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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — Quadrix 2023

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
qa509985
Banca
Quadrix
Órgão
IIER
Ano
2023
Cargo
ATAS ( )

Texto para a questão.

 

Tem-se dito que muitas descobertas científicas são feitas ao acaso. O acaso, já dizia Pasteur, só favorece os espíritos preparados e não prescinde da observação. A descoberta da penicilina constitui um exemplo típico disso.

 

Alexander Fleming, bacteriologista do St. Mary’s Hospital, de Londres, vinha, há algum tempo, pesquisando substâncias capazes de matar ou impedir o crescimento de bactérias em feridas infectadas. Em 1928, Fleming desenvolvia pesquisas sobre estafilococos, quando descobriu a penicilina. A descoberta deu-se em condições peculiaríssimas, graças a uma sequência de acontecimentos imprevistos e surpreendentes.

 

No mês de agosto daquele ano, Fleming tirou férias e deixou algumas placas com culturas de estafilococos sobre a mesa, em vez de guardá-las na geladeira ou inutilizá-las, como seria natural. Quando retornou ao trabalho, em setembro, observou que algumas das placas estavam contaminadas com mofo. Colocou-as, então, em uma bandeja para limpeza e esterilização. Neste exato momento, entrou no laboratório um colega seu, dr. Pryce, perguntando-lhe como iam suas pesquisas. Fleming apanhou novamente as placas para explicar ao colega alguns detalhes sobre as culturas de estafilococos, quando notou que havia, em uma das placas, um halo transparente em torno do mofo contaminante, o que parecia indicar que aquele fungo produzia uma substância bactericida.

 

O fungo foi identificado como pertencente ao gênero Penicillium, donde deriva o nome dado à substância por ele produzida. Fleming passou a empregá-la em seu laboratório para selecionar determinadas bactérias, eliminando das culturas as espécies sensíveis à sua ação.

 

Inicialmente, a descoberta de Fleming não despertou maior interesse. Contudo, alguns anos mais tarde, Ronald Hare, colega de trabalho de Fleming, tentou, sem êxito, “redescobrir” a penicilina em condições semelhantes às que envolveram a descoberta de Fleming. Após muitas experiências, verificou que a descoberta da penicilina só foi possível graças a uma série inacreditável de coincidências, como: o fungo que contaminou a placa teria vindo pela escada do andar inferior, onde se realizavam pesquisas sobre fungos; no mês de agosto daquele ano, em pleno verão, sobreveio uma inesperada onda de frio em Londres, que proporcionou a temperatura ideal ao crescimento lento da cultura; a providencial entrada do dr. Pryce no laboratório permitiu que Fleming reexaminasse as placas contaminadas e observasse o halo transparente em torno do fungo, antes de sua inutilização.

 

Apesar dessas felizes coincidências, se Fleming não tivesse a mente preparada, não teria valorizado o halo transparente em torno do fungo e descoberto a penicilina.

 

Luisa Costa. Como a peste bubônica pode influenciar na saúde dos europeus hoje. In: Revista Superinteressante, out./2022 (com adaptações).

Cada uma das alternativas a seguir apresenta uma proposta de reescrita para o trecho “O acaso, já dizia Pasteur, só favorece os espíritos preparados e não prescinde da observação”. Assinale a alternativa em que a reescrita apresentada mantém os sentidos e a correção gramatical do trecho.
  1. AO acaso Pasteur já dizia só favorece os espíritos preparados e não prescinde da observação.
  2. BO acaso, já dizia Pasteur, só favorece os espíritos preparados que não prescindem da observação.
  3. CPasteur já dizia, o acaso, só favorece os espíritos preparados e não prescinde da observação.
  4. DPasteur já dizia que o acaso só favorece os espíritos preparados e não dispensa a observação.
  5. EPasteur já dizia que o acaso só favorece os espíritos preparados, não depende da observação.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Pasteur já dizia que o acaso só favorece os espíritos preparados e não dispensa a observação.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita de trecho: sentido e correção gramatical

Gabarito: letra D. A reescrita correta é a que transforma o discurso direto em indireto com o verbo dizer + conjunção que, mantém o sentido de "não prescinde" por "não dispensa" e preserva a correção gramatical. A passagem original — "O acaso, já dizia Pasteur, só favorece os espíritos preparados e não prescinde da observação" — é reescrita em D como "Pasteur já dizia que o acaso só favorece os espíritos preparados e não dispensa a observação", sem alterar o sentido e sem erro de regência ou concordância.

