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Questão de Português — Linguagem Formal e Informal — INSTITUTO AOCP 2023

PortuguêsLinguagem Formal e Informal
Código
qa507959
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
CODEBA
Ano
2023
Cargo
Tec Por ( )

Por que o Brasil tem a população mais ansiosa do

mundo?

 

Coração acelerado antes de uma prova, nervosismo em uma reunião importante ou mãos suando no primeiro dia de trabalho. Provavelmente, você já sentiu algum desses sintomas.

 

Agora, se você está com dificuldades recorrentes para dormir, fica sem ar em uma reunião importante e não consegue se concentrar no trabalho por somente pensar no pior, deve ficar atento. O que acredita ser normal pode ser um distúrbio psiquiátrico e exige avaliação médica.

 

Quando não tratada corretamente, a ansiedade pode virar uma adversidade e desencadear outros transtornos mentais, como a depressão, que acomete aproximadamente 300 milhões de pessoas no mundo, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). [...]

 

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que, no primeiro ano da pandemia de Covid-19, a prevalência global de ansiedade e de depressão aumentou em 25%.

 

De acordo com o último grande mapeamento global de transtornos mentais, realizado pela OMS, o Brasil possui a população com a maior prevalência de transtornos de ansiedade do mundo. [...]

 

Índice elevado de desemprego, recorrentes mudanças no rumo da economia e falta de segurança pública são apontados por especialistas ouvidos pela BBC Brasil como principais fatores para a alta prevalência de transtornos de ansiedade na população.

 

"O Brasil tem uma alta taxa de violência, que faz muitas pessoas saírem de casa com o receio de serem assaltadas. Receio que gera ansiedade", apontou Rafael Boechat, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília (UnB). [...]

 

Segundo a psicóloga Adriana Botarelli, "A maior parte da população do Brasil tem pouco acesso a serviços de saúde mental, muitas horas de trabalho por dia, inseguranças quanto ao futuro e pouca qualidade de vida. Todos esses fatores trazem sentimentos de medo, preocupação e angústia.".

 

Já Gerardo Maria de Araújo Filho, professor do departamento de ciências neurológicas, psiquiatria e psicologia médica da Faculdade de Medicina de Rio Preto (Famerp), acredita que o uso excessivo de computadores e de smartphones também explica a alta prevalência de ansiedade no Brasil.

 

Um estudo realizado pela Canadian Journal of Psychiatry comprovou que, quanto maior o uso de telas, maior o nível de ansiedade. [...]

 

Crianças são mais vulneráveis

 

Entre as faixas etárias mais vulneráveis a ter o diagnóstico de transtorno de ansiedade, crianças e adolescentes aparecem na liderança. [...]

   

João*, por exemplo, adorava brincar com os amigos, ir para a escola e passear com a família. Com a pandemia, tudo mudou, e o menino de 13 anos precisou ficar mais tempo recluso em casa.

 

Foi quando a mãe percebeu o adolescente mais irritado, medroso e com preocupações excessivas. Eram os primeiros sintomas da ansiedade patológica. [...] Assim como João,* diversos outros jovens foram diagnosticados, em 2022, com ansiedade no Brasil. [...]

 

"O tratamento mais indicado para a ansiedade na infância e adolescência é a terapia cognitiva comportamental (TCC); caso ela não funcione, associa-se a tratamento farmacológico. Em adulto, também vale iniciar com TCC, contudo, geralmente o início com farmacoterapia é muito frequente", pontuou Ênio Roberto de Andrade, diretor do Serviço de Psiquiatria da Infância e Adolescência do Hospital das Clínicas de São Paulo. [...]

