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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — Quadrix 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa507710
Banca
Quadrix
Órgão
CRECI AL
Ano
2023
Cargo
PAS-AF ( )

Das áreas remotas da Antártida até o topo dos prédios mais altos de Dubai, a crise climática atinge a todos. Isso não significa, no entanto, que os efeitos sejam igualmente distribuídos pelo mundo. Pessoas em situações mais vulneráveis de pobreza, miséria e fome, assim como comunidades localizadas em espaços de infraestrutura precarizada, tendem a sofrer mais com os eventos extremos que o resto da população. E é aí que entra o conceito que tomou conta do debate sobre a transição energética, com razão: a justiça climática.


A justiça climática é uma das principais pautas de jovens ativistas, como, por exemplo, a sueca Greta Thunberg e a brasileira Amanda Costa. O movimento busca, de acordo com o instituto Alana, uma divisão mais justa dos investimentos e das responsabilidades no combate à emergência climática.


A justiça climática procura colocar as pessoas e as questões éticas como prioridade no combate ao aquecimento global. O conceito funciona a partir do entendimento de que os países e as regiões com maior desenvolvimento causam maior impacto nas emissões de gases de efeito estufa, mas, ao mesmo tempo, têm uma população menos vulnerável aos estragos que o aquecimento global pode trazer.


De acordo com um relatório do SEI (Stockholm Environment Institute), o 1% mais rico da população global causou o dobro de emissões de carbono que os 50% mais pobres, nos últimos 25 anos. Nas contas do Fundo Internacional de Emergência das Nações Unidas para a Infância (Unicef), os 50% mais pobres foram responsáveis por menos de 10% das emissões nos últimos anos. Enquanto isso, 3 bilhões de pessoas no mundo vivem em lugares vulneráveis à crise climática.


A prioridade é que os espaços urbanos consigam ajudar a mitigar os riscos de eventos extremos e proteger a vida de seus cidadãos mais vulneráveis. As pessoas que moram na “cidade informal”, ou seja, em espaços mais distantes dos investimentos públicos e privados, são aquelas que, invariavelmente, sofrerão mais em casos de enchentes, excesso de calor (ou frio), tufões e falta de água. No Brasil, 10% da população vive em favelas e apenas um entre quatro moradores de aglomerações urbanas vive bem.


Internet: <www.habitability.com.br> (com adaptações).

Texto para o item.

 

Com relação às ideias do texto, julgue o item.


A justiça climática é um movimento que visa à redução dos impactos da crise climática para a população do Planeta, de forma geral.

  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Justiça climática: o foco nos vulneráveis

Gabarito: E (Errado). A assertiva generaliza o alcance da justiça climática: o texto a define como um movimento que prioriza os mais vulneráveis, não a população de forma geral. Como se lê no 3º parágrafo, a justiça climática "procura colocar as pessoas e as questões éticas como prioridade" — e, no 1º parágrafo, o texto afirma que "pessoas em situações mais vulneráveis... tendem a sofrer mais" e que é aí que entra o conceito. A banca troca o público-alvo específico por um universal, o que contradiz a tese central.

O comando

A questão pede que você julgue se a afirmação está de acordo com as ideias do texto. Isso é compreensão (recorrência): a resposta deve estar explícita ou ser uma paráfrase fiel do que está escrito. Não se trata de inferir algo nas entrelinhas, mas de conferir se a assertiva reproduz o que o autor disse. Qualquer acréscimo ou generalização que o texto não autorize torna o item errado.

O texto

O texto apresenta a justiça climática como resposta à desigualdade dos impactos da crise climática. No 1º parágrafo, o autor estabelece a premissa: os efeitos não são igualmente distribuídos; os mais vulneráveis sofrem mais. No 3º parágrafo, define o conceito: "A justiça climática procura colocar as pessoas e as questões éticas como prioridade no combate ao aquecimento global." E explica a lógica: os países mais desenvolvidos causam mais emissões, mas têm população menos vulnerável. Ou seja, a justiça climática não é um movimento genérico para reduzir impactos de todos; ela é direcionada a quem mais sofre.

A técnica que decide

A armadilha central é a generalização indevida. A assertiva diz que o movimento visa à redução dos impactos "para a população do Planeta, de forma geral". O texto, porém, restringe o foco: a justiça climática existe porque os impactos são desiguais e prioriza os vulneráveis. Veja a passagem decisiva:

"Pessoas em situações mais vulneráveis de pobreza, miséria e fome, assim como comunidades localizadas em espaços de infraestrutura precarizada, tendem a sofrer mais com os eventos extremos que o resto da população. E é aí que entra o conceito... a justiça climática."

A expressão "é aí que entra" mostra que o conceito surge exatamente para atender a esse grupo específico, não a todos indistintamente. O 3º parágrafo reforça: "colocar as pessoas e as questões éticas como prioridade" — e as "pessoas" são as vulneráveis, como o 4º parágrafo exemplifica com dados sobre os 50% mais pobres.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C afirma que a justiça climática visa à redução dos impactos "para a população do Planeta, de forma geral". Isso contradiz o texto, que restringe o alcance aos mais vulneráveis. O erro é de generalização: o texto fala em priorizar quem mais sofre, não em beneficiar a todos igualmente. A banca usa a palavra "geral" para ampliar indevidamente o que o autor disse. Como o texto afirma que os efeitos não são igualmente distribuídos e que a justiça climática entra justamente para corrigir essa desigualdade, a assertiva está errada.

Alternativa E — ✅ Correta (Gabarito)

A alternativa E (Errado) é a correta, pois a afirmação não está de acordo com o texto. O texto não diz que a justiça climática visa à redução para a população de forma geral; pelo contrário, ele a define como um movimento que prioriza os vulneráveis. A passagem "E é aí que entra o conceito... a justiça climática" vincula o conceito à proteção dos que mais sofrem. Portanto, a assertiva generaliza o alcance, e por isso é errada.

NÃO CAIA NESSA!

A banca generaliza o público-alvo: troca "os mais vulneráveis" por "a população de forma geral". O texto é específico; a assertiva universaliza.

PEGA ESSA DICA!

Desconfie de expressões como "de forma geral", "todos", "sempre" — elas costumam restringir ou ampliar indevidamente o que o texto diz. Confronte com o alcance real.

Conclusão: a justiça climática, no texto, é um movimento direcionado aos mais vulneráveis, não um benefício genérico. A assertiva erra ao generalizar. Gabarito: letra E (Errado).

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