O comando

A questão pede uma reescrita que mantenha os sentidos e a correção gramatical do trecho original. Isso significa que a alternativa correta deve:

  • preservar o conteúdo proposicional (o que Pasteur dizia);

  • manter a relação entre as ideias (o acaso favorece os preparados E não prescinde da observação);

  • não introduzir erro de regência, concordância, pontuação ou troca de sentido.

Aqui, o foco está na substituição de palavras e na transformação do discurso direto em indireto — duas operações clássicas de reescrita.

O texto e a passagem

No texto, a frase aparece no primeiro parágrafo:

"O acaso, já dizia Pasteur, só favorece os espíritos preparados e não prescinde da observação."

A estrutura é: oração principal "já dizia Pasteur" intercalada entre o sujeito "O acaso" e o predicado "só favorece...". O verbo prescindir rege a preposição de e significa não precisar, não necessitar, dispensar. Portanto, "não prescinde da observação" = "não dispensa a observação".

A técnica: reescrita sem alteração de sentido

Para resolver, você deve testar cada alternativa perguntando: o texto autoriza esta reescrita? Ou seja:

  • A reescrita mantém o mesmo conteúdo proposicional?

  • A reescrita mantém a mesma relação entre as ideias (coordenação, subordinação, etc.)?

  • A reescrita respeita a regência e a concordância?

A alternativa D faz exatamente isso: transforma o discurso direto em indireto ("Pasteur já dizia que..."), substitui "prescinde" por "dispensa" (sinônimo perfeito no contexto) e mantém a coordenação com "e".

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

"O acaso Pasteur já dizia só favorece os espíritos preparados e não prescinde da observação."

Erro: pontuação e estrutura sintática. A ausência das vírgulas que isolam a oração intercalada "já dizia Pasteur" torna o trecho ambíguo e gramaticalmente incorreto. Sem as vírgulas, o leitor pode interpretar "O acaso Pasteur" como um sintagma, o que quebra a estrutura original. A reescrita não mantém a correção gramatical.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"O acaso, já dizia Pasteur, só favorece os espíritos preparados que não prescindem da observação."

Erro: alteração da relação de sentido. A oração "que não prescindem da observação" é uma oração subordinada adjetiva restritiva, que restringe o sentido de "espíritos preparados". No original, "e não prescinde da observação" é uma oração coordenada sindética aditiva, que acrescenta uma informação sobre o acaso, não sobre os espíritos. A reescrita muda o referente: agora a observação é dispensada pelos espíritos, não pelo acaso. Isso altera o sentido.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Pasteur já dizia, o acaso, só favorece os espíritos preparados e não prescinde da observação."

Erro: pontuação e estrutura sintática. A vírgula após "dizia" separa o verbo de seu complemento, criando uma estrutura quebrada. A oração "o acaso" fica solta, sem função sintática clara. A reescrita não mantém a correção gramatical.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Pasteur já dizia que o acaso só favorece os espíritos preparados e não dispensa a observação."

Correta. A reescrita:

  • Transforma o discurso direto em indireto com a conjunção "que" ("Pasteur já dizia que...");

  • Substitui "prescinde" por "dispensa", que são sinônimos no contexto ("não prescinde da observação" = "não dispensa a observação");

  • Mantém a coordenação aditiva com "e";

  • Preserva a regência: "dispensar" é transitivo direto, assim como "prescindir de" (que exige preposição "de"). A troca é válida porque "dispensar" não exige preposição, mas o sentido é mantido.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Pasteur já dizia que o acaso só favorece os espíritos preparados, não depende da observação."

Erro: troca de sentido. "Não depende da observação" é diferente de "não prescinde da observação". "Depender" significa "estar condicionado a", enquanto "prescindir" significa "dispensar, não precisar". A reescrita inverte o sentido: no original, o acaso não dispensa a observação (ou seja, precisa dela); em E, o acaso não depende da observação (ou seja, não precisa dela). Além disso, a vírgula antes de "não depende" transforma a oração em coordenada assindética, mas o sentido continua errado.

Conclusão

A única alternativa que mantém os sentidos e a correção gramatical é a letra D. As demais ou quebram a estrutura sintática (A, C), ou alteram a relação de sentido (B), ou trocam o sentido por um antônimo (E).

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca "prescindir" por "depender" (E) e por "dispensar" (D). "Dispensar" é sinônimo perfeito de "prescindir" no contexto; "depender" inverte o sentido. Além disso, a alternativa B altera a relação de sentido ao transformar a oração coordenada em adjetiva restritiva.

PEGA ESSA DICA!

Ao reescrever, teste cada alternativa perguntando: "o texto autoriza esta reescrita?" — verifique se o sentido, a regência e a relação entre as ideias foram preservados. Desconfie de trocas de verbos que parecem sinônimos, mas não são (como "depender" por "prescindir").

Gabarito: letra D

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