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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — Quadrix 2023

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
qa512809
Banca
Quadrix
Órgão
COFFITO
Ano
2023
Cargo
Adv ( )

As últimas três décadas têm testemunhado um fenômeno que poderia ser chamado de feminização do mercado de trabalho. Dois fatores fundamentais contribuíram para a entrada em massa da mulher no mercado de trabalho, nomeadamente a queda nas taxas de fecundidade e o aumento das taxas de escolaridade femininas.


Desde então, começaram a chamar a atenção dos pesquisadores as diferenças salariais, por gênero, para empregos e ocupações, se não idênticas, pelo menos muito similares. Este era um fenômeno totalmente anômalo, não previsto pela teoria econômica tradicional.


Segundo os cânones neoclássicos, por exemplo, em termos abstratos, se porventura existissem diferenças salariais entre trabalhadores igualmente produtivos, fossem eles homens ou mulheres, esperava‑se que, com o tempo, elas desaparecessem. Isto porque, sendo os empregadores agentes racionais, decerto prefeririam contratar os trabalhadores mais baratos (que, no caso, seriam as mulheres), o que faria com que a demanda por trabalho feminino aumentasse.


Como consequência deste aumento de demanda, o seu nível salarial acabaria por elevar‑se até o nível dos salários dos homens. Sendo assim, segundo a perspectiva da teoria neoclássica, o que explicaria as diferenças salariais, caso elas existissem, seriam as imperfeições ou as chamadas “falhas de mercado”, como, por exemplo, a existência de monopólios e de grupos de pressão, como os sindicatos (dominados por homens), que impediriam as mulheres de aceder aos empregos mais bem pagos.

 

Rev. Cadernos de Campo | Araraquara | n.º 26 | p. 79‑103 | jan./jun. 2019 | E‑ISSN 2359‑2419 (com adaptações).

Texto para o item.

 

Com base nas ideias, no vocabulário e nas estruturas linguísticas do texto, julgue o item.

 

O trecho “se porventura existissem diferenças salariais entre trabalhadores igualmente produtivos” poderia ser reescrito, com manutenção das ideias e da correção gramatical do texto, da seguinte forma: se fosse o caso de haverem diferenças salariais entre trabalhadores igualmente produtivos.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita de "se porventura existissem" — correção gramatical e manutenção de sentido

Gabarito: letra E (Errado). A reescrita proposta não mantém a correção gramatical do texto, pois emprega a forma "haverem" — o verbo haver no sentido de existir é impessoal, permanece na 3ª pessoa do singular e não flexiona para o plural. A passagem original que decide é o trecho do 3º parágrafo: "se porventura existissem diferenças salariais entre trabalhadores igualmente produtivos". A forma correta seria "se fosse o caso de haver diferenças salariais", sem o "-em".

O comando: reescrita com manutenção de ideias e correção gramatical

A questão pede que se julgue se a reescrita "se fosse o caso de haverem diferenças salariais" preserva as ideias e a correção gramatical do trecho original. São dois testes cumulativos: (1) o sentido deve ser mantido; (2) a nova redação deve obedecer à norma culta. Basta um dos dois falhar para o item ser Errado. Aqui, o problema é gramatical — e a banca explora exatamente a confusão entre o verbo haver impessoal e o verbo existir pessoal.

A regra que decide: verbo haver impessoal

O verbo haver, quando empregado com o sentido de existir, ocorrer ou acontecer, é impessoal: não possui sujeito e fica sempre na 3ª pessoa do singular. Por isso, dizemos "houve problemas", "havia pessoas", "pode haver dúvidas" — nunca "houveram problemas", "haviam pessoas", "podem haver dúvidas".

Na reescrita proposta, a estrutura é "se fosse o caso de haverem diferenças". O "haverem" está flexionado no plural para concordar com "diferenças", como se fosse um verbo pessoal — o que é incorreto. O certo seria:

se fosse o caso de haver diferenças salariais entre trabalhadores igualmente produtivos

Note que o verbo existir, usado no original, é pessoal e concorda com o sujeito: "existissem diferenças". A banca arma a pegadinha justamente nessa diferença: quem troca existir por haver tende a carregar a concordância, mas o haver impessoal não flexiona.

A armadilha da banca

A alternativa errada parece plausível porque "haverem diferenças" soa como uma forma elegante de reescrever "existissem diferenças". Mas a banca troca o verbo e mantém a concordância do verbo original, criando um erro clássico de regência/concordância. O candidato que não domina a impessoalidade do haver cai na armadilha.

Verbo "haver" (sentido de existir)
  • 1Impessoal
    • Sem sujeito
    • Não flexiona (3ª pessoa do singular)
    • Ex.: "pode haver dúvidas"
  • 2Confusão comum
    • Trocar por "existir" (pessoal)
    • "Haverem diferenças" (errado)
    • "Haver diferenças" (correto)
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NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o verbo haver impessoal (não flexiona) e o verbo existir pessoal (flexiona). A forma "haverem" é o erro — o correto é "haver".

Conclusão

A reescrita não mantém a correção gramatical do texto, pois "haverem" viola a regra do verbo impessoal. O item está Errado.

PEGA ESSA DICA!

Ao reescrever com haver no sentido de existir, desconfie de qualquer flexão no plural. Se o verbo haver puder ser substituído por existir sem prejuízo, ele é impessoal e fica no singular.

Gabarito: letra E (Errado).

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