Questão de Português — Figuras de Linguagem — FUNDATEC 2023
Português›Figuras de Linguagem
Código
qa509048
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref BVB
Ano
2023
Cargo
Professor ( )
Segundo Cegalla (2008), as figuras de linguagem, também chamadas de figuras de estilo, são recursos especiais utilizados por quem fala ou escreve para dar à expressão mais força, intensidade, beleza e colorido. Tendo em vista o que preconiza esse autor sobre o tema, analise as assertivas a seguir:
I. As figuras de palavras também são conhecidas como tropos. Já as figuras de construção também são chamadas de figuras de sintaxe.
II. É necessário não confundir comparação com metáfora. Na metáfora, os dois termos que são comparados vêm expressos e unidos por nexos comparativos, como os vocábulos “como”, “tal”, “qual”.
III. A frase “A Cidade Maravilhosa continua linda” apresenta a figura de linguagem intitulada metonímia, pois faz uso de uma expressão que se refere a seres por meio de alguma de suas características ou de um fato pelo qual são muito conhecidos.
IV. A figura de linguagem classificada como inversão ocorre quando alteramos a ordem natural de termos ou de orações com o intuito de lhes dar destaque. Em geral, o termo que desejamos destacar é colocado no início da frase.
Quais estão corretas?
AApenas I.
BApenas II.
CApenas I e III.
DApenas I e IV.
EApenas II e IV.
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GabaritoD — Apenas I e IV.
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Figuras de linguagem: tropos, metáfora, metonímia e inversão
Gabarito: letra D (Apenas I e IV). A questão cobra o conhecimento das figuras de linguagem conforme Cegalla. As assertivas I e IV estão corretas: as figuras de palavras são chamadas de tropos e as de construção de figuras de sintaxe; a inversão (hipérbato) altera a ordem natural dos termos para dar destaque. As assertivas II e III estão erradas: a metáfora não usa conectivos comparativos (isso é da comparação), e a frase “A Cidade Maravilhosa continua linda” é um caso de perífrase/antonomásia, não de metonímia.
O comando
A questão pede que você julgue a veracidade de cada assertiva com base na doutrina de Cegalla sobre figuras de linguagem. Não há texto-base além do enunciado; o que se avalia é o domínio conceitual das figuras. O verbo “analise” indica que você deve verificar cada item individualmente e depois marcar a combinação correta.
O que você precisa saber
As figuras de linguagem dividem-se em quatro grandes grupos: figuras de palavras (ou tropos), figuras de pensamento, figuras de construção (ou de sintaxe) e figuras de som. As figuras de palavras operam por substituição de sentido (metáfora, metonímia, catacrese, perífrase, sinestesia, etc.). As figuras de construção mexem na estrutura sintática (elipse, zeugma, hipérbato, pleonasmo, anáfora, etc.).
A metáfora é uma comparação implícita, sem conectivo: “Ele é um leão” (não há “como”). A comparação (símile) é explícita, com conectivos como “como”, “tal qual”, “assim como”. A metonímia substitui um termo por outro com relação de proximidade (autor pela obra, parte pelo todo, etc.). A perífrase (ou antonomásia) designa alguém ou algo por uma característica ou qualidade — “Cidade Maravilhosa” é perífrase do Rio de Janeiro. A inversão (hipérbato) altera a ordem direta (sujeito + verbo + complemento) para dar ênfase.
A técnica que decide
Para cada assertiva, pergunte: a definição apresentada corresponde exatamente à figura nomeada? A banca adora inverter definições entre figuras próximas (metáfora × comparação) e confundir perífrase com metonímia. Fique atento aos conectivos (como, tal qual) — eles são a marca da comparação, não da metáfora. E lembre: metonímia exige relação de contiguidade (autor/obra, parte/todo), enquanto a perífrase usa qualidade ou característica.
Figuras de linguagem
1Figuras de palavras (tropos)
Metáfora
comparação implícita
sem conectivo
Metonímia
relação de proximidade
autor/obra, parte/todo
Perífrase (antonomásia)
qualidade/característica
"Cidade Maravilhosa"
2Figuras de construção (sintaxe)
Inversão (hipérbato)
altera ordem natural
dá destaque
Elipse, zeugma, pleonasmo
3Figuras de pensamento
4Figuras de som
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Item I — ✅ Correta
A assertiva afirma que as figuras de palavras são chamadas de tropos e as de construção de figuras de sintaxe. Isso está correto: “tropos” é o termo tradicional para as figuras de palavras (do grego tropos, “virada”, “desvio de sentido”), e as figuras de construção também são conhecidas como figuras de sintaxe, pois alteram a estrutura da frase. A assertiva está correta.
Item II — ❌ Incorreta
A assertiva diz que na metáfora os dois termos vêm expressos e unidos por nexos comparativos (“como”, “tal”, “qual”). Isso é o oposto: na metáfora não há conectivo; a comparação é implícita. Quando há conectivo, temos comparação (símile). Exemplo: “Seus olhos são duas estrelas” (metáfora) vs. “Seus olhos brilham como estrelas” (comparação). A assertiva inverteu a definição — erro clássico de troca de conceito.
Item III — ❌ Incorreta
A frase “A Cidade Maravilhosa continua linda” usa “Cidade Maravilhosa” para designar o Rio de Janeiro. Isso é perífrase (ou antonomásia), pois substitui o nome próprio por uma qualidade ou característica marcante. A metonímia exigiria uma relação de proximidade (ex.: “Li Machado de Assis” = a obra do autor). A assertiva classificou erroneamente a figura — erro de troca de conceito.
Item IV — ✅ Correta
A assertiva define inversão (hipérbato) como a alteração da ordem natural dos termos para dar destaque, colocando o termo enfatizado no início. Isso está correto. Exemplo: “Doce são os frutos” (em vez de “Os frutos são doces”). A inversão é uma figura de construção/sintaxe. A assertiva está correta.
Conclusão
Corretas: I e IV. A banca explorou duas pegadinhas: inverter a definição de metáfora (item II) e confundir perífrase com metonímia (item III). Para acertar, lembre-se: metáfora = sem conectivo; comparação = com conectivo; perífrase = qualidade; metonímia = proximidade.