Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — Quadrix 2023

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
qa509975
Banca
Quadrix
Órgão
CRT ES
Ano
2023
Cargo
Ag Fisc ( )

Texto para o item.

 

O que é o ruído marrom, que promete acalmar o cérebro e combater o déficit de atenção

 

Talvez você não saiba, mas existem alguns sons com nomes de cor. Os mais conhecidos são o ruído branco, que contém a mesma intensidade sonora em todas as frequências audíveis pelo ouvido humano (o resultado lembra o som emitido por uma TV fora do ar), e o ruído rosa, que também é uma mistura de todas as frequências, só que um pouco mais intenso nos sons médios. O ruído marrom é como o branco e o rosa, só que mais grave – porque as frequências médias e as agudas estão presentes em menor proporção. Ele tem esse nome por causa do movimento browniano, um fenômeno identificado pelo biólogo escocês Robert Brown, em 1827.

 

Brown constatou que, quando as partículas estão suspensas em um meio (ele usou pólen, mergulhado na água e observado por um microscópio), elas tendem a se movimentar de uma forma aleatória, mas, ao mesmo tempo, característica. O ruído marrom tem esse nome porque, se ele for representado graficamente, o resultado fica similar à representação de um padrão browniano, com mais elementos de baixa frequência (que oscilam menos vezes por segundo) e menos elementos de alta frequência (que oscilam mais vezes por segundo).

 

Na prática, ele é mais agradável aos ouvidos do que os outros ruídos coloridos, já que é menos agudo – e, por isso, começou a fazer sucesso nas redes. Mas e o déficit de atenção, onde entra? Existem alguns estudos científicos demonstrando que o ruído branco realmente pode melhorar a concentração de crianças com transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Os adeptos do ruído marrom, sobre o qual não há estudos similares, simplesmente transpuseram essas conclusões.

 

Uma hipótese sobre o efeito do ruído branco (e, presumivelmente, do marrom) é que ele cria um estímulo constante, que ocupa e sacia o cérebro – atenuando a sensação de inquietação e desconcentração causada, em quem sofre de TDAH, pela falta do neurotransmissor dopamina.

 

Ele é, no mínimo, bem calmante – lembra o som de ondas quebrando na praia. E mal não faz. Desde que você tome um cuidado bem importante: o volume dos seus fones de ouvido. A exposição prolongada a sons altos causa danos auditivos irreversíveis – e aqueles contínuos e agradáveis, como o ruído marrom, podem ser especialmente perigosos, porque o volume pode não parecer tão alto quanto realmente está.

 

Se você for escutar o ruído marrom – o YouTube está cheio de versões e variações, com chuva e com outros sons relaxantes adicionados –, ouça sempre em volume baixo e evite a exposição contínua (parando a cada 15 ou 30 minutos, por exemplo, para dar tempo de os ouvidos descansarem).

 

Internet: <www.super.abril.com.br> (com adaptações).

Quanto à ortografia oficial, à correção gramatical e à coerência das substituições propostas para os vocábulos e os trechos destacados do texto, julgue o item a seguir.

 

“presumivelmente” por porventura

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição de "presumivelmente" por "porventura" — sentido alterado

Gabarito: letra C (Certo). A substituição de "presumivelmente" por "porventura" altera o sentido do trecho, pois a primeira expressa probabilidade (algo que se supõe, que se acredita ser verdadeiro), enquanto a segunda expressa possibilidade (algo que pode ou não acontecer, eventualidade). No texto, o autor afirma que "Uma hipótese sobre o efeito do ruído branco (e, presumivelmente, do marrom) é que ele cria um estímulo constante", ou seja, ele supõe que o efeito se estenda ao ruído marrom — não que isso seja mera eventualidade. A troca quebraria a coerência, pois "porventura" introduziria uma dúvida sobre a própria existência do efeito, e não sobre a extensão dele.

O comando da questão

A banca pede que se julgue a substituição de um vocábulo por outro, considerando ortografia oficial, correção gramatical e coerência. O foco aqui não é a grafia (ambas as palavras estão corretas), nem a gramática (ambas são advérbios e se encaixam sintaticamente), mas sim a manutenção do sentido. A questão é clássica de reescritura sem alteração de sentido: a substituição só seria válida se o novo termo preservasse o valor semântico do original no contexto.

O texto e o ponto decisivo

No 4º parágrafo, o autor apresenta uma hipótese sobre o efeito do ruído branco e, por extensão, do marrom:

"Uma hipótese sobre o efeito do ruído branco (e, presumivelmente, do marrom) é que ele cria um estímulo constante, que ocupa e sacia o cérebro"

A palavra "presumivelmente" indica que o autor supõe, acredita, deduz que o mesmo efeito se aplica ao ruído marrom. É uma inferência do autor baseada na semelhança entre os dois ruídos. Já "porventura" significa "por acaso", "talvez", "casualmente" — expressa eventualidade, possibilidade aleatória, sem o caráter de suposição fundamentada.

A técnica: probabilidade × possibilidade

A distinção central é entre dois valores modais:

Termo

Valor semântico

Efeito no texto

presumivelmente

Probabilidade (suposição, dedução)

O autor acredita que o efeito se estende ao marrom

porventura

Possibilidade (eventualidade, acaso)

O efeito no marrom seria mero acaso, sem base

A troca não preserva o sentido: o autor não diz que o efeito "por acaso" se aplica ao marrom; ele diz que se presume que se aplique. A substituição introduz uma dúvida sobre a própria existência do efeito no ruído marrom, quando o texto afirma uma suposição razoável.

Análise da assertiva

Assertiva — ✅ CERTO (a substituição altera o sentido)

A assertiva está correta ao afirmar que a substituição compromete a coerência. O trecho original expressa uma hipótese fundamentada (presumivelmente), enquanto "porventura" expressaria mera eventualidade. A troca altera o sentido e, portanto, a substituição é inadequada.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre probabilidade (presumivelmente) e possibilidade (porventura). Ambos são advérbios e parecem intercambiáveis, mas têm valores modais distintos: um expressa suposição, o outro, acaso.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de substituição, pergunte-se: "o novo termo mantém o valor semântico do original no contexto?" Se houver mudança de probabilidade para possibilidade, de certeza para dúvida, de causa para consequência, a troca é inadequada.

Conclusão: a substituição de "presumivelmente" por "porventura" altera o sentido do texto, pois troca uma suposição por uma eventualidade. A assertiva está correta.

Gabarito: letra C (Certo).

Link permanente: /questoes/qa509975