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Questão de Português — Partícula "Se" — Quadrix 2023

PortuguêsPartícula "Se"
Código
qa509157
Banca
Quadrix
Órgão
CRM TO
Ano
2023
Cargo
Adm ( )

Em um experimento pioneiro, cientistas do Reino Unido e dos Estados Unidos da América (EUA) criaram, em laboratório, modelos de embriões humanos sintéticos a partir de células‑tronco. A estrutura se parece com as primeiras etapas de desenvolvimento humano, mas não é como um embrião natural — não foi criada com espermatozoides e óvulos. O resultado do trabalho, apresentado na reunião anual da Sociedade Internacional para Pesquisa de Células‑Tronco, em junho de 2023, nos EUA, poderá ajudar a aprofundar entendimentos sobre doenças genéticas e causas biológicas de abortos espontâneos, segundo os autores, mas suscita debates sobre limites éticos na saúde.

 

“Eles são modelos de embriões muito parecidos com embriões humanos, um caminho muito importante para descobrir por que tantas gestações falham, já que a maioria desses problemas ocorre na época do desenvolvimento em que se constroem essas estruturas”, afirmou Magdalena Zernicka‑Goetz, professora da Universidade de Cambridge e do Instituto de Tecnologia da Califórnia, durante a apresentação do estudo, que ainda não foi revisado por pares.

 

Salmo Raskin, especialista em pediatria e genética e diretor do Laboratório Genetika, em Curitiba, afirma que o aperfeiçoamento conquistado pelo grupo de cientistas é indiscutível, pois, há até pouco tempo, pesquisadores esbarravam em enormes dificuldades técnicas na hora de transformar células‑tronco em tecidos extraembrionários.

 

Ainda de acordo com o especialista, o trabalho é pioneiro, porém, também desperta dúvidas sobre os limites éticos em experimentos desse tipo. As diretrizes da Sociedade Internacional para Pesquisa de Células‑Tronco sobre o tema afirmam que “a pesquisa científica em e com embriões humanos e linhagens de células‑tronco embrionárias em cultura é vista como eticamente permissível em muitos países quando realizada sob rigorosa supervisão científica e ética”.

 

Em comunicado sobre o estudo, Kathryn MacKay, professora de ética na saúde da Universidade de Sydney, na Austrália, também cita a questão e aponta que é preciso entender se o modelo criado em laboratório poderia continuar a se desenvolver. “Há uma questão moral envolvida na criação de algo para pesquisa que pode ou não ter o potencial de viver como a própria entidade completa. Se eles puderem viver como as próprias entidades plenas, então devemos perguntar se é moralmente permissível criar seres vivos apenas para fins de pesquisa”, defende.

 

Álvaro Pigatto Ceschin, presidente da Associação Brasileira de Reprodução Assistida, sublinha que o cuidado é essencial em estudos que lidam com a vida humana: “A questão ética, ao se lidar com embriões, especialmente embriões da espécie humana, deve ser levada em consideração sempre com muita cautela, com muita atenção, porque o limiar ético entre aquilo que é novo e aquilo que é possível ser feito deve sempre ser respeitado”.

 

Internet: <em.com.br> (com adaptações).

Texto     Em relação aos aspectos linguísticos do texto, julgue o item   No trecho “se é moralmente permissível”, o vocábulo “se” indica que o sujeito da oração é indeterminado.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Função da partícula "se" no trecho "se é moralmente permissível"

Gabarito: E (Errado). No trecho citado, o vocábulo "se" não é índice de indeterminação do sujeito; ele é uma conjunção subordinativa integrante, que introduz uma oração subordinada substantiva subjetiva. A afirmação da banca está incorreta porque, nesse contexto, o "se" não indetermina o sujeito — ele apenas conecta a oração principal à oração que funciona como sujeito do verbo "perguntar".

O comando da questão

A questão pede uma análise sintática de um vocábulo específico dentro do texto. Não se trata de interpretação de sentido, mas de classificação gramatical da partícula "se" no contexto em que aparece. Para resolver, é preciso identificar a função sintática do "se" e, consequentemente, a estrutura da oração em que ele se insere.

O trecho em análise

No texto, a professora Kathryn MacKay afirma:

"Se eles puderem viver como as próprias entidades plenas, então devemos perguntar se é moralmente permissível criar seres vivos apenas para fins de pesquisa"

O trecho destacado pela questão é "se é moralmente permissível". Nessa passagem, o "se" não está ligado a um verbo transitivo indireto, intransitivo ou de ligação para indeterminar o sujeito. Ele introduz uma oração que responde à pergunta "o que devemos perguntar?" — ou seja, é uma conjunção subordinativa integrante, que inicia uma oração subordinada substantiva subjetiva, funcionando como sujeito do verbo "perguntar".

A técnica para identificar a função do "se"

Para não errar em questões como esta, siga o passo a passo:

  1. Identifique o verbo da oração em que o "se" aparece. No caso, o verbo é "é" (verbo de ligação).

  2. Verifique se o "se" pode ser substituído por "isso". Se sim, trata-se de conjunção integrante. Ex.: "devemos perguntar isso" — a oração "se é moralmente permissível" equivale a "isso".

  3. Confirme se o "se" está ligado a um verbo que admite objeto direto. Se estiver, pode ser partícula apassivadora. Se estiver ligado a verbo transitivo indireto, intransitivo ou de ligação, e não houver termo que funcione como sujeito, aí sim será índice de indeterminação do sujeito.

No trecho, o "se" não está ligado a um verbo que exija complemento sem preposição (VTD), nem a um verbo intransitivo ou transitivo indireto que permita indeterminação. Ele é uma conjunção integrante, pois introduz uma oração que funciona como sujeito da oração principal.

A pegadinha da banca

A banca tenta confundir o candidato ao afirmar que o "se" indetermina o sujeito. Isso seria verdade em construções como "Precisa-se de funcionários" ou "Vive-se bem aqui", em que o "se" é índice de indeterminação do sujeito. No entanto, no trecho do texto, o "se" tem outra função: ele é uma conjunção subordinativa integrante, que introduz uma oração subordinada substantiva subjetiva. A oração "se é moralmente permissível" funciona como sujeito do verbo "perguntar" — não há indeterminação, pois o sujeito é a própria oração.

Conclusão

A assertiva está errada porque classifica incorretamente a partícula "se". No trecho "se é moralmente permissível", o "se" é conjunção subordinativa integrante, e não índice de indeterminação do sujeito. A oração que ele introduz exerce a função de sujeito da oração principal, o que afasta qualquer ideia de indeterminação.

Partícula "se"
  • 1Índice de indeterminação do sujeito
    • Verbo intransitivo, de ligação ou VTI
    • Sem sujeito expresso
    • Ex.: "Precisa-se de funcionários"
  • 2Conjunção subordinativa integrante
    • Introduz oração subordinada substantiva
    • Substituível por "isso"
    • Ex.: "perguntar se é permissível"
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Gabarito: E (Errado).

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