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Questão de Português — Elementos da Comunicação e Funções da Linguagem — FURB 2023

PortuguêsElementos da Comunicação e Funções da Linguagem
Código
qa508160
Banca
FURB
Órgão
Pref Ilhota
Ano
2023
Cargo
Serv ( )

Redes sociais podem ser viciantes?

 

Por muitos anos, a comunidade científica definiu o vício em relação a substâncias, como drogas. Mais recentemente, isso tem mudado. Agora, comportamentos, como jogos de azar ou uso da internet e redes sociais, também levantam o debate sobre características viciantes.

 

Em 2013, a APA (Associação Americana de Psiquiatria) do Estados Unidos introduziu a ideia de vício em jogos na internet no Manual Diagnóstico Estatístico de Transtornos Mentais, que é uma referência mundial para condições de saúde mental.

 

Esse foi o primeiro passo para consolidar um debate que vem crescendo há alguns anos. Contudo, mais estudos são necessários antes de que a ciência bata o martelo. Isso porque, quando utilizada com limites, a internet é bastante importante para a vida cotidiana. Especialistas compreendem, porém, que as redes sociais, por exemplo, podem incitar um uso problemático da internet.

 

Reforço intermitente

 

De modo geral, as redes sociais oferecem conteúdos em tempo real e em quantidade sempre crescente. Dessa forma, agem sobre os impulsos e circuitos neurológicos de uma pessoa, tornando difícil se afastar do fluxo constante de informações.

 

Na ciência, uma das principais táticas das redes sociais é o reforço intermitente. Ele consiste na ideia de que um usuário poderia ser recompensado a qualquer momento. No entanto, a chegada da recompensa é imprevisível − pode acontecer daqui cinco minutos ou uma hora.

 

É o mesmo mecanismo de uma máquina de caça-níqueis, em que a expectativa de ser recompensado faz com que a pessoa fique presa ao aparelho. Assim como no jogo de azar, as luzes e sons fazem parte do processo de atração.

 

Mas, de maneira ainda mais complexa, as redes sociais fazem isso também com informações personalizadas, que vão de acordo com os interesses e gostos do usuário.

 

Perigo para os jovens

 

De modo geral, todos estão suscetíveis a cair nesse mecanismo e usar as redes sociais sem limites. Contudo, os jovens estão particularmente em risco. Isso porque eles ainda não têm o cérebro tão desenvolvido quanto adultos. Dessa forma, algumas regiões cerebrais envolvidas na resistência à tentação e na recompensa não são tão eficazes.

 

Por isso, eles costumam ser mais impulsivos e menos controlados. Além disso, outro aspecto importante nessa relação com as redes sociais é a sociabilidade.

 

O cérebro adolescente é especialmente ligado em fazer conexões sociais, o que é super estimulado nas redes sociais, já que elas são feitas justamente para esse objetivo.

 

Por isso, podem ser ainda mais perigosas entre crianças e adolescentes. Pensando nisso, o governo brasileiro lançou, em outubro de 2023, o guia "De Boa na Rede", com objetivo de orientar pais e responsáveis a como manter crianças e adolescentes seguros nas redes sociais. O principal objetivo do guia é ajudar a detectar e combater o vício em telas, além de proteger os jovens de crimes na internet.

 

Retirado e adaptado de: GIOVANI, Bárbara. As redes sociais podem

ser viciantes? Como elas incitam uso sem limites. UOL. Disponível

em: https://gizmodo.uol.com.br/as-redes-sociais-podem-ser-

viciantes-como-elas-incitam-uso-sem-limites/ Acesso em: 07 nov., 2023.

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.     Assinale a alternativa que apresenta a função da linguagem predominante no texto "Redes sociais podem ser viciantes?":
  1. AFunção poética.
  2. BFunção metalinguística.
  3. CFunção expressiva.
  4. DFunção referencial.
  5. EFunção conativa.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Função referencial.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Função da Linguagem Predominante no Texto Expositivo

Gabarito: letra D (Função referencial). O texto "Redes sociais podem ser viciantes?" é um texto expositivo-informativo, cujo objetivo central é transmitir informações objetivas sobre o tema, centrando-se no referente (o assunto: o possível caráter viciante das redes sociais). Isso é comprovado pela presença de dados, citações de instituições (APA), explicações de mecanismos (reforço intermitente) e a linguagem impessoal, sem marcas de opinião ou apelo direto ao leitor.

O Comando da Questão

A questão pede para assinalar a função da linguagem predominante no texto. Isso exige que você identifique qual elemento da comunicação (emissor, receptor, mensagem, código, canal, referente) recebe maior destaque na construção do texto. Não se trata de uma pergunta de compreensão literal, mas de análise da intenção comunicativa do autor. É fundamental lembrar que um texto pode apresentar várias funções, mas a questão pede a predominante.

