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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — FUNDATEC 2023

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
qa510432
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Campo Bom
Ano
2023
Cargo
Arqt (Campo Bom)

As vantagens da preferência pela arquitetura sustentável

Por Alessandra Barassi

 

O significado da palavra "sustentabilidade" ainda não está muito claro no inconsciente coletivo. Então, para não complicar muito, aí vai a explicação clássica: sustentabilidade é a condição sustentável alcançada pela congregação benfazeja do trinômio pessoas, planeta e viabilidade econômica. Dessa forma, ao falarmos de arquitetura sustentável, estamos tratando daquela que atende as necessidades das pessoas, respeita o planeta e é viável economicamente. Na prática, isso quer dizer que os projetos precisam ser mais inteligentes. Edifícios devem ser confortáveis e causar menos impacto ambiental, além de ter baixos custos de execução e manutenção ao longo de sua vida útil. E, para se chegar a projetos inteligentes, é necessário adotar o “design integrado”, em que se equacionam vários critérios de sustentabilidade, como orientação solar, ventilação natural, materiais ecológicos, uso eficiente de água e energia, gestão de resíduos, entre outros.

 

Há quem pense que para atender a todos esses critérios seja requisito o dispor de muitos recursos. Não necessariamente. Estudos indicam que construções sustentáveis podem custar cerca 5% mais ou até custar menos, se bem projetadas. É possível valer-se estratégias passivas, que dispensem equipamentos caros e adotem soluções de desenho ainda no papel. Em tempos de energia cara, uma preocupação corriqueira é o gasto com ar-condicionado, que pode perfeitamente ser minimizado a partir da execução de um bom projeto. Basta orientar as maiores janelas de uma casa para o lado onde o sol nasce e posicionar sanitários, despensas e depósitos no lado poente. Assim, a luz da manhã fica garantida com temperaturas amenas e o calor da tarde não incomoda ambientes de baixa permanência. Trata-se de um exemplo simples de estratégia passiva, sem custo extra.

 

É claro que, conforme a escala e necessidade de cada projeto, nem sempre será possível adotar apenas estratégias passivas. Em um grande edifício corporativo, com muitas salas de trabalho, é provável que não seja possível posicionar todas as janelas para o nascente. Nesses casos, é preciso lançar mão de estratégias mecânicas de alto desempenho, como um ar-condicionado central, para garantir o conforto de todos os colaboradores. Ainda assim, seria eficaz projetar uma proteção externa para as janelas do poente (os brises ou venezianas), a fim de reduzir o calor e a frequência de uso dos condicionadores de ar.

 

Outra estratégia importante é a escolha de materiais ecológicos (não nocivos à saúde e de baixo impacto ambiental). No que se refere a materiais estruturais, é necessário optar por aqueles com baixas emissões de dióxido de carbono no processo produtivo. A madeira, além de ser renovável, é capaz de estocar o referido gás. No caso das tintas, vernizes e químicos em geral, há no mercado uma série de produtos à base de água, atóxicos e de baixo poder contaminante, sem qualquer custo adicional. Basta prestar atenção e fazer a escolha correta. Optar por sanitários de duplo acionamento, arejadores e restritores de vazão em lavatórios contribui para reduzir cerca de 30% do consumo usual de água. Plantas nativas nos jardins favorecem a biodiversidade e requerem menos irrigação.

 

Assim, para praticar a arquitetura sustentável é fundamental entender as edificações como sistemas e pensar os critérios de sustentabilidade de forma integrada. Edifícios compõem bairros, cidades e países. Devem ser concebidos como integrantes do meio ambiente que, além de demandar água, energia e materiais de construção em larga escala, também demandarão infraestrutura, transporte e serviços. Portanto, um projeto sustentável prevê soluções menos impactantes em todo o ciclo de vida do edifício, inclusive o correto descarte ou reciclagem do material empregado. Pensando dessa maneira, cada projetista será também um agente de proteção do nosso planeta.

 

(Disponível em: https://www.wwf.org.br/?56242/Artigo---Arquitetura-sustentavel-o-que-e-para-que-serve-ecomo- fazer – texto adaptado especialmente para esta prova).

Os parênteses em destaque podem ser substituídos, sem haver prejuízo para a compreensão da mensagem original, por:

 

I. Asteriscos.

 

II. Aspas.

 

III. Travessões.

 

Quais estão corretas?

  1. AApenas I.
  2. BApenas II.
  3. CApenas III.
  4. DApenas I e II.
  5. EApenas II e III.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Apenas III.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição de parênteses por travessões: isolando termos acessórios

Gabarito: letra C (Apenas III). Os parênteses em destaque podem ser substituídos por travessões sem prejuízo de sentido, pois ambos os sinais têm a função de isolar termos explicativos acessórios — no texto, o trecho entre parênteses é um aposto explicativo. Asteriscos e aspas não cumprem essa função, como se verá na análise de cada item.

