Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — Quadrix 2023
Português›Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
qa510047
Banca
Quadrix
Órgão
CREFONO 2
Ano
2023
Cargo
Aux AS ( )
“Gu‑gu”, “dá‑dá”, “mamá”, “papá” e por aí vai. A criança começa a esboçar as primeiras palavras, simples, por volta dos doze aos dezoito meses de vida. Aos dois anos de idade, espera‑se que ela consiga juntar duas palavras e estabelecer sentido entre elas, como em “Quero água”. Aos três anos de idade, ela já conseguirá construir frases.
Ao colocar dessa forma, o processo parece extremamente simples, mas não é. “Um ponto importante que Jean Piaget traz é que, nesse processo, as crianças passam por fases: o balbucio, a fala ‘egocêntrica’ – é comum que crianças de um e dois anos de idade, quando se sentam juntas, vivam um momento de ‘monólogo coletivo’ –, o momento de confusão de sentidos e de relações entre as palavras, até ir para uma fala socializada”, aponta Ana Teresa Gavião, especialista em educação infantil.
Há idades em que se espera que essas fases aconteçam, mas o processo de desenvolvimento é particular para cada um. Assim, é errado pressupor que uma criança tem problemas cognitivos por não desenvolver sua fala no mesmo ritmo que uma outra criança.
De acordo com as ideias, o vocabulário e a estrutura do texto, julgue o item.
A substituição da forma verbal “espera‑se” por esperasse manteria a correção gramatical do texto
CCerto
EErrado
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GabaritoE — Errado
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Substituição de “espera‑se” por “esperasse”: correção gramatical
Gabarito: E (Errado). A substituição de “espera‑se” por “esperasse” não mantém a correção gramatical do texto, pois altera o tempo e o modo verbal, quebrando a concordância com o presente do indicativo usado no restante do período. No trecho, a forma “espera‑se” está no presente do indicativo, indicando uma ação habitual ou uma expectativa atual; “esperasse” está no pretérito imperfeito do subjuntivo, o que exigiria uma reestruturação completa da frase para manter a coerência temporal.
O comando da questão
A questão pede que você julgue se a troca de “espera‑se” por “esperasse” mantém a correção gramatical. Isso é uma questão de reescritura de frases — não se trata de interpretação de ideias, mas de análise morfossintática e semântica. O foco está em verificar se a substituição preserva a estrutura gramatical e o sentido do texto. Para resolver, é preciso identificar o tempo e o modo verbais da forma original e compará‑los com a forma proposta.
O texto e o trecho relevante
No texto, a passagem é:
“Aos dois anos de idade, espera‑se que ela consiga juntar duas palavras e estabelecer sentido entre elas, como em ‘Quero água’.”
A forma “espera‑se” é a voz passiva sintética (ou pronominal) do verbo “esperar”, conjugada no presente do indicativo, 3ª pessoa do singular. Ela expressa uma expectativa geral e atual sobre o desenvolvimento infantil. O sujeito é a oração subordinada substantiva subjetiva “que ela consiga juntar duas palavras...”.
A técnica que decide: tempo e modo verbal
A troca para “esperasse” muda a forma para o pretérito imperfeito do subjuntivo. Essa mudança tem dois efeitos:
Quebra a correlação temporal: o verbo da oração principal (“espera‑se”) está no presente, e o verbo da subordinada (“consiga”) também está no presente do subjuntivo. Se trocarmos o verbo principal para o pretérito imperfeito do subjuntivo (“esperasse”), a oração subordinada deveria, para manter a correlação, estar no pretérito imperfeito do subjuntivo ou no futuro do pretérito do indicativo (ex.: “esperava‑se que ela conseguisse...”). A forma “consiga” (presente do subjuntivo) ficaria inadequada após “esperasse”.
Altera o sentido: o presente do indicativo expressa uma certeza ou expectativa atual; o pretérito imperfeito do subjuntivo expressa uma hipótese, desejo ou condição no passado. A frase “espera‑se que ela consiga” indica que hoje se espera isso; “esperasse que ela consiga” não faz sentido, pois o subjuntivo pretérito exige um contexto de irrealidade ou passado.
Portanto, a substituição não mantém a correção gramatical, pois desrespeita a correlação verbal e torna a frase incoerente.
Análise da assertiva
Assertiva — ❌ Errada ⟵ GABARITO
A afirmativa diz que a substituição “manteria a correção gramatical do texto”. Isso é falso. Como vimos, a troca de “espera‑se” (presente do indicativo) por “esperasse” (pretérito imperfeito do subjuntivo) quebra a correlação verbal com a oração subordinada “que ela consiga” (presente do subjuntivo). Para que a frase ficasse correta, seria necessário reescrever todo o período, por exemplo: “esperava‑se que ela conseguisse juntar duas palavras...”. A simples substituição gera uma construção agramatical e incoerente.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de reescrita, sempre verifique o tempo e o modo do verbo original e o da proposta. Pergunte: “a nova forma exige mudanças em outros verbos da frase?”. Se sim, a substituição provavelmente não mantém a correção.
Conclusão
A banca testa sua capacidade de perceber a correlação verbal. A forma “espera‑se” está no presente do indicativo e exige que a subordinada esteja no presente do subjuntivo. “Esperasse” é pretérito imperfeito do subjuntivo e exigiria “conseguisse” na subordinada. Como isso não ocorre, a substituição não mantém a correção gramatical.