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Questão de Português — Figuras de Linguagem — FURB 2023

PortuguêsFiguras de Linguagem
Código
qa508150
Banca
FURB
Órgão
Pref Ilhota
Ano
2023
Cargo
Prof ( )

Haverá em breve uma vacina contra o câncer?

 

Empresas de biotecnologia querem lançar em alguns anos imunizantes contra a doença, algo que se tornou possível com a tecnologia de mRNA. Com isso, o câncer pode deixar de ser uma "sentença de morte". Em poucos anos, a tecnologia de RNA mensageiro (mRNA) revolucionou a medicina. Durante a pandemia de covid-19, imunizantes de alta eficácia contra o vírus Sars-Cov-2 foram desenvolvidos em apenas alguns meses graças a essa tecnologia.

 

Mesmo que o vírus se desenvolva com mutações mais agressivas, vacinas sob medida podem ser novamente desenvolvidas em pouco tempo graças à tecnologia de mRNA. Mas esse avanço, recentemente agraciado com o Prêmio Nobel de Medicina, pode ainda alcançar muito mais.

 

A tecnologia de mRNA também deu novo impulso à pesquisa sobre o câncer. O CEO da empresa de biotecnologia CureVac, Alexander Zehnder, quer introduzir no mercado vacinas com base nessa tecnologia em um prazo máximo de cinco anos.

 

O desenvolvimento de vacinas contra certos tipos de câncer seria um sonho realizado para a humanidade. "Pesquisas sobre vacinas contra o câncer vêm sendo realizadas há 20 anos. Os progressos atuais, porém, são enormes", afirma Zehnder. "Ganhamos muita experiência durante a pandemia e a inteligência artificial está tão avançada que consegue resolver muitos problemas na programação do mRNA", explicou o chefe da CureVac em entrevista ao jornal alemão Bild am Sonntag.

 

As vacinas contra o câncer estimulam o sistema imunológico de maneira que as defesas próprias do corpo podem combater especificamente as células tumorais. "O fator mortal no câncer é o fato de ele se manter em crescimento. A vacina visa conter esse crescimento, mesmo que o câncer já esteja metastático. O câncer, dessa forma, se torna uma doença crônica com a qual se pode conviver durante décadas. Não é mais uma sentença de morte", disse Zehnder.

 

Corrida pela vacina

 

Além da CureVac, outras empresas também investem intensamente em pesquisas contra o câncer. No início de outubro, a empresa BioNTech publicou resultados preliminares promissores de um estudo clínico em andamento. A eficácia de sua vacina de mRNA contra o câncer, CARVac, já está sendo testada em cobaias.

 

O CEO da BioNTech, Ugur Sahin, disse em entrevista à revista alemã Der Spiegel que, segundo sua estimativa, haverá vacinas contra o câncer disponíveis nos próximos anos. "Acreditamos que será possível produzi-las em larga escala antes de 2030", afirmou.

 

No longo prazo, as vacinas tendem a substituir o tratamento convencional contra o câncer. Isso também seria um fator bastante positivo, uma vez que as terapias com quimioterapia ou radiação são extremamente agressivas para os pacientes.

 

"A quimioterapia ou a radiação nunca combatem somente o tumor, mas também os tecidos saudáveis. É por isso que há tantos efeitos colaterais", explicou Zehnder. "A vantagem de usar o mRNA é que o sistema imunológico próprio é estimulado e combate especificamente o câncer, e nada mais".

 

Como funciona a vacina?

 

As células T, ou linfócitos T, ajudam o corpo a combater infecções ao destruir as células adoecidas ou estimular outras células imunológicas a agirem, mas têm dificuldades em reconhecer as células cancerígenas, o que as células CAR-T conseguem fazer.

 

O tratamento com as células CAR-T foi aprovado na Europa em 2018 e vem sendo utilizado principalmente no tratamento da leucemia, o chamado câncer sanguíneo.

 

No entanto, essa forma bastante eficaz de imunoterapia tem custos impraticáveis para muitos. Segundo o Centro Alemão de Pesquisas sobre o Câncer da Alemanha, os fabricantes cobram até 320 mil euros pela produção dessas células imunológicas para apenas um paciente.

 

Nesse tipo de imunoterapia, as células T são filtradas dos leucócitos - os glóbulos brancos - do sangue do paciente. Elas então são geneticamente modificadas para formarem receptores quiméricos de antígeno (CARs) na superfície. Isso resulta em um receptor cujos componentes diferentes não se encaixam.

 

Vacinas deixam as células tumorais visíveis

 

Se as células CAR-T produzidas dessa forma forem injetadas de volta no paciente, elas se alojam especificamente nas células cancerígenas. O sistema imunológico é ativado e ataca as células tumorais. As futuras vacinas podem dar apoio a esse processo se, por exemplo, as células CAR-T não conseguirem encontrar ou estiverem muito enfraquecidas para lutar contra as tumorais.

 

Para deixar as células tumorais mais visíveis, a proteína Claudin-6 é introduzida na célula cancerígena com ajuda da tecnologia mRNA. Isso cria um antígeno que se aloja na superfície da célula tumoral, tornando-a mais fácil de ser reconhecida e combatida pelas CAR-T.

 

Até agora, as células T modificadas combatiam somente o câncer sanguíneo. Mas os avanços rápidos na tecnologia de mRNA aumentam as esperanças de que possa haver no futuro terapias eficazes e menos agressivas, não apenas para a leucemia, mas também para outros tipos de câncer.

