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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FURB 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa508158
Banca
FURB
Órgão
Pref Ilhota
Ano
2023
Cargo
Prof ( )

Os antidepressivos e seus efeitos colaterais

 

Em dezembro de 2021, Melina Nadale, 39, executiva do mercado financeiro, procurou um psiquiatra, que receitou um antidepressivo de fluoxetina, mas sofreu com os efeitos colaterais. "Eu tive muita náusea e falta de apetite. Também sentia algumas sudoreses, redução de libido e prisão de ventre. Foi assim até a oitava semana após o início do tratamento", relata.

 

Para tentar lidar melhor com o medicamento, ela fez um diário em que anotava as sensações físicas e emocionais para depois reportá-las ao médico e à sua psicóloga. "Isso foi essencial para me acostumar com a medicação e com o tratamento em geral", diz.

 

Durante uma consulta com o psiquiatra, ela pediu para testar o medicamento genérico, mas, além de mais efeitos colaterais, teve também duas crises de episódios depressivos.

 

Depois disso, ela e o médico decidiram trocar a medicação. "Tomo cloridrato de venlafaxina desde janeiro deste ano. Nas primeiras quatro semanas, também enfrentei os mesmos efeitos colaterais, mas com intensidade bem menor", afirma.

 

Mais uma vez, Nadale colocou em prática o diário das sensações. "Foi bem importante para eu entender quando os efeitos se manifestavam. Aprendi que, no meu caso, é sempre melhor tomar o remédio após me alimentar para não sentir tanto enjoo", observa.

 

"Dois meses após o início do novo medicamento, os efeitos colaterais cessaram e fiquei bem adaptada. Já avalio o desmame com o meu médico."

 

A psiquiatra Tânia Corrêa de Toledo Ferraz Alves, diretora de unidades de internação do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e coordenadora do Departamento de Psicogeriatria da Associação Brasileira de Psiquiatria, explica que é comum o paciente experimentar efeitos colaterais quando começa a tomar um antidepressivo. Essas manifestações, diz a médica, podem variar de acordo com o organismo de cada indivíduo e também com o tipo do remédio.

 

"Os medicamentos mais modernos, como os inibidores seletivos de recaptação de serotonina e os inibidores seletivos de recaptação de serotonina e de noradrenalina têm poucos efeitos colaterais se comparados aos antidepressivos mais antigos, como os tricíclicos", afirma Alves.

 

A serotonina e a noradrenalina são neurotransmissores que atuam na regulação do nosso humor. Os dois inibidores mencionados fazem com que essas substâncias fiquem mais tempo agindo na fenda sináptica, que é o espaço entre os neurônios. Desse modo, melhoram os sintomas de depressão e ansiedade.

 

Os efeitos mais comuns são enjoo, tontura, boca seca, constipação intestinal, visão turva, taquicardia, sudorese, tremores e alterações no apetite. Essas ocorrências duram de um a dois meses e, portanto, no início de tratamento, o médico avaliará a tolerabilidade do paciente.

 

"Algumas pessoas têm tolerância menor para se adaptar. Por isso, começamos com uma dose mais baixa e aumentamos gradualmente, até chegar na dosagem terapêutica", afirma a psiquiatra.

 

A neuropsicóloga Tammy Marchiori diz que náusea, dor de cabeça e insônia passam geralmente nas primeiras semanas. "No entanto, efeitos como ganho de peso ou disfunção sexual podem persistir. É muito importante que o paciente comunique qualquer sintoma ao psiquiatra. Ele poderá ajustar a dose, mudar de fármaco ou indicar outra medicação para gerenciar os efeitos específicos."

 

Marchiori ressalta que fazer mudanças no estilo de vida, como manter uma dieta saudável, praticar exercícios, ioga e meditação, além de ajudar a enfrentar os efeitos colaterais, também é indispensável para superar a depressão e a ansiedade.

 

O mal-estar inicial provocado pelo uso de antidepressivos pode fazer com que o paciente acredite que o remédio está piorando o seu caso e queira abandonar o tratamento.

 

"É muito importante que o profissional oriente sobre o risco dessa sensação de piora inicial", diz Alves. "Principalmente, pessoas com depressão ansiosa ou transtorno de ansiedade podem perceber aumento de sintomas no começo do tratamento."

 

A médica ressalta que, quando bem aconselhados sobre essa possibilidade, os pacientes entendem que a agitação durará poucos dias, por volta de setenta e duas horas, e conseguem administrar essa fase. O uso pontual de benzodiazepínicos, que têm ação calmante, ajuda nesse período.

 

Essa orientação dada aos pacientes chama-se psicoeducação. É quando o médico explica como os antidepressivos agem, quais são os efeitos colaterais, por quanto tempo duram e quando ocorre a resposta terapêutica, ou seja, a melhora dos sintomas do transtorno. "A psicoeducação é fundamental para a adesão ao tratamento", destaca Alves.

 

Também durante a consulta, é importante o paciente contar se já tomou remédios de uso psiquiátrico anteriormente e como se sentiu. Essa experiência ajuda o médico a escolher o antidepressivo mais adequado.

 

https://acesse.dev/antidepressivos-medicina-saude. Adaptado.

