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Questão de Português — Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc) — IPPEC 2024

PortuguêsCoerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Código
qa591583
Banca
IPPEC
Órgão
Pref Itapema
Ano
2024
Cargo
AFisc ( )

LÍNGUA PORTUGUESA

 

Leia o texto e responda a questão seguinte.

 

Nossa educação é péssima?

 

Em 2000, desabou na Alemanha uma notícia aterradora. O pais estava em 25º lugar no Pisa, um teste que mede a capacidade de leitura e o aprendizado de matemática e ciências, entre jovens de 15 anos, em cerca de quarenta países. Educadores, pais e autoridades oscilaram entre traumatizados e enfurecidos. Até hoje, clima está tumultuado, com comissões, seminários e uma enxurrada de novas leis.

 

Nesse mesmo exame, o Brasil obteve o último lugar, bem atrás do México. Mas no nosso caso há outra notícia pior: o resultado não criou uma crise. A imprensa não fez barulho. A esquerda e a direita ficaram mudas. Pesquisas com pais mostram um resultado quase inacreditável: eles estão satisfeitos com a educação oferecida aos filhos.

 

Metade dos alunos da 4ª série são praticamente analfabetos. Não há nenhuma discrepância, todos os resultados mostram que nossa educação é péssima. Tampouco existem atenuantes. Mas há uma agravante: o desempenho muito melhor de países com o mesmo nível de renda e que pagam aproximadamente a mesma coisa aos professores.

Em outras palavras, estamos diante de dois grandes problemas. Precisamos convencer os brasileiros de que nossa educação é péssima e, então, entender como melhorá-la. Mas quer nos parecer que, sem vencer a primeira barreira, não vamos mudar a qualidade da educação.

 

Tentemos entender o que está ocorrendo. Praticamente, terminamos o ciclo de criar escolas, contratar professores e oferecer livros, merenda e uma estrutura operacional mínima. Não resolveu. Então, alguma coisa deve estar errada na sala de aula, pois é lá que acontece a educação.

 

Uma primeira pista discreta vem de uma pesquisa recente com professores. De tudo o que disseram e reclamaram, em hora nenhuma mencionaram que os alunos não estão aprendendo - no fundo, o único assunto importante. Ou seja, aqueles que pilotam as salas de aula não reportam ser esse o problema.

 

Os teóricos e ideólogos da moda circunavegam os espaços intergalácticos com suas teorias impenetráveis e denúncias conspiratórias. Inevitavelmente, as propostas são exaltadas, complicadas e sem foco. Mas nenhum deles se lembra de pousar nas terras onde a educação funciona e ver como se faz lá. Teriam surpresas.

 

O primeiro passo para pensar nas soluções é entender que há prioridades, ou seja, algumas coisas se fazem antes, sacrificando as outras. A primeira missão da escola é ensinar a ler, a entender o que foi lido, a escrever e a usar números para lidar com problemas do mundo real. Obviamente, isso faz convergir todo o foco do esforço para os primeiros anos. A emoção, o afeto, o amor e a autoestima não são objetivos em si, mas condições necessárias para acontecer o ensino sério.

 

Os professores têm de receber essa missão e precisam prestar conta dela. Os que tiverem êxito na missão devem ser festejados e premiados. Para isso, os alunos têm de ser avaliados e testados com frequência. São necessários currículos detalhados, bons livros e professores que saibam usá-los. Se tal fórmula deu certo em todos os países avançados, caberia aos gurus demonstrar por que o Brasil é "diferente".

 

Precisamos de uma sociedade indignada contra a educação que temos. Precisamos de uma crise grave.

 

Claudio de Moura Castro

VEJA, 26/04/2006

 

Analise as afirmativas abaixo, com base no texto, e assinale a alternativa INCORRETA.

  1. AO fato de o resultado do Pisa não ter criado uma crise foi considerado "outra noticia pior" porque não houve indignação da imprensa, autoridades, políticos e pais contra a péssima educação que temos.
  2. BO autor cita como agravante do resultado brasileiro no Pisa o fato de outros países semelhantes ao Brasil em nível de renda e salários dos professores terem resultados piores que nós.
  3. C“Mas quer nos parecer que, sem vencer a primeira barreira, não vamos mudar a qualidade da educação”. A primeira barreira a que o autor refere é convencer os brasileiros de que nossa educação é péssima.
  4. D“Ou seja, aqueles que pilotam as salas de aula não reportam ser esse o problema”. O problema a que o autor refere é o fato de os alunos não estarem aprendendo em sala de aula.
  5. E“Se tal fórmula deu certo em todos os países avançados, caberia aos gurus demonstrar por que o Brasil é diferente”. Há quatro grafias possíveis do porquê, conforme o caso: porque, porquê, por que e por quê. Nos cinco exemplos a seguir, as palavras sublinhadas estão grafadas corretamente: "O diretor está preocupado porque desconfia de algo irregular." "Diga-me por que o diretor está preocupado”. "O diretor está preocupado e não disse o porquê." "O diretor está preocupado por quê?" "Por que o diretor está preocupado?"
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GabaritoB — O autor cita como agravante do resultado brasileiro no Pisa o fato de outros países semelhantes ao Brasil em nível de renda e salários dos professores terem resultados piores que nós.

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