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Questão de Português — Figuras de Linguagem — Instituto Exittus 2023

PortuguêsFiguras de Linguagem
Código
qa508598
Banca
Instituto Exittus
Órgão
Pref PR do Colégio
Ano
2023
Cargo
Ag Faz ( )

Leia atentamente o texto abaixo:

 

CÂNTICO DA MULHER SEM TERRA

 

Lavrei e semeei a terra.

 

Fui também tão forte como ela.

 

Em nosso ventre, revolvido e violado, a semente colocada foi sempre fecundada.

 

Meu suor foi como a chuva que escorreu sobre ela, dia após dia.

 

Meus pés descalços deixaram-lhe marcas para que ela, ao sentir seu peso e meu gemido, devolvesse a semente em árvore e fruto a meus filhos.

 

Há anos que nós nos conhecemos – eu e a terra!

 

Sobre ela fui escrava sonhando com a liberdade.

 

Ajoelhei-me sobre o áspero solo para o ritual da semeadura.

 

Escutei-lhe os cânticos que saíam de suas profundezas para agradecer-me os cuidados.

 

O rio forte que por entre nós passava, louvava-nos a esperança.

 

Meus olhos cheios d’água, um dia, cobertos de sombras viram-na engolir o corpo de meu filho.

 

Molhei-a com minha angústia durante longos dias.

 

Invejei-a, então, pois depositei-lhe no ventre o filho que estivera antes no meu.

 

Amaldiçoei-lhe o roubo traiçoeiro.

 

Mas ela, calma e paciente, apenas ouviu-me.

 

Pouco tempo depois, dela brotou a plantação, verdejante e farta!

 

Foi a sua resposta para minha mágoa.

 

Esqueci a dor e recolhi os frutos, entusiasmada, para que outros filhos meus se tornassem fortes.

 

Amei-a novamente.

 

Corri cheia de alegria para festejar-lhe a florescência.

 

Rolei com meu homem sobre ela para que fôssemos gênese e natureza.

 

Passamos assim a sonhar juntas – eu e a terra – fêmeas e mães!

 

Fomos todos ali amantes e boêmios da temporada!

 

Acariciando as aves, as flores e toda a vegetação que nos cercavam. Até que um dia as mãos-feras invadiram nossa morada e nos tomaram tudo – o homem, a terra e a colheita!

 

Hoje, pisamos então sobre o cimento quente da cidade – como seres banidos.

 

Arrastando nossa dor – sempre eu e meus filhos – uns estranhos sem lugar algum!

 

Apenas carregamos conosco a saudade e a fome.

 

Meu corpo está árido – sem leite e sem alegria.

 

Vamos assim, caminhando ao encontro da morte que nos aguarda na próxima calçada!

 

(RIBEIRO, s/d, p. 21)

Sobre o poema acima, analise as assertivas e identifique com C as assertivas corretas e E as assertivas erradas.

 

( ) O trecho “Fui também tão forte como ela” apresenta a figura de linguagem denominada de metáfora.

 

( ) O trecho “Meus olhos cheios d’água, um dia, cobertos de sombras viram-na engolir o corpo de meu filho” apresenta a figura de linguagem denominada de eufemismo.

 

( ) No trecho “Molhei-a com minha angústia durante longos dias” encontramos a figura de linguagem denominada de metonímia.

 

( ) No trecho “Mas ela, calma e paciente, apenas ouviu-me” podemos encontrar a figura de linguagem denominada de personificação.

 

( ) O trecho “Meu corpo está árido – sem leite e sem alegria” encontramos a figura de linguagem denominada de metáfora.

 

A alternativa que contém a sequência correta, de cima para baixo, é:

  1. AE; C; E; C; C.
  2. BE; C; C; C; C.
  3. CE; C; E; E; C.
  4. DC; C; C; C; C.
  5. EC; E; C; E; C.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — E; C; E; C; C.

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