Questão de Português — Tipologia e Gênero Textual — INSTITUTO AOCP 2023
Português›Tipologia e Gênero Textual
Código
qa508697
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
UEAP
Ano
2023
Cargo
Ass Adm ( )
LÍNGUA NATIVA INFLUENCIA NA CONECTIVIDADE DO CÉREBRO, CONCLUI ESTUDO
Por Redação Galileu — 21/03/2023 — 16h19
Cientistas do Instituto Max Planck de Ciências Humanas Cognitivas e do Cérebro, na Alemanha, encontraram evidências de que o idioma que falamos molda a conectividade em nosso cérebro, possivelmente influenciando a maneira como pensamos. O trabalho será publicado na edição de abril da revista científica Neurolmage.
Com a ajuda de tomografias de ressonância magnética, os estudiosos examinaram profundamente cérebros de falantes nativos de alemão e árabe, e descobriram diferenças na fiação das regiões cerebrais associadas à linguagem.
Os dados mostraram que as conexões de axônios da substância branca da rede de linguagem se adaptam às demandas e dificuldades de processamento da língua materna. “Os falantes nativos de árabe mostraram uma conectividade mais forte entre os hemisférios esquerdo e direito do que os falantes nativos de alemão”, explica Alfred Anwander, último autor do estudo, em comunicado. "Esse fortalecimento também foi encontrado entre as regiões semânticas da linguagem e pode estar relacionado ao processamento semântico e fonológico relativamente complexo do árabe.”
Ainda de acordo com a pesquisa, os falantes nativos de alemão mostraram uma conectividade mais forte na rede de idiomas do hemisfério esquerdo. Os autores argumentam que suas descobertas podem estar relacionadas ao complexo processamento sintático do alemão, devido à ordem livre das palavras e à maior distância de dependência dos elementos da frase.
Esse é um dos primeiros estudos a documentar as diferenças entre os cérebros de pessoas que cresceram com diferentes idiomas nativos e pode dar pistas para entender as diferenças de processamento intercultural no cérebro. Em uma próxima análise, a equipe pretende investigar mudanças estruturais longitudinais no cérebro de adultos de língua árabe à medida que aprendem alemão ao longo de seis meses.
Adaptado de: https://revistagalileu.globo.com/sociedade/comportamento/noticia/2 023/03/lingua-nativa-influencia-na-conectividade-do-cerebroconclui- estudo.ghtml. Acesso em: 05 abr. 2028.
Considerando os recursos linguísticos empregados no texto, é correto afirmar que
Aele pertence ao gênero artigo de opinião.
Bnele predomina a tipologia injuntiva.
Chá diversas figuras de linguagem que contribuem para a subjetividade do texto.
Da presença massiva de termos técnicos condizente com o suporte do gênero, a saber, a revista científica Neurolmage.
Eseu grau de formalidade está adequado situação comunicativa.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoE — seu grau de formalidade está adequado situação comunicativa.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Gênero textual e adequação linguística: o texto jornalístico e seu grau de formalidade
Gabarito: letra E. O texto, uma notícia de divulgação científica publicada na revista Galileu, apresenta grau de formalidade adequado à situação comunicativa: linguagem culta, impessoal e objetiva, própria do gênero jornalístico, sem, contudo, ser excessivamente técnica ou rebuscada. As demais alternativas falham ao classificar erroneamente o gênero (A), a tipologia (B), o uso de figuras (C) ou o suporte do texto (D).
O comando: o que a questão pede
O enunciado "Considerando os recursos linguísticos empregados no texto, é correto afirmar que" pede uma análise dos aspectos linguísticos e discursivos do texto, não uma interpretação de seu conteúdo. Isso significa que devemos avaliar o gênero textual, a tipologia predominante, o uso de recursos expressivos e a adequação da linguagem ao contexto de produção. A questão exige, portanto, um conhecimento prévio sobre as características dos gêneros jornalísticos e das tipologias textuais, aplicado ao texto concreto.
O texto: tema, tese e movimento argumentativo
O texto é uma notícia de divulgação científica que relata uma pesquisa do Instituto Max Planck sobre a influência da língua nativa na conectividade cerebral. A tese central é apresentada logo no primeiro parágrafo: "o idioma que falamos molda a conectividade em nosso cérebro". O desenvolvimento traz os dados da pesquisa (diferenças entre falantes de alemão e árabe) e as hipóteses dos pesquisadores. O texto é predominantemente expositivo-informativo, pois seu objetivo é informar o leitor sobre uma descoberta científica, e não defender uma opinião ou convencer o leitor de algo. A linguagem é impessoal (3ª pessoa), objetiva e formal, com uso de termos técnicos da área de neurociência ("conectividade", "axônios", "substância branca"), mas sempre explicados ou contextualizados para o leitor leigo.
