Questão de Legislação de Trânsito — Das Normas Gerais de Circulação e Conduta (arts. 26 a 67 da Lei nº 9.503/1997) — Avança SP 2024
Legislação de Trânsito›Das Normas Gerais de Circulação e Conduta (arts. 26 a 67 da Lei nº 9.503/1997)
Código
qa586358
Banca
Avança SP
Órgão
Pref Caconde
Ano
2024
Cargo
Op ( )
Ao praticar a direção defensiva, uma das condutas indicadas de ser adotado pelo condutor é:
AAcelerar rapidamente para manter-se à frente do tráfego.
BManter uma distância segura do veículo à frente para permitir reações adequadas.
CDesconsiderar sinais de trânsito, apenas quando necessário para evitar congestionamentos.
DNão utilizar o celular enquanto dirige nas vias urbanas.
EDesconsiderar as condições meteorológicas, uma vez que em regra não afetam significativamente a segurança na estrada.
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GabaritoB — Manter uma distância segura do veículo à frente para permitir reações adequadas.
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Direção defensiva: a distância de segurança como conduta essencial
Gabarito: letra B. A direção defensiva é o conjunto de medidas preventivas que o condutor adota para evitar acidentes, e uma de suas condutas centrais é manter distância segura do veículo à frente, exatamente para permitir reações adequadas diante de imprevistos — dever que encontra respaldo no art. 29, II, do Código de Trânsito Brasileiro (Lei 9.503/1997). As demais alternativas descrevem comportamentos imprudentes ou contrários à legislação.
A direção defensiva, também chamada de direção preventiva, é o modo de dirigir que permite reconhecer antecipadamente as situações de perigo e prever o que pode acontecer, com o objetivo de evitar acidentes, mesmo diante das ações incorretas dos outros condutores ou das condições adversas da via, do clima, do veículo e do próprio condutor. Ela se estrutura em cinco elementos fundamentais: conhecimento (das leis, do veículo e das vias), atenção (foco total na condução), previsão (antecipar situações de risco), decisão (escolher a ação mais segura) e habilidade (capacidade de executar a manobra com precisão).
A distância de segurança é um dos pilares práticos dessa condução preventiva. O Código de Trânsito Brasileiro impõe ao condutor o dever de guardar distância de segurança lateral e frontal entre o seu veículo e os demais, bem como em relação ao bordo da pista, considerando-se, no momento, a velocidade e as condições do local, da circulação, do veículo e as condições climáticas. Essa distância não é um número fixo: ela varia conforme a velocidade, o estado da pista (seca ou molhada), as condições de visibilidade e o tempo de reação do condutor. A lógica é simples: quanto maior a velocidade e piores as condições, maior deve ser a distância, pois o espaço de frenagem aumenta e o tempo de reação precisa ser suficiente para evitar a colisão.
Na prática, imagine um condutor trafegando a 80 km/h em uma rodovia com pista molhada. Se ele mantém apenas alguns metros do veículo da frente, qualquer freada brusca do veículo à sua frente resultará em colisão traseira, pois a distância de frenagem em piso molhado é muito maior do que em piso seco. O condutor defensivo, ao contrário, aumenta a distância nessa situação, garantindo tempo e espaço para reagir com segurança. Essa é a essência da alternativa correta: a distância segura não é uma recomendação vaga, mas uma exigência legal e uma técnica de prevenção de acidentes.
A banca explora aqui um contraste claro entre a conduta defensiva e a conduta imprudente. Enquanto a direção defensiva prega paciência, previsão e respeito às normas, as alternativas incorretas descrevem comportamentos de risco: acelerar para se manter à frente, desconsiderar sinais ou condições meteorológicas, ou ainda condutas que, embora corretas em parte, não representam o núcleo da direção defensiva. O critério decisivo para separar as alternativas é identificar qual conduta aumenta a segurança e está em conformidade com a lei — e não apenas qual parece razoável.
