apresenta os cenários da OMC (queda de 13% no otimista e perda de um terço no pessimista), mas esses números não são do FMI. A alternativa B é a única que reproduz fielmente a informação atribuída ao FMI.

A técnica

Em questões de recorrência ("de acordo com o texto"), a resposta é uma paráfrase — uma reescritura que mantém o sentido, mas troca as palavras. Aqui, a alternativa B praticamente copia o trecho original. As demais alternativas cometem erros típicos:

  • A inverte o sentido (o texto fala em queda, não em aumento).

  • C contradiz o texto (não há manutenção, há queda).

  • D inventa um crescimento de 5% (não há essa informação).

  • E mistura o dado da OMC (perda de um terço) com o FMI.

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma um aumento significativo no comércio mundial. O texto diz exatamente o oposto: projeta queda. Erro de contradição com o texto.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Reproduz a informação explícita: "queda de 11% no comércio mundial". Paráfrase fiel do trecho citado.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Diz que o comércio se mantém no mesmo nível. O texto afirma que haverá queda — contradição direta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Inventa um crescimento de 5%. Não há nenhuma menção a esse número no texto. Extrapolação — acrescenta dado inexistente.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Menciona a perda de um terço do comércio mundial, mas esse dado pertence à OMC (cenário pessimista), não ao FMI. Troca de referente — atribui ao FMI uma informação de outra organização.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura os dados do FMI e da OMC para testar se você lê com atenção o sujeito da frase. Grife sempre o nome da organização antes de marcar.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão, sublinhe no texto a informação pedida e compare com cada alternativa. A correta é a que mantém o sentido, mesmo com palavras diferentes.

Conclusão: a resposta é a letra B, pois é a única que corresponde exatamente à projeção do FMI indicada no texto. As demais ou contradizem o texto, ou extrapolam, ou trocam o sujeito.

Gabarito: letra B

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