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Questão de Português — Outras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática) — FUNDATEC 2023

PortuguêsOutras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática)
Código
qa510195
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Itaara
Ano
2023
Cargo
OEdu ( )

Faróis

 

Por Martha Medeiros

 

Quando a gente nasce, pai e mãe são nossos ídolos, lideram as paradas de sucesso dentro de casa. Avós e irmãos completam a banda. Só escutamos a família e por ela somos influenciados. Mais tarde, brincando na rua, indo ao colégio, a gente descobre a existência de outras pessoas – os primeiros amigos.

 

Tive sorte: antes do meu aniversário de 10 anos, já conhecia Caetano, Mutantes, Gil, Chico, Milton, Bethânia – e Gal, claro. Assim que seus discos eram lançados, aterrissavam na eletrola da sala. Que bom que meus pais não monopolizaram o sucesso que faziam com os filhos. Intuíram que aqueles desconhecidos também teriam muito a nos dizer.

 

Ainda nem tinha entrado na adolescência e eu já era estimulada a abrir a cabeça para diferentes jeitos de existir, para a  pulsão da poesia, para as provocações naturais do pensamento – com uma pequena ajuda de Beatles, que também frequentavam nosso pequeno apartamento no período. Cabiam diversas vozes, rimas, guitarras, violões. Cabia o mundo.

 

Entraram todos para a família. Ajudaram a me formatar e fizeram parte do que veio depois: a faculdade, os namorados, os livros – até chegar aqui.

 

Foi um choque perder Lennon e Harrison, lembro bem. Assim como Cazuza e Cassia Eller, que agreguei na fase adulta. Mas a morte de Gal teve um significado mais profundo. Já não sou jovem, agora também me aproximo da finitude, sem poder quantificar o tamanho do futuro em frente. Antes não pensava nisso, hoje penso. E me atordoo. A turma da MPB entrou na minha vida muito cedo e cresceu comigo, éramos quase da mesma geração, eles ligeiramente avançados. Nesta atual e derradeira etapa da nossa existência, estou ainda perto da porta de entrada, enquanto eles mais perto da porta de saída – hipoteticamente, claro, mas é como o coração sente.

 

Queria poder agarrar a mão de cada um, deixar ninguém sair, como a um pai, uma mãe, os faróis da nossa existência, nossas iluminações. Mas nem Deus consegue esse milagre.

 

Não chamo de dor a perda de uma cantora que não cheguei a conhecer fora do palco, e que teve uma trajetória tão rica que sua partida não soa trágica – tragédia é partir sem ter vivido. Não é dor, porque quem faz parte de mim não se vai totalmente, até que eu vá também. Seguimos vivos uns nos outros. Não é dor, então é o quê? Ainda procuro dar um nome a este sentimento novo que me atravessa. Parece outro tipo de parto: sem pai, nem mãe, nem faróis. É um renascimento tardio e solitário. Chegou o momento de aprender a viver em estado de orfandade. Contar com si própria e com o repertório acumulado durante a vida de antes, que começa a desaparecer lentamente. Pode ser bonito também, eu sei.

 

Não é dor. Acho que é espanto.

 

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/donna/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

A questão refere-se ao texto abaixo.

   

No tocante às relações morfossintáticas, assinale a alternativa correta.

  1. AEm “Cabia o mundo”, a expressão “o mundo” é objeto direto, pois inicia sem preposição.
  2. BEm “Seguimos vivos uns nos outros”, o sujeito é oculto, pois, por meio da conjugação verbal, percebemos que o verbo “seguimos” está conjugado na terceira pessoal do plural.
  3. CEm “Queria poder agarrar a mão de cada um”, o sujeito é indeterminado, pois o compreendemos por meio da conjugação verbal presente na locução “queria poder”.
  4. DEm “pai e mãe são nossos ídolos”, o predicado é nominal, porque apresenta o verbo de ligação, o qual é representado pela palavra “são”.
  5. EEm “Cabiam diversas vozes, rimas, guitarras, violões”, o verbo é o termo “Cabiam”, o qual é classificado como transitivo direto (VTD).
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Em “pai e mãe são nossos ídolos”, o predicado é nominal, porque apresenta o verbo de ligação, o qual é representado pela palavra “são”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Análise morfossintática de trechos do texto — Gabarito: letra D.

A alternativa D é a correta porque, em “pai e mãe são nossos ídolos”, o verbo “são” é um verbo de ligação (indica estado, não ação), e o termo “nossos ídolos” é o predicativo do sujeito, caracterizando o sujeito composto “pai e mãe”. Isso configura predicado nominal, exatamente como afirma a alternativa. A passagem do texto que ancora essa análise é:

“Quando a gente nasce, pai e mãe são nossos ídolos, lideram as paradas de sucesso dentro de casa.”

Aqui, “são” liga o sujeito “pai e mãe” ao predicativo “nossos ídolos”, sem indicar ação — apenas uma qualidade/estado. As demais alternativas erram ao classificar sujeito, objeto ou verbo de forma equivocada, como veremos a seguir.


