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Questão de Português — Outras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática) — FUNDATEC 2023

PortuguêsOutras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática)
Código
qa510720
Banca
FUNDATEC
Órgão
PROCERGS
Ano
2023
Cargo
ANC ( )

Exteligência e o emburrecimento das pessoas

 

Por Fernando D’Ángelo

 

Com a internet, os smartphones e os aplicativos, estamos cada vez menos exigindo raciocínio de nosso cérebro. “Hoje, buscamos na internet informações que satisfaçam nossa curiosidade diversiva (aquela curiosidade mais fútil e sem profundidade) e a curiosidade empática (a curiosidade de saber da vida alheia) e estamos deixando muito pouco espaço para a curiosidade epistêmica (a curiosidade mais analítica, profunda, que incita questionamentos e raciocínio mais profundo).” – Walter Longo, na WTW 2019.

 

Nós temos um conhecimento embarcado. A memória, a capacidade de fazer cálculos, inferências e predições, de perceber o tempo e a hora, de conectarmos informações provenientes de diferentes origens e gerarmos novas ideias e insights. E estamos mandando esse conhecimento embarcado para fora.

 

O Google tem as respostas, então não precisamos mais decorar os nomes dos rios, ou dos estados e todas as capitais brasileiras, por exemplo. O Waze nos mostra o caminho. A calculadora faz cálculos. O smartphone nos avisa dos compromissos importantes e nos lembra dos telefones de nossos amigos — e em muitas outras situações nos deparamos com este tipo de atitude.

 

Estamos delegando a dispositivos fora de nosso cérebro funções que eram prioritariamente mentais, e com isso, estamos tornando nosso cérebro preguiçoso. Estamos literalmente emburrecendo e perdendo nosso poder de criatividade.

 

Um neurocientista francês chamado Michel Desmurget, diretor de pesquisa do Instituto Nacional de Saúde da França, apresentou em 2020 um estudo que demonstra de forma enfática como os dispositivos digitais afetam seriamente o desenvolvimento neural de crianças e jovens. Estamos criando uma sociedade com mais inteligência em rede, mas com menos inteligência individual. Este é o cenário atual. E considerando o avanço dos algoritmos de Inteligência Artificial, muito em breve estaremos confiando a esses algoritmos a tomada de decisões. E então a IA vai decidir onde trabalharemos, o que faremos, com quem casaremos, o que vamos comer, etc.

 

E neste ponto, cito Yuval Harari (HSM Expo 2019): “Afinal, qual será o significado da vida quando todas as decisões importantes serão feitas por algoritmos?”.

 

(Disponível em: https://comunicacaoprodutiva.com.br/mundo/desafios-do-seculo-21/- 12/2/21 – texto adaptado especialmente para esta prova).

Em relação à substituição de vocábulos do primeiro parágrafo do texto, analise as assertivas abaixo:

 

I. “vã” poderia substituir “fútil” sem provocar alteração no sentido.

 

II. “alheia” seria, correta e adequadamente, substituída por “alheada” sem causar incorreção ao período.

 

III. Ao se usar “impele” em lugar de “incita” nenhuma alteração ocorreria na frase.

 

Quais estão corretas?

  1. AApenas I.
  2. BApenas II.
  3. CApenas III.
  4. DApenas I e II.
  5. EApenas II e III.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Apenas I.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição de vocábulos: sinonímia e paronímia no primeiro parágrafo

Gabarito: letra A (Apenas I). A única substituição que preserva integralmente o sentido é a do item I: "vã" pode substituir "fútil" sem alteração, pois são sinônimos no contexto. O item II é falso porque "alheia" e "alheada" são parônimos com sentidos distintos — "alheia" significa "de outra pessoa", enquanto "alheada" significa "afastada, distraída". O item III é falso porque "incita" e "impele" não são intercambiáveis no trecho: "incita" significa "estimula, provoca", enquanto "impele" significa "empurra, obriga, impulsiona" — sentidos diferentes que alterariam a frase.

O comando pede uma análise de substituição vocabular sem alteração de sentido — tarefa de sinonímia e paronímia. Para resolver, é preciso comparar o sentido de cada palavra no contexto específico do primeiro parágrafo, não no dicionário isolado. A banca testa se o candidato distingue sinônimos verdadeiros de parônimos (palavras parecidas na forma, diferentes no sentido) e de palavras apenas próximas, mas não equivalentes.

No primeiro parágrafo, o texto cita Walter Longo: "a curiosidade mais fútil e sem profundidade" e "a curiosidade de saber da vida alheia". Esses são os dois trechos que as assertivas exploram. O item III, por sua vez, refere-se a "incita questionamentos e raciocínio mais profundo".

A técnica central é testar cada substituição perguntando: a troca mantém o mesmo significado no contexto? Se a palavra nova trouxer um matiz diferente, ainda que sutil, a substituição altera o sentido e o item é falso. Palavras absolutas como "nenhuma alteração" (item III) devem acender alerta: exigem sinonímia perfeita, o que raramente ocorre entre verbos com sentidos tão distintos.

PEGA ESSA DICA!

Ao analisar substituições, substitua mentalmente a palavra no trecho e veja se a frase ganha um sentido diferente. Se ganhar, a troca é inadequada. Desconfie de itens que usam "nenhuma alteração" — exigem sinonímia absoluta.

Item I — ✅ Correto

"a curiosidade mais fútil e sem profundidade"

"Fútil" significa "superficial, sem importância, vão". "Vã" (feminino de "vão") significa "sem efeito, inútil, sem valor real". No contexto, "curiosidade fútil" é a curiosidade superficial, sem profundidade — exatamente o sentido de "curiosidade vã". A substituição preserva o sentido, pois ambos os adjetivos qualificam a curiosidade como algo sem valor substantivo, apenas diversivo. Item correto.

Item II — ❌ Incorreto

"a curiosidade de saber da vida alheia"

"Alheia" é adjetivo que significa "de outra pessoa, de outrem" — "a vida alheia" é "a vida dos outros". "Alheada" é o particípio do verbo "alhear", que significa "afastada, alienada, distraída". São parônimos: palavras parecidas na grafia e na pronúncia, mas com sentidos completamente diferentes. Substituir "alheia" por "alheada" produziria "a vida alheada" — algo como "a vida afastada/distraída", o que não faz sentido no contexto e altera completamente o período. Item incorreto — erro de paronímia.

Item III — ❌ Incorreto

"que incita questionamentos e raciocínio mais profundo"

"Incita" significa "estimula, provoca, desperta" — a curiosidade epistêmica desperta questionamentos. "Impele" significa "empurra, obriga, impulsiona" — carrega a ideia de força, coação, impulso. Embora ambos possam ser usados em contextos de motivação, não são sinônimos perfeitos: "incitar" é provocar um estímulo; "impelir" é empurrar para uma ação. A troca alteraria o sentido, pois "impele questionamentos" sugeriria uma força externa empurrando os questionamentos, o que não é o sentido original. Item incorreto — erro de sinonímia imperfeita.

Conclusão: apenas o item I está correto. A banca explora a confusão entre sinônimos (fútil/vã) e parônimos (alheia/alheada), além de testar se o candidato percebe a diferença sutil entre verbos como "incitar" e "impelir". A regra de ouro: substituição sem alteração de sentido exige sinonímia perfeita no contexto — qualquer matiz novo invalida a troca.

Gabarito: letra A

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