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.     Nadale enfrentava crises ansiosas e depressivas manifestadas durante a pandemia da Covid-19, entre outros fatores, de acordo com o texto base apresentado.   Qual dos seguintes efeitos colaterais Melina Nadale relatou ao tomar o antidepressivo de fluoxetina?
  1. ANáusea: Melina mencionou que teve muita náusea enquanto tomava fluoxetina, o que a tornou desconfortável durante o tratamento.
  2. BAumento do apetite: ela mencionou um aumento do apetite como um dos efeitos colaterais do antidepressivo de fluoxetina.
  3. CAumento dos movimentos peristálticos: a acalasia foi outro dos efeitos colaterais mencionados por Melina durante o processo de adaptação ao remédio.
  4. DDesequilíbrio de libido: a paciente mencionou que a alteração de libido para mais e para menos foi um dos efeitos colaterais.
  5. EAdiaforese: Melina relatou sentir falta de sudorese como um dos efeitos colaterais do medicamento, tornando sua pele mais ressecada.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Náusea: Melina mencionou que teve muita náusea enquanto tomava fluoxetina, o que a tornou desconfortável durante o tratamento.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Efeitos Colaterais da Fluoxetina: Localização da Informação no Texto

Gabarito: letra A. A questão pede um efeito colateral que Melina Nadale relatou ao tomar o antidepressivo de fluoxetina, e a única alternativa que corresponde exatamente ao que está escrito no texto é a A, que menciona a náusea. No primeiro parágrafo, Melina relata: "Eu tive muita náusea e falta de apetite", confirmando a náusea como um dos efeitos que ela sentiu com a fluoxetina. As demais alternativas ou contradizem o texto, ou extrapolam informações que não estão presentes, ou trocam termos por outros de sentido oposto.

O comando da questão é de compreensão textual — o verbo "relatou" indica que a resposta deve ser uma informação explícita no texto, não uma inferência ou dedução. Portanto, a técnica de resolução é simples: localizar no texto o trecho em que Melina descreve os efeitos colaterais do antidepressivo de fluoxetina e comparar com cada alternativa, verificando se há correspondência exata.

O texto é uma reportagem sobre os efeitos colaterais de antidepressivos, com o relato pessoal de Melina Nadale como fio condutor. No primeiro parágrafo, ela descreve sua experiência com a fluoxetina:

"Eu tive muita náusea e falta de apetite. Também sentia algumas sudoreses, redução de libido e prisão de ventre. Foi assim até a oitava semana após o início do tratamento"

Este trecho é a âncora da questão: ele lista os efeitos que Melina sentiu com a fluoxetina. A alternativa correta deve ser uma paráfrase fiel de um desses efeitos. A alternativa A faz exatamente isso ao citar a náusea. As demais alternativas cometem erros típicos de interpretação: a B contradiz o texto (ela teve falta de apetite, não aumento); a C e a E usam termos técnicos que extrapolam o texto (o texto não menciona acalasia nem adiaforese); e a D restringe o sentido do texto (o texto fala em "redução de libido", não em "alteração para mais e para menos").

A armadilha central desta questão é a troca de vocábulo e a extrapolação com termos técnicos. A banca usa palavras como "acalasia" e "adiaforese" para confundir o candidato que não conhece esses termos, mas o texto não as menciona. A técnica para resolver é sempre voltar ao texto e verificar se a informação está lá, palavra por palavra.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A afirma que Melina mencionou "muita náusea" enquanto tomava fluoxetina. Isso está literalmente no texto:

"Eu tive muita náusea e falta de apetite."

A alternativa é uma paráfrase fiel do trecho, sem acrescentar nem omitir informações. A náusea é, de fato, um dos efeitos colaterais que Melina relatou ao tomar fluoxetina. Correta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B afirma que Melina mencionou "aumento do apetite" como efeito colateral. Isso contradiz o texto, que diz exatamente o oposto:

"Eu tive muita náusea e falta de apetite."

O texto fala em falta de apetite, não em aumento. A alternativa troca o termo "falta" por "aumento", invertendo o sentido. Erro: contradiz o texto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C menciona "aumento dos movimentos peristálticos" e "acalasia" como efeitos colaterais. O texto não menciona esses termos em nenhum momento. A palavra "acalasia" (dificuldade de relaxamento do esfíncter esofágico) não aparece no relato de Melina nem na explicação das médicas. Erro: extrapolação — acrescenta informação que não está no texto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D afirma que Melina mencionou "alteração de libido para mais e para menos". O texto diz:

"Também sentia algumas sudoreses, redução de libido e prisão de ventre."

O texto fala apenas em "redução de libido", ou seja, uma diminuição. A alternativa restringe o sentido ao dizer "para mais e para menos", ampliando o alcance do que foi dito. Erro: restringe/generaliza indevidamente.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E menciona "adiaforese" (ausência de sudorese) e afirma que Melina sentiu "falta de sudorese". O texto diz o oposto:

"Também sentia algumas sudoreses, redução de libido e prisão de ventre."

Melina relata que sentiu sudorese, não que teve falta dela. A alternativa contradiz o texto ao inverter o sentido do termo. Erro: contradiz o texto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca usa termos técnicos ("acalasia", "adiaforese") e inversões de sentido ("aumento" em vez de "falta", "para mais e para menos" em vez de "redução") para confundir quem não volta ao texto. A técnica é sempre localizar o trecho exato e comparar palavra por palavra.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão, grife no texto os trechos que respondem diretamente ao comando. Aqui, o primeiro parágrafo é a chave: ele lista todos os efeitos que Melina sentiu com a fluoxetina. Qualquer alternativa que cite um efeito fora dessa lista está errada.

Gabarito: letra A. A resposta está no primeiro parágrafo do texto, onde Melina relata "muita náusea" como um dos efeitos colaterais da fluoxetina. As demais alternativas ou contradizem o texto, ou extrapolam informações, ou trocam termos por outros de sentido oposto.

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