A técnica que decide: gênero, tipologia e adequação
A questão testa a capacidade de distinguir gênero textual (a forma concreta e situada do texto) de tipologia textual (a estrutura linguística predominante). O texto é uma notícia, gênero jornalístico informativo, e não um artigo de opinião, que é um gênero argumentativo. A tipologia predominante é a dissertativa-expositiva, pois o texto explica e informa, sem defender uma tese pessoal. Não há traços de injunção (instruções, ordens), nem de narração (sequência de eventos com personagens e enredo). Quanto às figuras de linguagem, o texto é denotativo, ou seja, usa as palavras em seu sentido literal, sem recursos expressivos que criem subjetividade. Por fim, a adequação linguística é total: o texto usa linguagem formal e técnica na medida certa para um veículo de divulgação científica, que busca informar um público amplo sem perder o rigor científico.
Análise das alternativas
Texto jornalístico: Gênero (Notícia de divulgação científica, Não é artigo de opinião); Tipologia (Dissertativa-expositiva, Não é injuntiva); Linguagem (Denotativa (sem figuras), Formal e impessoal, Adequada ao público)
Alternativa A — ❌ Incorreta
O texto não é um artigo de opinião. O artigo de opinião é um gênero argumentativo, em que o autor defende um ponto de vista pessoal sobre um tema polêmico, com o objetivo de convencer o leitor. O texto em questão é uma notícia de divulgação científica, cujo objetivo é informar sobre uma pesquisa, de forma impessoal e objetiva. O autor não emite opiniões nem defende uma tese; ele apenas relata os fatos e as conclusões dos pesquisadores. A alternativa confunde o gênero (notícia) com outro (artigo de opinião).
Alternativa B — ❌ Incorreta
A tipologia injuntiva (ou instrucional) tem como objetivo orientar, instruir ou prescrever procedimentos, utilizando verbos no imperativo ou infinitivo (ex.: "misture", "aqueça", "siga"). O texto em questão tem finalidade informativa, não instrucional. Ele não dá ordens nem ensina como fazer algo; apenas expõe os resultados de uma pesquisa. A tipologia predominante é a dissertativa-expositiva, que visa explicar e informar. A alternativa erra ao classificar a tipologia do texto.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O texto é predominantemente denotativo, ou seja, as palavras são usadas em seu sentido literal, sem recursos expressivos como metáforas, metonímias ou ironias. Não há "diversas figuras de linguagem" que contribuam para a subjetividade. Pelo contrário, o texto busca a objetividade e a impessoalidade, características do gênero jornalístico. A alternativa extrapola ao afirmar que há diversas figuras de linguagem, quando o texto é marcado pela linguagem denotativa e informativa.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa contém um erro factual: o texto foi publicado na revista Galileu, e não na revista científica NeuroImage. O texto menciona que o estudo "será publicado na edição de abril da revista científica NeuroImage", mas isso se refere ao estudo, não ao texto jornalístico. O texto em questão é uma notícia sobre o estudo, publicada na Galileu, uma revista de divulgação científica. Além disso, a alternativa afirma que a "presença massiva de termos técnicos" é condizente com o suporte, mas o texto, embora use termos técnicos, os apresenta de forma acessível ao público leigo, o que é típico da divulgação científica. A alternativa contradiz o texto ao atribuir a ele um suporte incorreto.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O texto apresenta grau de formalidade adequado à situação comunicativa. Trata-se de uma notícia de divulgação científica, publicada em uma revista de grande circulação, que busca informar um público amplo sobre uma descoberta científica. Para isso, utiliza uma linguagem culta, formal e impessoal, mas sem excesso de jargões técnicos, que poderiam dificultar a compreensão. O texto equilibra o rigor científico com a clareza necessária para o leitor leigo, o que demonstra adequação linguística ao gênero, ao suporte e ao público-alvo. A alternativa está inteiramente sustentada pelo texto, que é um exemplo de boa adequação da linguagem ao contexto comunicativo.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre gênero (notícia vs. artigo de opinião) e tipologia (expositiva vs. injuntiva), além de testar a atenção ao suporte do texto (revista Galileu vs. revista NeuroImage). A alternativa E é a única que não exige conhecimento externo, mas sim a observação direta da linguagem empregada.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de gênero e tipologia, pergunte-se: qual é a intenção do autor? Informar, convencer, instruir, narrar ou descrever? A resposta a essa pergunta define a tipologia. Em seguida, identifique o gênero (notícia, artigo, receita, etc.) e avalie se a linguagem está adequada a esse gênero e ao seu público.
Conclusão: a questão exige distinguir gênero, tipologia e adequação linguística. O texto é uma notícia de divulgação científica (gênero informativo), com tipologia dissertativa-expositiva, linguagem denotativa e formal, adequada ao seu suporte e público. A única alternativa que descreve corretamente esses aspectos é a letra E.