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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — Quadrix 2023

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
qa512800
Banca
Quadrix
Órgão
COFFITO
Ano
2023
Cargo
Aux Moto ( )

Que o plástico está presente em nosso cotidiano todo mundo sabe; é só olhar para celulares, roupas, computadores, embalagens de alimentos, potes de cosméticos, seringas médicas, equipamentos de engenharia, embalagens de remédios, sinalizadores de trânsito, enfeites, glitter... essa lista poderia seguir por linhas e linhas.


Mas o que nem todo mundo imagina é que os microplásticos também estão presentes no ar que respiramos, em alimentos como o sal ou a cerveja e até na água que bebemos: cerca de 83% da água de torneira do mundo inteiro está contaminada com microplásticos. Um estudo encontrou as pequenas partículas até na água engarrafada.


Da sola do sapato ao ar que respiramos, não há dúvidas: há plástico em todo canto. Ilhas se transformam em depósito de lixo plástico, assim como terrenos e calçadas. Em 2050, o oceano poderá conter mais peso em plásticos do que peixes. A dúvida é saber se estamos no Antropoceno (a Era da Humanidade) ou na Era do Plástico.


É verdade que os diversos tipos de plástico têm nos libertado e ajudado de muitas formas. Entretanto, assim como há prós, há contras em relação à utilização desse material.


E os contras estão relacionados a problemas de saúde gerados na produção, no contato com o plástico no dia a dia e nas perdas para o ambiente, incluindo o caso de descarte incorreto, que acaba sendo uma das fontes de contaminação de lençóis freáticos, ar, plantas, alimentos, água, entre outros.


E o perigo maior é quando o plástico se fragmenta em pequenos pedaços, formando os microplásticos, que são invisíveis a olho nu.


Internet: <www.portais.univasf.edu.br> (com adaptações).

Texto para o item.

 

Com base nas ideias, no vocabulário e nas estruturas linguísticas do texto, julgue o item.

 

A correção gramatical do texto seria mantida, caso o ponto final empregado na linha 21 fosse substituído por ponto de interrogação, da seguinte forma: A dúvida é saber se estamos no Antropoceno (a Era da Humanidade) ou na Era do Plástico?

  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Ponto final × ponto de interrogação: a dúvida que o texto não pergunta

Gabarito: E (Errado). A substituição do ponto final por ponto de interrogação não mantém a correção gramatical — e o motivo é semântico, não sintático. A frase "A dúvida é saber se estamos no Antropoceno (a Era da Humanidade) ou na Era do Plástico?" é uma declaração (o autor afirma que existe uma dúvida), não uma pergunta direta. O ponto de interrogação só é gramaticalmente adequado quando o enunciado expressa uma interrogação direta; aqui, a oração "se estamos... ou..." é uma oração subordinada substantiva objetiva direta que funciona como objeto direto do verbo "saber", e não como pergunta autônoma. Como se lê no 3º parágrafo do texto:

"A dúvida é saber se estamos no Antropoceno (a Era da Humanidade) ou na Era do Plástico."

O trecho é uma asserção — o autor constata que há uma dúvida em aberto. Transformar o ponto final em interrogação converteria a declaração em pergunta, o que altera o sentido e, portanto, quebra a correção gramatical no nível do discurso.

O comando: o que a banca pede

A questão é de reescritura de frases com foco em pontuação. O verbo "julgue" indica que se trata de um item Certo/Errado. O ponto central não é a regra mecânica de "ponto final encerra frase, interrogação pergunta" — é a relação entre pontuação e sentido. A banca testa se o candidato percebe que trocar o sinal de pontuação pode alterar o valor semântico do enunciado, mesmo que a estrutura sintática permaneça intacta.

O texto: a dúvida como tema, não como pergunta

O texto discute a onipresença do plástico e seus malefícios. No 3º parágrafo, o autor afirma que "não há dúvidas: há plástico em todo canto" e, em seguida, apresenta a única dúvida que resta: saber se vivemos no Antropoceno ou na Era do Plástico. Essa dúvida é relatada, não formulada diretamente. O autor informa que há uma dúvida; ele não a pergunta ao leitor. A oração "se estamos no Antropoceno... ou na Era do Plástico" é uma interrogativa indireta — funciona como complemento do verbo "saber" e não recebe ponto de interrogação.

A técnica que decide: interrogativa direta × indireta

A regra é clara:

  • Interrogativa direta: a pergunta é feita diretamente, com ponto de interrogação. Ex.: "Estamos no Antropoceno?"

  • Interrogativa indireta: a pergunta é incorporada a uma oração subordinada, sem ponto de interrogação. Ex.: "A dúvida é saber se estamos no Antropoceno."

No trecho, "se estamos no Antropoceno... ou na Era do Plástico" é uma oração subordinada substantiva objetiva direta — exerce a função de objeto direto do verbo "saber". A frase inteira é uma declaração sobre a existência de uma dúvida. Colocar ponto de interrogação no final transformaria a declaração em pergunta direta, o que não é compatível com a estrutura "A dúvida é saber se...". A pergunta direta equivalente seria: "Estamos no Antropoceno ou na Era do Plástico?" — sem o "A dúvida é saber se".

A pegadinha da banca

A banca explora a confusão entre o conteúdo semântico (dúvida) e a forma sintática (declaração). O candidato vê a palavra "dúvida" e associa automaticamente a ponto de interrogação. Mas a dúvida é objeto do discurso, não a modalidade do enunciado. O autor fala sobre a dúvida; ele não a expressa diretamente. A troca do sinal altera o ato ilocucional — de asserção para pergunta — e, portanto, compromete a correção gramatical no nível do sentido.

1Interrogativa direta
Pergunta feita diretamente
Usa ponto de interrogação
Ex.: "Estamos no Antropoceno?"
2Interrogativa indireta
Pergunta incorporada à oração
Sem ponto de interrogação
Ex.: "A dúvida é saber se..."
3Regra prática
Trocar o sinal altera o sentido
Interrogativa indireta nunca recebe "?"
Pontuação e sentido
LEVELsoulevel.com.br
Pontuação e sentido: Interrogativa direta (Pergunta feita diretamente, Usa ponto de interrogação, Ex.: "Estamos no Antropoceno?"); Interrogativa indireta (Pergunta incorporada à oração, Sem ponto de interrogação, Ex.: "A dúvida é saber se..."); Regra prática (Trocar o sinal altera o sentido, Interrogativa indireta nunca recebe "?")
NÃO CAIA NESSA!

A banca arma com a troca de vocábulo (ponto final → interrogação) que inverte o valor semântico do enunciado. A palavra "dúvida" é a isca: ela sugere pergunta, mas a estrutura "A dúvida é saber se..." é uma declaração.

PEGA ESSA DICA!

Ao julgar reescrituras com pontuação, pergunte: "o novo sinal altera o sentido?" Se altera, a correção gramatical não é mantida. Interrogativa indireta ("saber se...") nunca recebe ponto de interrogação.

Conclusão

A substituição do ponto final por ponto de interrogação não mantém a correção gramatical, pois transforma uma declaração (com interrogativa indireta) em pergunta direta, alterando o sentido do enunciado. O item está errado.

Gabarito: E (Errado).

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