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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — Quadrix 2023

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
qa510538
Banca
Quadrix
Órgão
CRO MS
Ano
2023
Cargo
Ana Adm ( )

Quase 3,5 bilhões de pessoas apresentam algum problema nos dentes, na gengiva ou em seus arredores e, desse número, três em cada quatro vivem em países em desenvolvimento, como o nosso.


Eis o diagnóstico do último relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o tema, apresentado em março de 2023, que expõe a alta prevalência de condições, como, por exemplo, cárie, periodontite, perda dental e tumores na cavidade bucal.


E o drama começa cedo: meio bilhão de crianças apresentam cárie ainda nos dentes de leite.


Os autores do documento associam a pandemia de problemas bucais a fatores tais quais falta de higiene, ingestão excessiva de açúcar, tabagismo e consumo frequente de bebida alcoólica. Dessa maneira, quanto piores o status socioeconômico e o acesso a orientação e cuidados adequados, maiores serão as chances de encarar essas doenças.


Para mudar o cenário, a OMS recomenda expandir a fluoretação de água encanada e ampliar o esclarecimento sobre os hábitos que resguardam a arcada dentária e a vizinhança.


Internet: <www.saude.abril.com.br> (com adaptações).

Texto para o item.

 

Considerando os sentidos e os aspectos gramaticais do texto, julgue o item.

 

A substituição da palavra “ainda” por já não prejudicaria a correção gramatical nem a coerência do texto.

  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição de “ainda” por “já”: mudança de sentido e quebra de coerência

Gabarito: E (Errado). A substituição de “ainda” por “já” prejudicaria a coerência do texto, pois alteraria o sentido temporal da frase. No trecho “E o drama começa cedo: meio bilhão de crianças apresentam cárie ainda nos dentes de leite”, o advérbio “ainda” indica continuidade (a cárie persiste desde a infância), enquanto “já” indicaria conclusão (a cárie já ocorre, mas sem a ideia de permanência). Essa troca rompe a relação de sentido estabelecida no parágrafo, que destaca a precocidade e a persistência do problema.

O comando: o que a banca pede

A questão é de reescrita de frases e pede que você julgue se a troca de “ainda” por “já” mantém a correção gramatical e a coerência. O foco não é apenas gramática (ambas as palavras são advérbios e a frase continua gramaticalmente correta), mas semântica e coerência: a troca precisa preservar o sentido original. Esse é o ponto central: a banca quer saber se você percebe que “ainda” e “já” não são sinônimos nesse contexto.

O texto: onde mora a resposta

O trecho decisivo é o terceiro parágrafo:

“E o drama começa cedo: meio bilhão de crianças apresentam cárie ainda nos dentes de leite.”

Aqui, “ainda” tem valor de continuidade: a cárie já está presente na primeira dentição, e o autor enfatiza que o problema não é recente — começa cedo e persiste. A palavra “ainda” carrega a ideia de “desde já”, “já naquela fase”, mas com um matiz de permanência e surpresa (é dramático que ocorra tão cedo).

Se trocarmos por “já”, a frase ficaria: “meio bilhão de crianças apresentam cárie nos dentes de leite”. O sentido muda: “já” indica conclusão ou antecipação (a cárie já ocorre, mas sem a ênfase na continuidade). A frase até faz sentido, mas não é a mesma coisa que o autor quis dizer. A coerência com o restante do texto — que fala da alta prevalência e dos fatores associados — se mantém em parte, mas a ênfase temporal se perde.

A técnica: como decidir

A regra de ouro para questões de substituição é: a troca só é válida se preservar o sentido original. Para isso, você deve:

  1. Identificar o valor semântico da palavra no contexto (aqui, “ainda” = continuidade).

  2. Verificar se a palavra substituta tem o mesmo valor (aqui, “já” = conclusão/antecipação).

  3. Se os valores forem diferentes, a substituição altera o sentido e, portanto, prejudica a coerência.

No caso, “ainda” e “já” são advérbios de tempo, mas com orientações opostas: “ainda” aponta para a persistência de um estado; “já” aponta para a conclusão ou antecipação de um fato. Veja a diferença:

Advérbio

Valor semântico

Exemplo no texto

ainda

Continuidade, permanência

“cárie ainda nos dentes de leite” (a cárie persiste desde a infância)

Conclusão, antecipação

“cárie nos dentes de leite” (a cárie já ocorre, sem ênfase na continuidade)

Essa diferença é sutil, mas decisiva. A banca explora exatamente essa falsa sinonímia: em muitos contextos, “ainda” e “já” podem ser intercambiáveis (ex.: “Ele ainda não chegou” / “Ele já não chegou” — mas aí o sentido muda), mas aqui não são.

Análise das alternativas

Alternativa C — ❌ Incorreta

A afirmativa de que a substituição não prejudicaria a correção gramatical nem a coerência é falsa. Embora a correção gramatical seja mantida (ambas as palavras são advérbios e a estrutura sintática permanece íntegra), a coerência é prejudicada porque o sentido temporal muda. O texto original enfatiza a continuidade do problema (“ainda”), enquanto “já” traria uma ideia de conclusão que não está no original. Portanto, a alternativa C está errada.

Alternativa E — ✅ Correta

A afirmativa de que a substituição prejudicaria a correção gramatical ou a coerência é verdadeira. A correção gramatical é mantida, mas a coerência é afetada pela mudança de sentido. O trecho “ainda nos dentes de leite” expressa que a cárie já está presente na primeira dentição, com um matiz de permanência; “já nos dentes de leite” expressaria apenas a ocorrência precoce, sem a ideia de continuidade. Essa diferença altera a mensagem do autor, que quer destacar que o problema começa cedo e persiste. Portanto, a alternativa E está correta.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a falsa sinonímia entre “ainda” e “já”. Em muitos contextos, eles são intercambiáveis, mas aqui expressam valores temporais opostos: “ainda” = continuidade; “já” = conclusão. A troca altera o sentido e, por isso, prejudica a coerência.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de substituição, sempre pergunte: “a palavra substituta tem o mesmo valor semântico no contexto?”. Se não tiver, a troca é inválida, mesmo que a frase continue gramaticalmente correta.

Conclusão

A substituição de “ainda” por “já” não é neutra: altera o sentido temporal e, consequentemente, a coerência do texto. A banca cobra exatamente essa percepção. Lembre-se: correção gramatical ≠ manutenção de sentido. Uma frase pode ser gramaticalmente correta e, ainda assim, semanticamente diferente. Portanto, o item está errado.

Gabarito: letra E.

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