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Questão de Português — Partícula "Se" — INSTITUTO AOCP 2023

PortuguêsPartícula "Se"
Código
qa508693
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
UEAP
Ano
2023
Cargo
Ana ( )

MUITOS DADOS, POSSÍVEIS LEITURAS Carla Madureira Cruz (Instituo de Geociência – UFRJ)

 

Estamos cada vez mais exigentes aos detalhes do mundo que nos rodeia, seja espacial ou temporalmente. Ainda que não saibamos o limite de onde podemos chegar, seguramente romperemos as dificuldades de forma cada vez mais rápida. Vejamos a questão da escala…

 

Não faz muito tempo que observar o mundo através de manchas indicativas do tipo de ocupação (como é o caso das áreas urbanas e dos fragmentos florestais) era o que havia de melhor para fazer medições, monitoramentos e diagnósticos. Isso tudo a intervalos de anos, às vezes, décadas. Afinal, a produção cartográfica sempre foi, historicamente, um desafio complexo, exigindo tempo, métodos e recursos pouco triviais. Não é à toa que era restrita a poucos.

 

Atualmente, e cada vez mais rapidamente, temos sido capazes de romper muitas dessas fronteiras. E por que isto é importante? Porque a representação de dados depende da escala e esta, por sua vez, depende do conjunto de dados primários utilizados. Assim, se quisermos analisar um território de modo mais detalhado, precisaremos de dados suficientemente ajustados ao nível de escala exigido para cada demanda. Hoje, tornou-se comum trocarmos manchas por indivíduos (como casas e árvores) em algumas aplicações como as voltadas aos estudos urbanos.

 

As formas de levantamentos de dados são variáveis e podem ser do tipo in situ (no campo) ou remoto. Com o avanço tecnológico, cresce em qualidade e diversidade as opções remotas de obtenção de dados, como é o caso do sensoriamento remoto com suas múltiplas facetas. Ele nos permite acesso, cada vez mais amplo, a um parque de imagens muito variadas, que buscam atender a estudos e aplicações diversas. Afinal, a leitura espacial é um quesito fundamental para a quantificação e compreensão da evolução da paisagem, podendo considerar aspectos antrópicos ou naturais.

 

Com a facilidade tecnológica de acesso, produção e disponibilização de dados espaciais, as pressões por soluções que passam por essas representações espaciais só crescem. Ampliam-se os dados, expressos na maioria das vezes por imagens e mapas, mas também há um aumento, e aprofundamento, do conhecimento sobre as dinâmicas de eventos – informações consideradas cruciais para lidar com as complexidades do mundo atual.

 

Não devemos esquecer que o que existe e o que representamos nunca é a mesma coisa. Toda representação em escala carrega em si alguma perda, que denominamos generalização. E isso é importante, porque possibilita a análise de áreas maiores. O desafio, portanto, é saber escolher a escala adequada ao estudo: aquela que não invisibiliza o que precisamos observar e medir.

 

Adaptado de: https://cienciahoje.org.br/artigo/muitos-dados-possiveis-leituras/. Acesso em: 05 abr. 2023.

No excerto “Ampliam-se os dados [...]”, 5° parágrafo, o item em destaque
  1. Aé um pronome recíproco, como em “Eles se beijaram”.
  2. Bé um pronome reflexivo, como em “Ele se machucou”.
  3. Cpode ser omitido sem que isso prejudique a sintaxe ou a semântica do excerto.
  4. Dindica que o sujeito é indeterminado.
  5. Esinaliza que a oração está na voz passiva.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — sinaliza que a oração está na voz passiva.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A partícula “se” em “Ampliam-se os dados” — voz passiva sintética

Gabarito: letra E. No excerto “Ampliam-se os dados”, o “se” é partícula apassivadora, pois o verbo “ampliar” é transitivo direto e o termo “os dados” funciona como sujeito paciente — a oração está na voz passiva sintética. A prova está na possibilidade de conversão para a voz passiva analítica: “Os dados são ampliados”. Nenhuma outra alternativa se sustenta: o “se” não é reflexivo nem recíproco, não pode ser omitido sem prejuízo e não indetermina o sujeito.

O comando

A questão pede que você classifique a função do “se” no trecho destacado do 5º parágrafo. Isso é uma questão de gramática aplicada ao texto: não basta decorar a lista de funções do “se”; é preciso analisar a transitividade do verbo e o papel do termo que o acompanha na frase exata em que ele ocorre. O comando “o item em destaque” indica que a resposta deve ser ancorada no uso específico, não em regra genérica.