O Texto e sua Estrutura

O texto é um artigo de divulgação científica, com caráter expositivo-informativo. O autor apresenta o debate sobre o vício em redes sociais, explica o mecanismo do reforço intermitente, discute o risco para os jovens e menciona uma ação do governo. Em nenhum momento o autor expressa suas emoções (função emotiva), tenta persuadir o leitor a adotar um comportamento (função conativa), ou usa a linguagem para falar da própria linguagem (função metalinguística). A mensagem é construída de forma objetiva e impessoal, com foco no assunto, o que caracteriza a função referencial.

A Técnica que Decide

Para identificar a função predominante, pergunte: qual elemento da comunicação está em evidência? No texto, o foco está no referente (o assunto: redes sociais e vício). O autor informa, explica e contextualiza, sem se colocar como centro (emissor), sem tentar convencer o leitor (receptor), sem explorar a forma da mensagem (mensagem), sem explicar o código (código) e sem focar no canal. A função referencial é a linguagem da informação objetiva, típica de textos jornalísticos, científicos e expositivos.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar a função da linguagem, pergunte-se: "O texto fala sobre algo (referencial), fala de si (emotiva), fala para alguém (conativa), fala da forma (poética), fala do código (metalinguística) ou fala do canal (fática)?" A resposta aponta a função predominante.

1Referencial (foco no referente)
Informa objetivamente
Textos jornalísticos e científicos
2Emotiva (foco no emissor)
Expressa sentimentos e opiniões
3Conativa (foco no receptor)
Persuade e usa imperativo
4Poética (foco na mensagem)
Valoriza forma e estética
5Metalinguística (foco no código)
Explica a própria linguagem
6Fática (foco no canal)
Testa e mantém a comunicação
Funções da linguagem
LEVELsoulevel.com.br
Funções da linguagem: Referencial (foco no referente) (Informa objetivamente, Textos jornalísticos e científicos); Emotiva (foco no emissor) (Expressa sentimentos e opiniões); Conativa (foco no receptor) (Persuade e usa imperativo); Poética (foco na mensagem) (Valoriza forma e estética); Metalinguística (foco no código) (Explica a própria linguagem); Fática (foco no canal) (Testa e mantém a comunicação)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Função poética. Esta função centra-se na mensagem, valorizando a forma, o estilo e os recursos estéticos (figuras de linguagem, conotação, ritmo). O texto é um artigo informativo, com linguagem clara e objetiva, sem preocupação estética. Não há metáforas, rimas ou construções criativas que coloquem a forma da mensagem em destaque. O foco está no conteúdo, não na forma.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Função metalinguística. Esta função centra-se no código, ou seja, a linguagem explica a própria linguagem. O texto não explica o significado de palavras, não discute a língua portuguesa nem usa o código para falar do código. Ele fala sobre um tema (redes sociais), não sobre a linguagem em si.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Função expressiva (emotiva). Esta função centra-se no emissor, expressando sentimentos, opiniões e emoções. O texto é impessoal, sem marcas de 1ª pessoa, sem adjetivos subjetivos e sem expressões de emoção. O autor não diz "eu acho" ou "é lamentável"; ele apresenta informações de forma neutra, como em "Especialistas compreendem, porém, que as redes sociais..." — a opinião é atribuída a terceiros, não ao autor.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Função referencial. Esta função centra-se no referente (o assunto), com o objetivo de informar de forma objetiva e impessoal. O texto é um artigo de divulgação científica que apresenta dados, cita instituições e explica mecanismos. Veja os exemplos:

"Em 2013, a APA (Associação Americana de Psiquiatria) do Estados Unidos introduziu a ideia de vício em jogos na internet no Manual Diagnóstico Estatístico de Transtornos Mentais"

"Na ciência, uma das principais táticas das redes sociais é o reforço intermitente. Ele consiste na ideia de que um usuário poderia ser recompensado a qualquer momento."

Esses trechos mostram a transmissão de informações verificáveis, com foco no assunto, sem subjetividade ou apelo ao leitor. A função referencial é a predominante.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Função conativa (apelativa). Esta função centra-se no receptor, com o objetivo de persuadi-lo, convencê-lo ou influenciá-lo. O texto não usa verbos no imperativo, não faz perguntas diretas ao leitor nem tenta convencê-lo a adotar um comportamento. Ele apenas informa sobre o tema, sem apelo persuasivo.

Conclusão: A função referencial é a única que se sustenta integralmente no texto, pois ele se centra no referente (o assunto), transmitindo informações objetivas de forma impessoal. As demais funções exigiriam características que o texto não apresenta: forma estética (poética), explicação do código (metalinguística), subjetividade do autor (expressiva) ou apelo ao leitor (conativa).

Gabarito: letra D

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