O comando pede uma reescrita sem alteração de sentido: a tarefa é identificar qual sinal de pontuação pode ocupar o lugar dos parênteses preservando a função sintática e o efeito de sentido do trecho isolado. Isso não é uma questão de interpretação livre — é uma questão de gramática aplicada ao texto: precisamos reconhecer a função dos parênteses no trecho e verificar qual outro sinal exerce exatamente a mesma função.

No texto-base, o trecho entre parênteses é um aposto explicativo — um termo acessório que explica ou especifica o termo anterior. Veja o exemplo do 3º parágrafo:

"seria eficaz projetar uma proteção externa para as janelas do poente (os brises ou venezianas), a fim de reduzir o calor"

Aqui, "os brises ou venezianas" é um aposto que explica o que é "proteção externa". Os parênteses isolam esse termo acessório, que poderia ser retirado sem prejuízo da estrutura da frase. A regra é clara: travessões e parênteses isolam termos explicativos acessórios e, nessa função, podem ser substituídos por vírgulas — como se vê nos exemplos clássicos: "Messi — o artilheiro — é um gênio" e "Messi (o artilheiro) é um gênio" têm exatamente o mesmo sentido e a mesma estrutura.

A pegadinha central da questão está em distinguir a função isoladora dos travessões (que equivale à dos parênteses) da função marcadora de citação/ironia das aspas. As aspas não isolam um aposto explicativo; elas sinalizam que a palavra foi usada com sentido especial, ou indicam citação literal, gíria, estrangeirismo. Já os asteriscos não têm função sintática de isolamento — são usados como marca de nota de rodapé ou para censurar palavras, nunca para isolar um termo explicativo no meio da frase.

Sinais de pontuação
  • 1Parênteses
    • Isolam termo acessório (aposto explicativo)
  • 2Travessões
    • Isolam termo acessório (mesma função)
  • 3Aspas
    • Marcam citação, ironia, sentido especial
  • 4Asteriscos
    • Nota de rodapé, censura — sem função isoladora
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Item I — ❌ Incorreto

Asteriscos não podem substituir os parênteses. Eles não têm função de isolar termos acessórios — são usados para indicar nota de rodapé, censura de palavras ou, em textos informais, para dar ênfase. Substituir os parênteses por asteriscos no trecho "(os brises ou venezianas)" produziria os brises ou venezianas, o que não é uma construção pontuada válida em português padrão. O item extrapola a função dos asteriscos, atribuindo-lhes um uso que não têm.

Item II — ❌ Incorreto

Aspas também não podem substituir os parênteses nesse contexto. As aspas têm função de marcar citação literal, ironia, gíria, estrangeirismo ou sentido especial de uma palavra — não de isolar um aposto explicativo. Se substituíssemos "(os brises ou venezianas)" por "os brises ou venezianas", o leitor entenderia que a expressão está sendo usada com sentido irônico ou citado, o que altera o sentido do trecho. O item troca a função do sinal: usa aspas onde caberia apenas isolamento.

Item III — ✅ Correto ⟵ GABARITO

Travessões podem substituir os parênteses sem prejuízo de sentido, pois ambos isolam termos explicativos acessórios. No trecho do texto:

"seria eficaz projetar uma proteção externa para as janelas do poente (os brises ou venezianas), a fim de reduzir o calor"

A substituição por travessões — "proteção externa para as janelas do poente — os brises ou venezianas —, a fim de reduzir" — mantém exatamente a mesma estrutura e o mesmo sentido, pois o aposto continua isolado como termo acessório. A regra é a que vimos: travessões e parênteses são intercambiáveis na função de isolar termos explicativos.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre a função isoladora dos travessões (equivalente aos parênteses) e a função marcadora das aspas (citação/ironia). Quem sabe que "aspas indicam sentido especial" pode marcar o item II como correto — mas o trecho em questão não tem sentido especial algum, é um aposto explicativo.

PEGA ESSA DICA!

Ao ver "substituir sem prejuízo de sentido", pergunte: qual é a função do sinal no trecho? Se isola termo acessório, só travessão ou vírgula servem. Se marca citação/ironia, só aspas servem. Nunca troque a função do sinal.

Conclusão: apenas o item III está correto, pois só os travessões exercem a mesma função dos parênteses — isolar termos explicativos acessórios. Asteriscos e aspas têm funções distintas e alterariam o sentido do trecho. Gabarito: letra C.

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