Art. 29, IICTB
Art. 29, II — "o condutor deverá guardar distância de segurança lateral e frontal entre o seu e os demais veículos, bem como em relação ao bordo da pista, considerando-se, no momento, a velocidade e as condições do local, da circulação, do veículo e as condições climáticas"
Direção defensiva
1Elementos
Conhecimento
Atenção
Previsão
Decisão
Habilidade
2Condutas essenciais
Distância de segurança (art. 29, II)
Varia com velocidade
Varia com pista (seca/molhada)
Varia com visibilidade
Respeito à sinalização
Facilitar ultrapassagem (sem acelerar)
3Condutas contrárias
Acelerar para se manter à frente
Ignorar sinais de trânsito
Desconsiderar condições climáticas
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Acelerar rapidamente para manter-se à frente do tráfego é o oposto da direção defensiva. Essa conduta aumenta o risco de colisão, reduz o tempo de reação e estimula a competição no trânsito, em vez da cooperação. A direção defensiva prega a manutenção de uma velocidade compatível com as condições da via e do tráfego, não a aceleração para "ganhar" dos demais. Além disso, o art. 30 do CTB, ao tratar da ultrapassagem, determina expressamente que o condutor que percebe a intenção de outro de ultrapassá-lo deve facilitar a manobra sem acelerar a marcha — ou seja, a aceleração é expressamente vedada nesse contexto.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Manter uma distância segura do veículo à frente é a essência da direção defensiva. Essa conduta permite ao condutor ter tempo e espaço suficientes para reagir adequadamente a qualquer imprevisto, como uma freada brusca, um pedestre que cruza a via ou um objeto que cai na pista. O dever de guardar distância de segurança está previsto no art. 29, II, do CTB, que exige a observância da velocidade e das condições do local, da circulação, do veículo e do clima. A alternativa espelha com precisão o conceito de direção defensiva e o dispositivo legal.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Desconsiderar sinais de trânsito, mesmo que para evitar congestionamentos, é conduta gravíssima e totalmente contrária à direção defensiva. Os sinais de trânsito existem para organizar o fluxo e garantir a segurança de todos; desobedecê-los cria situações de perigo iminente. A hierarquia dos sinais é definida no art. 89 do CTB, que estabelece a prevalência das ordens do agente de trânsito sobre as normas de circulação e outros sinais — mas isso não autoriza o condutor a ignorar a sinalização por conveniência. A direção defensiva prega o respeito absoluto à sinalização, pois ela é a linguagem comum do trânsito.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Não utilizar o celular enquanto dirige é, de fato, uma conduta correta e segura — o uso do celular ao volante é infração gravíssima e uma das principais causas de distração. No entanto, a alternativa não representa o núcleo da direção defensiva, que é um conjunto mais amplo de técnicas preventivas. A questão pede "uma das condutas indicadas de ser adotado pelo condutor" no contexto da direção defensiva, e a alternativa B é mais específica e diretamente ligada ao conceito de prevenção de acidentes. A alternativa D é uma conduta correta, mas não é a resposta mais adequada ao que se pede, pois a direção defensiva vai muito além de evitar o celular — envolve distância segura, atenção, previsão e decisão.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Desconsiderar as condições meteorológicas é o oposto da direção defensiva. As condições do tempo — chuva, neblina, vento forte — são fatores que afetam diretamente a segurança na estrada, aumentando a distância de frenagem, reduzindo a visibilidade e alterando a aderência dos pneus. O art. 29, II, do CTB, ao tratar da distância de segurança, menciona expressamente as "condições climáticas" como fator a ser considerado. O condutor defensivo, ao contrário, redobra a atenção e reduz a velocidade em condições adversas, nunca as ignora.
A direção defensiva é, em síntese, a arte de dirigir prevenindo acidentes. Ela exige do condutor conhecimento, atenção, previsão, decisão e habilidade — e a distância de segurança é a materialização prática desse conjunto. Na prova, lembre-se: a conduta defensiva é sempre aquela que aumenta a margem de segurança e respeita a legislação, nunca a que expõe o condutor ou os demais a riscos desnecessários.