 

"Sempre que os sintomas começam a atrapalhar a vida da pessoa, é a hora de buscar um psiquiatra para uma avaliação do quadro. Ansiedade e tristeza são características normais do ser humano, mas, a partir do momento em que nos impedem de sair de casa, trabalhar, levar uma vida social ativa, nos relacionar com outras pessoas, devemos procurar auxílio", afirmou Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

 

Psicofobia atrapalha

 

Um dos grandes desafios no combate as altas taxas de ansiedade é o forte estereótipo existente sobre os transtornos mentais. No Brasil, o preconceito em relação a pessoas que sofrem com distúrbios psiquiátricos é conhecido como psicofobia.

 

Jorge* lembra bem de quando teve sintomas do transtorno de ansiedade na adolescência e encontrou resistência dentro de casa para procurar ajuda especializada.

 

"De início, minha mãe me levou em um centro espírita. Meio que relutou em me levar no médico, mas, como os sintomas persistiram, marcamos uma consulta com um psiquiatra. Foi quando descobri que estava com transtorno de ansiedade." [...]

 

Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), afirma que o ideal é que, desde cedo, crianças e adolescentes possam falar abertamente sobre saúde mental nas escolas e em casa, para que cresçam sem o estigma recorrente entre pessoas idosas. [...]

 

Já Gerardo afirma que mais importante do que frequentar a terapia é o paciente reconhecer como usar a ansiedade a seu favor.

 

*A reportagem resguardou os nomes verdadeiros de João e Jorge.

 

Adaptado de

https://www.bbc.com/portuguese/articles/c4ne681q64lo.

Acesso em: 05 ago. 2023.

Assinale a alternativa que apresenta um trecho do texto em que se identifica informalidade da linguagem, com NÃO atendimento à norma-padrão.

  1. A“[...] no primeiro ano da pandemia de Covid-19, a prevalência global de ansiedade e de depressão aumentou em 25%.”.
  2. B“[...] o Brasil possui a população com a maior prevalência de transtornos de ansiedade do mundo.”.
  3. C“Assim como João, diversos outros jovens foram diagnosticados, em 2022, com ansiedade, no Brasil.”.
  4. D“Jorge lembra bem de quando teve sintomas do transtorno de ansiedade na adolescência [...]”.
  5. E“Foi quando descobri que estava com transtorno de ansiedade.”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — “Jorge lembra bem de quando teve sintomas do transtorno de ansiedade na adolescência [...]”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Informalidade e desvio da norma-padrão no texto

Gabarito: letra D. A alternativa D é a única que apresenta um trecho com informalidade gramatical — um desvio da norma-padrão —, pois o verbo "lembrar", no sentido de "ter lembrança", é transitivo indireto e rege a preposição de apenas quando seguido de oração subordinada (ex.: "lembro-me de que..."). No trecho "Jorge lembra bem de quando teve sintomas", o uso de "de quando" é coloquial; a norma culta prefere "Jorge lembra bem quando teve sintomas" ou "Jorge se lembra bem de quando teve sintomas". As demais alternativas estão em conformidade com a norma-padrão.

O comando da questão

O enunciado pede que você identifique o trecho em que há informalidade da linguagem, com NÃO atendimento à norma-padrão. Isso significa que a banca não quer apenas uma palavra coloquial (como "gíria"), mas um desvio gramatical — algo que fere a regra culta da língua. É uma questão de variação linguística aplicada ao texto: você deve reconhecer quando o autor (ou o personagem citado) usa uma construção que a gramática normativa não aceita.

O texto e o movimento argumentativo

O texto é uma reportagem sobre a alta prevalência de ansiedade no Brasil. Ele mistura discurso jornalístico (com dados e citações de especialistas) com relatos pessoais (como o de Jorge, que conta sua experiência). É justamente nesses relatos em discurso direto que aparecem marcas de oralidade e informalidade — porque são falas de pessoas comuns, reproduzidas pela reportagem. A banca explora exatamente esse contraste: enquanto as passagens informativas seguem a norma culta, as falas coloquiais trazem desvios.

