Questão de História — Reforma Protestante e Contrarreforma — FUNCERN 2024
- Código
- qa582443
- Banca
- FUNCERN
- Órgão
- Pref Currais Novos
- Ano
- 2024
- Cargo
- Prof ( )
Uma professora prepara uma aula a respeito das reformas religiosas europeias do século XVI recorrendo ao texto clássico de Max Weber, A ética protestante e o espírito do capitalismo, escrito no início do século XX.
Ela seleciona o fragmento a seguir:
Efetivamente condenável em termos morais era, nomeadamente, o descanso sobre a posse, o gozo da riqueza com sua consequência de ócio e prazer carnal, mas antes de tudo o abandono da aspiração a uma vida “santa”. E é só porque traz consigo o perigo desse relaxamento que ter posses é reprovável.
O “descanso eterno dos santos” está no Outro Mundo; na terra o ser humano tem mais é que buscar a certeza do seu estado de graça, “levando a efeito, enquanto for de dia, as obras daquele que o enviou”.
Ócio e prazer, não; só serve a ação, o agir conforme a vontade de Deus inequivocamente revelada a fim de aumentar sua glória. A perda de tempo é, assim, o primeiro e em princípio o mais grave de todos os pecados. Nosso tempo de vida é infinitamente curto e precioso para “consolidar” a própria vocação.
Perder tempo com sociabilidade, com "conversa mole", com luxo, mesmo com o sono além do necessário à saúde – seis, no máximo oito horas – é absolutamente condenável em termos morais.
WEBER, Max. A ética protestante e o “espírito” do capitalismo.
São Paulo: Companhia das Letras, 2004. p. 143.
Considerando a análise do autor, a professora busca explicar que a ética protestante calvinista
- Adefendeu a não acumulação de bens materiais sob pena de induzir o indivíduo ao ócio e ao imobilismo religioso que o desviaria da sua vocação espiritual.
- Bdifundiu os princípios éticos e morais das comunas medievais ao defender a livre iniciativa comercial e a ação do indivíduo na sua predestinação religiosa.
- Cfavoreceu a expansão do capitalismo ao valorizar o trabalho e o acúmulo de riquezas por meio de uma vida regrada em prol do sucesso econômico e espiritual.
- Dressignificou o discurso ético e moral da condenação da usura da Igreja Católica ao reafirmar que o gozo da riqueza é incompatível com vida espiritual.