Questão de Criminalística — Traumatologia: Energia de Ordem Físico-Química (Asfixiologia Médico-Legal) — INSTITUTO AOCP 2024
Criminalística›Traumatologia: Energia de Ordem Físico-Química (Asfixiologia Médico-Legal)
Código
qa556510
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
PCie PE
Ano
2024
Cargo
Ag ML ( )
Um indivíduo foi encontrado suspenso, no caibro do teto, por uma corda amarrada com nó simples e corrediço próximo ao pescoço. O cômodo estava trancado por dentro e sem sinais de arrombamento. A cena não apresentava sinais de luta ou intervenção externa. As vestes do indivíduo não estavam desalinhadas e a altura da vítima em conjunto com os elementos materiais no local, entre eles, uma cadeira, eram suficientes para que ela mesma pudesse realizar todo o procedimento sozinha. Nesse contexto, quais das seguintes características seriam mais consistentes com um caso de enforcamento?
ASulcos horizontais no pescoço.
BSulcos oblíquos ascendentes no pescoço.
CAusência de fraturas no pescoço.
DFraturas múltiplas nas costelas.
ESinais de afogamento.
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GabaritoB — Sulcos oblíquos ascendentes no pescoço.
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Enforcamento: características do sulco cervical
Gabarito: letra B. No enforcamento, o sulco cervical é oblíquo ascendente, dirigido de baixo para cima em direção ao nó do laço, pois o peso do corpo traciona a corda obliquamente em relação ao eixo do pescoço — diferentemente do estrangulamento, em que o sulco é horizontal. Essa é a característica mais consistente com o caso descrito, em que a vítima foi encontrada suspensa por corda com nó corrediço, em cenário compatível com suicídio.
O enforcamento é uma asfixia mecânica por constrição do pescoço, na qual o laço é tracionado pelo próprio peso da vítima. A corda, amarrada ao pescoço e fixada a um ponto superior, exerce pressão oblíqua, ascendente, em direção ao nó. Essa mecânica produz um sulco característico, que é a marca deixada pelo laço na pele. O estudo do sulco é fundamental para o diagnóstico diferencial entre as modalidades de constrição cervical: enforcamento, estrangulamento e esganadura.
A direção do sulco é o critério mais importante. No enforcamento, como o corpo pende, a tração é oblíqua, fazendo o sulco subir em direção ao nó. No estrangulamento, a constrição é feita por outra pessoa, com as mãos ou com um laço tracionado horizontalmente, produzindo um sulco horizontal, contínuo ou interrompido, mas sem a direção ascendente. Na esganadura, a constrição é feita com as mãos, produzindo equimoses e escoriações, sem sulco propriamente dito.
Além da direção, outras características do sulco ajudam no diagnóstico. No enforcamento, o sulco é geralmente interrompido no ponto do nó, tem profundidade desigual (mais profundo no lado oposto ao nó, onde a pressão é maior) e localiza-se acima da cartilagem tireoidea, frequentemente na altura do osso hioide. No estrangulamento, o sulco é horizontal, contínuo ou interrompido, de profundidade mais uniforme, e pode estar em qualquer altura do pescoço, mas geralmente abaixo da cartilagem tireoidea.
No caso apresentado, a cena é típica de suicídio por enforcamento: porta trancada por dentro, ausência de sinais de luta, vestes alinhadas e possibilidade de a vítima ter realizado o ato sozinha. Esses elementos, somados à presença do nó corrediço, reforçam a hipótese de enforcamento. A característica do sulco que mais se alinha a esse diagnóstico é a direção oblíqua ascendente.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre enforcamento e estrangulamento. No enforcamento, o sulco é oblíquo ascendente; no estrangulamento, é horizontal. A alternativa A (sulcos horizontais) descreve o estrangulamento, não o enforcamento. Lembre-se: a direção do sulco é o critério que separa as duas modalidades.
Característica
Enforcamento
Estrangulamento (para comparação)
Direção do sulco cervical
Oblíquo ascendente (de baixo para cima, em direção ao nó)
Horizontal
Localização do sulco
Acima da cartilagem tireoidea (frequentemente na altura do hioide)
Geralmente abaixo da cartilagem tireoidea
Continuidade do sulco
Interrompido no ponto do nó
Contínuo ou interrompido
Profundidade do sulco
Desigual (mais profundo no lado oposto ao nó)
Mais uniforme
Mecanismo de constrição
Tracionado pelo próprio peso da vítima
Tracionado por outra pessoa (laço ou mãos)
Constrição cervical: Enforcamento (Sulco oblíquo ascendente, Interrompido no nó, Acima da tireoide); Estrangulamento (Sulco horizontal, Profundidade uniforme, Abaixo da tireoide); Esganadura (Mãos (sem laço), Equimoses e escoriações)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Sulcos horizontais no pescoço são característicos do estrangulamento, em que a constrição é feita por outra pessoa, com tração horizontal do laço ou das mãos. No enforcamento, a tração é oblíqua, produzindo sulco ascendente.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
No enforcamento, o sulco é oblíquo ascendente, dirigido de baixo para cima em direção ao nó do laço, pois o peso do corpo traciona a corda obliquamente. Essa é a característica mais consistente com o caso descrito.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A ausência de fraturas no pescoço não é uma característica específica do enforcamento. Embora fraturas do osso hioide e da cartilagem tireoidea possam ocorrer, especialmente em vítimas idosas, sua ausência não é um sinal distintivo. O que define o enforcamento é a direção do sulco.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Fraturas múltiplas nas costelas não são características do enforcamento. Elas podem ocorrer em traumas torácicos, como em acidentes ou compressão, mas não são esperadas em uma constrição cervical.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Sinais de afogamento são característicos da asfixia por imersão em líquido, não do enforcamento. O afogamento apresenta sinais como espuma na boca e narinas, enfisema aquoso e presença de diatomáceas nos órgãos, que não se aplicam ao caso.