A técnica que decide: formalidade × informalidade gramatical

A linguagem formal (culta) segue rigorosamente a norma gramatical: períodos completos, regência correta, vocabulário preciso. A linguagem informal (coloquial) é espontânea, cotidiana e despreocupada com essas regras — pode usar gírias, expressões populares e até construções que a gramática normativa condena. Nesta questão, o que importa é o desvio gramatical, não apenas o tom coloquial. O verbo lembrar é o ponto central: na norma culta, quando significa "recordar", é transitivo indireto e rege a preposição de apenas diante de oração subordinada ("lembro-me de que..."). No trecho da alternativa D, "lembra bem de quando teve sintomas", o uso de "de quando" é uma construção coloquial — a forma culta seria "lembra bem quando teve sintomas" (sem a preposição) ou "se lembra bem de quando teve sintomas" (com o pronome). Esse é o desvio que a banca pede.

"Jorge lembra bem de quando teve sintomas do transtorno de ansiedade na adolescência [...]"

Aqui, o verbo "lembrar" está empregado sem o pronome "se" e com a preposição "de" antes de "quando" — construção típica da fala informal. Na norma-padrão, seria "Jorge lembra bem quando teve sintomas" ou "Jorge se lembra bem de quando teve sintomas".

Análise das alternativas

Lembrar (regência)
  • 1Norma-padrão
    • Lembra quando (sem preposição)
    • Se lembra de quando (com pronome)
  • 2Coloquial (desvio)
    • Lembra de quando (sem pronome)
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

"[...] no primeiro ano da pandemia de Covid-19, a prevalência global de ansiedade e de depressão aumentou em 25%."

Este trecho é formal e correto: a concordância verbal está adequada ("a prevalência... aumentou"), a regência está correta ("aumentou em 25%") e não há marcas de oralidade. A banca usa um dado estatístico para tentar confundir, mas não há desvio. Erro: não há informalidade.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"[...] o Brasil possui a população com a maior prevalência de transtornos de ansiedade do mundo."

Aqui também não há desvio: o verbo "possuir" está bem empregado, a concordância está correta e a construção é típica da norma culta. É uma frase informativa, sem marcas coloquiais. Erro: não há informalidade.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Assim como João, diversos outros jovens foram diagnosticados, em 2022, com ansiedade, no Brasil."

A frase está correta: a concordância verbal ("foram diagnosticados") e a regência ("diagnosticados com ansiedade") seguem a norma-padrão. A ordem dos termos é formal, sem coloquialismos. Erro: não há informalidade.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Jorge lembra bem de quando teve sintomas do transtorno de ansiedade na adolescência [...]"

Como explicado, o verbo "lembrar" está usado de forma coloquial: sem o pronome "se" e com a preposição "de" antes de "quando". A norma culta prefere "lembra bem quando" ou "se lembra bem de quando". Esse é o desvio de regência que caracteriza a informalidade gramatical. Correta: apresenta desvio da norma-padrão.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Foi quando descobri que estava com transtorno de ansiedade."

Esta frase é uma fala em discurso direto, mas não apresenta desvio gramatical: a construção "Foi quando" é aceita na norma culta (embora possa ser considerada um pouco coloquial em contextos muito formais, não fere a regra). O verbo "descobrir" está bem empregado, e a oração subordinada está correta. Erro: não há desvio da norma-padrão.

Conclusão

A questão testa sua capacidade de distinguir informalidade vocabular (gírias, expressões populares) de informalidade gramatical (desvios de regência, concordância, etc.). A única alternativa com desvio real é a D, que usa "lembra de quando" em vez da forma culta. Lembre-se: ao identificar informalidade, procure por erros de regência, concordância ou colocação pronominal, não apenas por palavras do dia a dia.

PEGA ESSA DICA!

Ao resolver questões de formalidade, sublinhe os verbos e verifique se a regência está correta. Verbos como "lembrar", "esquecer", "assistir", "obedecer" são clássicos em provas — eles mudam de sentido ou de regência conforme o uso.

Gabarito: letra D

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