O comando da questão

O enunciado pede que você analise as relações morfossintáticas — ou seja, a função sintática dos termos dentro da oração, considerando também sua classe morfológica. Isso exige conhecimento de sujeito, predicado, verbo de ligação, objeto direto e transitividade verbal. Não é uma questão de interpretação de texto, mas de gramática aplicada ao texto: você deve reconhecer a estrutura sintática de cada trecho citado.

A técnica que decide

Para cada alternativa, pergunte: qual é o verbo? Ele é de ação ou de ligação? O termo destacado completa o verbo (objeto) ou caracteriza o sujeito (predicativo)? O sujeito está explícito, oculto ou indeterminado? Essa sequência de perguntas resolve a questão sem decoreba.

  • Verbo de ligação (ser, estar, permanecer, ficar, tornar-se, parecer) liga o sujeito a uma característica (predicativo do sujeito) → predicado nominal.

  • Verbo transitivo direto exige objeto direto (sem preposição obrigatória).

  • Sujeito oculto (elíptico) é identificado pela desinência verbal (ex.: “seguimos” → nós).

  • Sujeito indeterminado ocorre com verbo na 3ª pessoa do plural sem referente claro, ou com “se” + verbo intransitivo/transitivo indireto.

A armadilha central

A banca adora confundir sujeito oculto com indeterminado. No sujeito oculto, sabemos quem é pela terminação verbal (ex.: “seguimos” = nós). No indeterminado, não há como identificar o agente (ex.: “Falaram mal de você” — quem falou? Não se sabe). Outra pegadinha é classificar “Cabia o mundo” como objeto direto, quando na verdade “o mundo” é sujeito do verbo “caber” (que é intransitivo nesse contexto).


Sujeito
  • 1Oculto (desinência identifica)
    • "Seguimos" → nós (1ª plural)
    • "Queria" → eu (1ª singular)
  • 2Indeterminado (sem referente)
    • 3ª plural sem contexto
    • "se" + VI/VTI
  • 3Composto
    • "pai e mãe"
  • 4Verbo
    • De ligação (ser/estar)
      • "são" → predicado nominal
    • Intransitivo (sem complemento)
      • "caber" → sujeito posposto
    • Transitivo direto (exige OD)
      • exige objeto sem preposição
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Alternativa A — ❌ Incorreta

“Cabia o mundo”

Aqui, “o mundo” é sujeito, não objeto direto. O verbo “caber” é intransitivo (não exige complemento), e a oração está invertida: o sujeito vem depois do verbo. Reordenando: “O mundo cabia”. O verbo concorda com o sujeito: “Cabia o mundo” (singular). Se fosse objeto direto, o verbo seria transitivo direto, o que não ocorre. Erro: contradiz o texto — a análise sintática está incorreta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

“Seguimos vivos uns nos outros”

O sujeito é oculto (ou elíptico), sim, mas a justificativa está errada: o verbo “seguimos” está na 1ª pessoa do plural (nós), não na 3ª pessoa do plural. A desinência “-mos” indica “nós”. Portanto, o sujeito oculto é “nós”, não “eles”. Erro: troca de conceito — confunde a pessoa verbal.

Alternativa C — ❌ Incorreta

“Queria poder agarrar a mão de cada um”

O sujeito é oculto, não indeterminado. Pela desinência de “queria” (1ª pessoa do singular: eu), sabemos que o sujeito é “eu” (a autora). Sujeito indeterminado ocorreria se não houvesse referência possível (ex.: “Dizem que...”). Aqui, o contexto e a desinência revelam o agente. Erro: contradiz o texto — classifica como indeterminado um sujeito que é claramente oculto.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

“pai e mãe são nossos ídolos”

O verbo “são” é de ligação (ser), ligando o sujeito composto “pai e mãe” ao predicativo do sujeito “nossos ídolos”. Isso caracteriza predicado nominal. A alternativa está correta ao afirmar que o predicado é nominal porque há verbo de ligação. Correta — a análise está perfeita.

Alternativa E — ❌ Incorreta

“Cabiam diversas vozes, rimas, guitarras, violões”

O verbo “cabiam” é intransitivo, não transitivo direto. O sujeito é “diversas vozes, rimas, guitarras, violões” (sujeito composto posposto), e não há objeto direto. O verbo “caber” não exige complemento; ele indica existência/lugar. Erro: contradiz o texto — classifica como VTD um verbo intransitivo.


NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre sujeito oculto e indeterminado, e entre verbo transitivo e intransitivo. Na B, o erro está na pessoa verbal; na C, na classificação do sujeito; na A e E, na transitividade.

NÃO CAIA NESSA!

Ao analisar sintaticamente, identifique primeiro o verbo e pergunte: ele é de ação ou de ligação? Exige complemento? Depois, procure o sujeito (quem pratica/recebe a ação). Isso evita as armadilhas mais comuns.


Conclusão: a única alternativa inteiramente correta é a D, pois reconhece o verbo de ligação “são” e o predicado nominal. As demais erram ao classificar sujeito, objeto ou verbo de forma equivocada. Gabarito: letra D.

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