O texto e o trecho

No 5º parágrafo, a autora afirma:

“Ampliam-se os dados, expressos na maioria das vezes por imagens e mapas, mas também há um aumento, e aprofundamento, do conhecimento sobre as dinâmicas de eventos”

Aqui, o verbo “ampliar” é transitivo direto (quem amplia, amplia algo). O termo “os dados” é o objeto direto na voz ativa (“Alguém amplia os dados”), mas, com a partícula “se”, ele passa a ser o sujeito paciente da construção passiva sintética. A frase equivale a “Os dados são ampliados”.

A técnica que decide

Para classificar o “se”, siga este roteiro:

  1. Identifique a transitividade do verbo na frase: “ampliar” é VTD (exige objeto direto).

  2. Verifique se há um termo que possa ser sujeito paciente: “os dados” é um substantivo plural que pode receber a ação.

  3. Teste a conversão para a voz passiva analítica: “Os dados são ampliados” — se a conversão é possível, o “se” é partícula apassivadora (PA).

  4. Confira a concordância: o verbo concorda com o sujeito paciente (“Ampliam-se os dados” — plural).

Esse teste separa a PA do índice de indeterminação do sujeito (IIS): com IIS, o verbo é intransitivo ou transitivo indireto e fica sempre no singular (ex.: “Precisa-se de funcionários”). Como “ampliar” é VTD e “os dados” é sujeito paciente, não há indeterminação.

Análise das alternativas

1Partícula apassivadora (PA)
Verbo transitivo direto
Sujeito paciente
Concordância com o sujeito
Converte em voz passiva analítica
2Índice de indeterminação do sujeito (IIS)
Verbo intransitivo ou transitivo indireto
Verbo no singular
Não há sujeito explícito
3Pronome reflexivo
Sujeito age sobre si mesmo
4Pronome recíproco
Ação mútua entre sujeitos
Partícula "se"
LEVELsoulevel.com.br
Partícula "se": Partícula apassivadora (PA) (Verbo transitivo direto, Sujeito paciente, Concordância com o sujeito, Converte em voz passiva analítica); Índice de indeterminação do sujeito (IIS) (Verbo intransitivo ou transitivo indireto, Verbo no singular, Não há sujeito explícito); Pronome reflexivo (Sujeito age sobre si mesmo); Pronome recíproco (Ação mútua entre sujeitos)

Alternativa A — ❌ Incorreta

O “se” não é pronome recíproco. No exemplo “Eles se beijaram”, há dois ou mais sujeitos que praticam a ação um no outro (reciprocidade). Em “Ampliam-se os dados”, “os dados” não praticam ação alguma — eles recebem a ação de ampliar. Não há reciprocidade entre os dados.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O “se” não é pronome reflexivo. No exemplo “Ele se machucou”, o sujeito pratica e sofre a ação ao mesmo tempo (age sobre si mesmo). “Os dados” não ampliam a si mesmos; eles são ampliados por alguém. A ação não recai sobre o próprio sujeito, mas sobre ele como paciente.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O “se” não pode ser omitido sem prejuízo. Se retirássemos a partícula, teríamos “Ampliam os dados”, que é uma construção com sujeito indeterminado (3ª pessoa do plural) e sentido diferente — perde-se a noção de voz passiva. A omissão altera a sintaxe e a semântica da oração.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O “se” não indica sujeito indeterminado. Para isso, o verbo precisaria ser intransitivo ou transitivo indireto e ficar no singular (ex.: “Vive-se bem aqui”). Como “ampliar” é VTD e há sujeito paciente explícito (“os dados”), a construção é passiva sintética, não indeterminada.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O “se” sinaliza voz passiva sintética. A prova é a conversão para a analítica: “Os dados são ampliados”. O sujeito “os dados” é paciente, e o verbo concorda com ele no plural. Essa é a função clássica da partícula apassivadora com verbo transitivo direto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre partícula apassivadora e índice de indeterminação do sujeito. A distinção está na transitividade: VTD + “se” + termo plural = passiva sintética; VTI/VI + “se” + singular = indeterminação. Aqui, “ampliar” é VTD, então só pode ser passiva.

PEGA ESSA DICA!

Sempre que encontrar “se” com verbo, faça o teste da passiva analítica: se a frase pode ser reescrita com “ser + particípio” mantendo o sentido, o “se” é apassivador. Se não puder, investigue as outras funções.

Gabarito: letra E.

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