 

Retirado e adaptado de: TERRA. Haverá em breve uma vacina

contra o câncer? Portal Terra. Disponível em: https://www.terra.

com.br/noticias/havera-em-breve-uma-vacina-contra-o-cancer,

60f8d40daa34735e8fe2882052bb273fti7x3zb1.html

Acesso em: 09 nov., 2023.

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.     Analise o excerto a seguir, retirado de "Haverá em breve uma vacina contra o câncer?":   As células T, ou linfócitos T, ajudam o corpo a combater infecções ao destruir as células adoecidas ou estimular outras células imunológicas a agirem, mas têm dificuldades em reconhecer as células cancerígenas, o que as células CAR-T conseguem fazer.   Podemos afirmar que o excerto apresenta uma figura de linguagem conhecida como:
  1. ASilepse.
  2. BZeugma.
  3. CGradação.
  4. DElipse.
  5. EApóstrofe.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Zeugma.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Figuras de Sintaxe: Zeugma e Elipse

Gabarito: letra B. O excerto apresenta zeugma, pois omite um termo já mencionado anteriormente no texto — o verbo "reconhecer" — para evitar repetição. Como se lê no trecho: "mas têm dificuldades em reconhecer as células cancerígenas, o que as células CAR-T conseguem fazer", o verbo "reconhecer" é subentendido na segunda oração, caracterizando a figura de construção conhecida como zeugma.

O Comando

A questão pede para identificar a figura de linguagem presente no excerto. Isso exige conhecimento prévio das figuras de sintaxe (ou construção) e a capacidade de reconhecer o recurso estilístico aplicado no texto. Não se trata de interpretar o conteúdo, mas de classificar o fenômeno linguístico.

O Texto

O excerto descreve a função das células T e sua limitação em reconhecer células cancerígenas, em contraste com as células CAR-T, que conseguem fazer isso. A figura está na estrutura sintática: o verbo "reconhecer" é usado na primeira oração e omitido na segunda, sendo subentendido pelo contexto.

A Técnica

Zeugma é uma figura de sintaxe que consiste na omissão de um termo já expresso anteriormente no texto, para evitar repetição desnecessária. É um tipo específico de elipse, mas com uma característica distintiva: na elipse, o termo omitido não foi mencionado antes; no zeugma, o termo omitido já apareceu no discurso.

"As células T, ou linfócitos T, ajudam o corpo a combater infecções ao destruir as células adoecidas ou estimular outras células imunológicas a agirem, mas têm dificuldades em reconhecer as células cancerígenas, o que as células CAR-T conseguem fazer."

No trecho, o verbo "reconhecer" aparece na primeira oração. Na segunda, "o que as células CAR-T conseguem fazer", o verbo "reconhecer" é subentendido: as células CAR-T conseguem reconhecer as células cancerígenas. Essa omissão de um termo já mencionado é a marca do zeugma.

Análise das Alternativas

Figuras de sintaxe
  • 1Omissão de termo
    • Zeugma
      • termo omitido já apareceu no texto
    • Elipse
      • termo omitido é subentendido
  • 2Concordância ideológica
    • Silepse
  • 3Enumeração em escala
    • Gradação
  • 4Invocação
    • Apóstrofe
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Silepse é a concordância que se faz com a ideia, e não com a forma gramatical (ex.: "A multidão gritou, e eu fiquei assustado" — concordância com a ideia de plural). No excerto, não há qualquer concordância ideológica; a estrutura é sintaticamente regular. A alternativa confunde o conceito de zeugma com outra figura de construção.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Como demonstrado, o excerto omite o verbo "reconhecer" já mencionado anteriormente, caracterizando o zeugma. A figura é um tipo de elipse, mas com a particularidade de o termo omitido ter sido expresso antes no texto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Gradação é a enumeração de ideias em ordem crescente ou decrescente de intensidade (ex.: "Ele era pequeno, médio, grande"). No excerto, não há uma sequência hierárquica de termos; há apenas uma oposição entre a capacidade das células T e das células CAR-T. A alternativa confunde a figura de pensamento com a de sintaxe.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Elipse é a omissão de um termo que não foi mencionado anteriormente, mas que é facilmente subentendido pelo contexto (ex.: "Ganhei uns milhões na loteria" — omite-se "eu"). No excerto, o termo omitido ("reconhecer") já apareceu no texto, o que caracteriza especificamente o zeugma, e não a elipse genérica. A alternativa é parcialmente correta, mas não é a mais precisa.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Apóstrofe é a invocação de alguém ou algo, real ou imaginário, no discurso (ex.: "Oh, Deus, ajudai-me!"). No excerto, não há qualquer invocação; o texto é expositivo e impessoal. A alternativa confunde a figura de pensamento com a de sintaxe.

Conclusão

A questão testa a distinção entre zeugma e elipse, duas figuras de sintaxe muito próximas. A chave é identificar se o termo omitido já foi mencionado (zeugma) ou se é apenas subentendido (elipse). No excerto, o verbo "reconhecer" aparece antes, confirmando o zeugma.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar figuras de sintaxe, pergunte: "O termo omitido já apareceu no texto?" Se sim, é zeugma; se não, é elipse. Essa distinção é a mais cobrada em provas.

Gabarito: letra B

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