Questão de Português — Outras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática) — Quadrix 2023
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Código
qa509993
Banca
Quadrix
Órgão
IIER
Ano
2023
Cargo
Tec Enf ( )
Texto para a questão.
As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e dureza assombrosa. Só que elas não percebem. Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser. Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos. Dor. Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder um emprego, ficar pobre. Pode ser fogo de dentro. Pânico, medo, ansiedade, depressão — sofrimentosE)cujasA,B) causas ignoramosE).
Rubem Alves. A pipoca. Internet: <https://seremrelacao.com.br>.
Considerando as ideias e os aspectos linguísticos do texto, assinale a alternativa correta.
AO termo “cujas”, classificado morfologicamente como uma conjunção subordinativa, estabelece no texto uma relação de causa entre duas orações.
BO termo “cujas”, classificado morfologicamente como uma conjunção coordenativa, estabelece no texto uma relação de posse entre duas orações.
CDepreende-se do texto que as causas do pânico, do medo, da ansiedade e da depressão são conhecidas.
DDe acordo com o texto, as causas do pânico, do medo, da ansiedade e da depressão são desconhecidas.
ENo trecho “sofrimentos cujas causas ignoramos”, o termo “cujas”, classificado morfologicamente como um pronome relativo, estabelece uma relação de concordância nominal com o termo antecedente, “sofrimentos”.
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GabaritoD — De acordo com o texto, as causas do pânico, do medo, da ansiedade e da depressão são desconhecidas.
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O pronome relativo "cujas" e a inferência sobre as causas dos sofrimentos
Gabarito: letra D. A alternativa correta afirma que as causas do pânico, do medo, da ansiedade e da depressão são desconhecidas, o que está literalmente no texto: o autor escreve "sofrimentos cujas causas ignoramos". A banca mistura duas cobranças: uma de gramática (a classificação do "cujas") e outra de interpretação (o que o texto diz sobre as causas). A letra D é a única que une a leitura correta do trecho à classificação morfológica adequada, pois as alternativas A, B e E erram justamente na classe gramatical do termo.
O comando da questão
O enunciado pede a alternativa correta considerando "as ideias e os aspectos linguísticos do texto". Isso significa que a questão testa dois campos ao mesmo tempo: a compreensão (o que o texto afirma) e a gramática aplicada (a classificação e a função de um termo específico). A armadilha está em separar essas duas frentes: uma alternativa pode estar certa na interpretação, mas errada na gramática (ou vice-versa). A letra E, por exemplo, acerta ao classificar "cujas" como pronome relativo, mas erra ao dizer que ele estabelece "concordância nominal" com o antecedente — o que ele faz é retomar o termo "sofrimentos" e estabelecer uma relação de posse (as causas dos sofrimentos).
O texto e o movimento argumentativo
O texto de Rubem Alves é uma metáfora sobre as transformações da vida: o "fogo" representa as situações de dor e sofrimento que nos mudam. No trecho final, o autor lista sofrimentos internos — "Pânico, medo, ansiedade, depressão" — e os qualifica como "sofrimentos cujas causas ignoramos". Essa expressão é a chave da questão: o pronome relativo "cujas" retoma "sofrimentos" e indica que não sabemos as causas desses sofrimentos. A inferência correta é exatamente essa: as causas são desconhecidas.
A técnica que decide
Para resolver, você precisa de dois conhecimentos:
Gramática: "cujas" é um pronome relativo (não conjunção), que introduz uma oração subordinada adjetiva e estabelece relação de posse entre o antecedente e o termo seguinte. No trecho, "cujas causas" = "as causas dos sofrimentos".
Interpretação: o verbo "ignoramos" significa "não sabemos". Portanto, o texto afirma que as causas são desconhecidas.
A alternativa D une esses dois pontos: afirma que as causas são desconhecidas, o que está explícito no texto. As demais erram ou na gramática (A, B) ou na interpretação (C) ou na função do pronome (E).
Análise das alternativas
"Cujas"
1Classe gramatical
Pronome relativo (não conjunção)
Introduz oração subordinada adjetiva
2Função
Retoma o antecedente "sofrimentos"
Estabelece relação de posse
3Concordância
Flexiona com "causas" (fem. plural)
Não é função de concordância nominal
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Erro: classificação morfológica. "Cujas" não é conjunção subordinativa; é pronome relativo. Além disso, não estabelece relação de causa entre orações, mas de posse. O trecho "sofrimentos cujas causas ignoramos" poderia ser reescrito como "sofrimentos, e ignoramos as causas deles" — relação de posse, não de causa.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erro: classificação morfológica. Também erra ao chamar "cujas" de conjunção coordenativa. O termo é pronome relativo. A relação de posse está correta, mas a classe gramatical está errada, o que invalida a alternativa.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto. O texto diz "cujas causas ignoramos", ou seja, não conhecemos as causas. A alternativa afirma o oposto: que as causas são conhecidas. Isso contradiz diretamente o trecho citado.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Correta. O texto afirma: "sofrimentos cujas causas ignoramos". O verbo "ignorar" significa "não saber". Portanto, as causas do pânico, medo, ansiedade e depressão são desconhecidas. A alternativa é uma paráfrase fiel do trecho.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro: função do pronome. A alternativa acerta ao classificar "cujas" como pronome relativo, mas erra ao dizer que estabelece "concordância nominal" com o antecedente. Na verdade, o pronome relativo retoma o antecedente "sofrimentos" e estabelece relação de posse (as causas dos sofrimentos). Concordância nominal é outra coisa: é a flexão de gênero e número entre substantivo e adjetivo/artigo/pronome adjetivo. Aqui, "cujas" concorda com "causas" (feminino plural), mas a função é de retomada e posse, não de concordância nominal.
NÃO CAIA NESSA!
A banca mistura gramática e interpretação. A letra E parece correta porque acerta na classe do "cujas", mas erra na função. A letra C inverte o sentido do texto. Fique atento ao verbo "ignorar" — ele é a chave para a inferência.
PEGA ESSA DICA!
Ao ver "cujas", lembre: é pronome relativo, indica posse e introduz oração adjetiva. Para a interpretação, sublinhe o verbo "ignoramos" — ele diz que as causas são desconhecidas.
Conclusão: a questão cobra dois pontos: a classe gramatical do "cujas" (pronome relativo) e a inferência sobre as causas (desconhecidas). A única alternativa que acerta na interpretação é a D. As demais erram na gramática (A, B, E) ou contradizem o texto (C).