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Questão de Português — Tipologia e Gênero Textual — INSTITUTO AOCP 2024

PortuguêsTipologia e Gênero Textual
Código
qa591655
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
PM PE
Ano
2024
Cargo
Of ( )

O papel da memória e a memória de papel

 

Com espantosa frequência, leilões on-line oferecem ao mercado preciosos documentos públicos. Enquanto atuaram em funções estatais, personagens como Epitácio Pessoa, José de Alencar, Machado de Assis ou Pedro 2º produziram documentos públicos que, hoje, são disputados como investimento, como raridade colecionável e até como instrumento de crimes financeiros. A depender do conteúdo, do autógrafo, do estado de conservação e da procedência, um documento pode alcançar milhares de reais.

 

Papéis tramitados entre duas esferas públicas, contudo, estão sujeitos, caso autênticos, ao art. 10 da Lei nº 8.159/1991, que proíbe a comercialização de documentos de valor histórico egressos de arquivos públicos.

 

A Instrução Normativa 01/2007 do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) exige que leilões contendo documentos produzidos até o ano de 2000 sejam previamente informados ao órgão para análise de restrições de circulação ou identificação de eventual interesse de alguma instituição de acautelamento de patrimônio cultural.

 

A partir dessa informação, a autoridade pode exigir a retirada do documento do leilão definitivamente ou, caso seja necessário, para a realização de perícia, a fim de identificar, por exemplo, numerações, carimbos, vestígios de amarração, marcas de que o papel foi destacado de alguma encadernação, além do próprio conteúdo oficial do documento. Tudo isso para definir autenticidade e procedência do documento, mas nem sempre a comunicação prévia é feita.

 

Um documento público original assinado por Epitácio Pessoa, por exemplo, antes de chegar a uma grande plataforma de leilão on-line como eBay, Catawiki, Mercado Livre ou LeilõesBR, ou a grupos de WhatsApp, Facebook e Telegram, provavelmente saiu de modo ilícito de algum arquivo federal ou estadual. O aperfeiçoamento da legislação esparsa e a adoção de medidas interinstitucionais são um caminho urgente e necessário para salvaguardar o patrimônio documental.

 

Neste momento, a Câmara dos Deputados discute o Projeto de Lei nº 2.789/2021, que atualiza a Lei de Arquivos (Lei nº 8.159/1991) e torna improbidade administrativa o ato de "agir ou concorrer para a perda, desvio, apropriação, malbaratamento ou dilapidação dos bens materiais e imateriais do patrimônio histórico, artístico e cultural brasileiro, inclusive mediante desestruturação e corte de verbas para custeio dos órgãos incumbidos de proteger tal acervo".

 

A proposta é bem-vinda. Não é razoável que a Lei de Improbidade (Lei nº 8.429/1992) ainda não contenha uma única referência a bens culturais. Mas essa medida ainda demoraria algum tempo até produzir efeitos concretos em uma realidade que, neste momento, já exige providências urgentes.

 

Uma ação complementar, de efeitos mais rápidos, poderia mobilizar os ministérios da Cultura e da Justiça e o Ministério Público para obrigar os marketplaces a se comprometer com "effective moderation policies" e impedir a venda de bens culturais sem prova de origem e comercialização lícitas. Medidas auxiliares incluiriam a adoção de códigos de conduta para essas plataformas digitais e o desenvolvimento de "bots" para detectar automaticamente, a partir da análise de imagens ou palavras-chave via inteligência artificial, bens procurados.

 

A Constituição Federal definiu os documentos como parte do patrimônio cultural do Brasil (art. 216, inc. IV) e fixou que é competência comum de todos os entes da Federação protegê-los (art. 23, inc. III). A Unesco, por sua vez, ao aprovar a "Declaração Universal sobre Arquivos", em 2011, destacou o "papel essencial dos arquivos para (...) assegurar a memória individual e coletiva, e para compreender o passado, documentar o presente com vista a orientar o futuro".

 

Documentos – textuais, cartográficos, iconográficos, fonográficos etc. – são preciosas fontes de informação, e subtraí-los, extraviá-los, danificar ou destruir é pôr em risco a nossa memória. Sem memória, é impossível haver cultura e, sem cultura, nada resta da sociedade. Descuidar do patrimônio arquivístico, portanto, é o mesmo que abandonar uma parte de nós mesmos, de nossa humanidade.

 

Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2023/11/o-papel-da-memoria-e-a-memoria-de-papel.shtml. Acesso em: 17 nov. 2023.

Assinale a alternativa que analisa corretamente as características linguísticas e a tipologia textual predominante no trecho a seguir:   “Documentos – textuais, cartográficos, iconográficos, fonográficos etc. – são preciosas fontes de informação, e subtraí-los, extraviá-los, danificar ou destruir é pôr em risco a nossa memória. Sem memória, é impossível haver cultura e, sem cultura, nada resta da sociedade. Descuidar do patrimônio arquivístico, portanto, é o mesmo que abandonar uma parte de nós mesmos, de nossa humanidade.”
  1. AUso de advérbios de modo e de intensidade, verbos no pretérito imperfeito do indicativo, característicos da tipologia argumentativa.
  2. BUso de operador argumentativo e de verbos no presente do indicativo, característicos da tipologia argumentativa.
  3. CUso de verbos com valor imperativo e de pronomes pessoais, característicos da tipologia expositiva.
  4. DUso de verbos no pretérito perfeito do indicativo e de advérbios de tempo e lugar, característicos da tipologia expositiva.
  5. EUso de verbos no infinitivo e de adjetivos, característicos da tipologia narrativa descritiva.
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GabaritoB — Uso de operador argumentativo e de verbos no presente do indicativo, característicos da tipologia argumentativa.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Tipologia textual e marcas linguísticas no trecho final

Gabarito: letra B. A questão pede para analisar as tipologia textual predominante e as características linguísticas do trecho final do texto. A alternativa B está correta porque identifica o uso de operador argumentativo ("portanto") e de verbos no presente do indicativo ("são", "é", "resta"), características típicas da tipologia argumentativa, cuja finalidade é defender uma tese e persuadir o leitor. Como se lê no trecho: "Descuidar do patrimônio arquivístico, portanto, é o mesmo que abandonar uma parte de nós mesmos".

O comando pede que se analise "as características linguísticas e a tipologia textual predominante" — ou seja, exige que você relacione marcas formais do texto (verbos, advérbios, conectivos) com o tipo textual que elas ajudam a construir. Não se trata de interpretar o conteúdo, mas de reconhecer, no trecho, os elementos gramaticais que o caracterizam. A tipologia é definida pela intenção do autor: o trecho não narra fatos, não descreve objetos, não dá instruções — ele defende uma opinião (a importância de preservar documentos) e tenta convencer o leitor, o que é a marca do texto dissertativo-argumentativo.

A técnica para resolver é: (1) identificar a intenção predominante do trecho (convencer/persuadir = argumentativo); (2) localizar as marcas linguísticas que sustentam essa intenção. No trecho, os verbos "são", "é", "resta" estão no presente do indicativo, tempo que confere tom de verdade atemporal e universal, típico da argumentação. O conectivo "portanto" é um operador argumentativo que introduz uma conclusão — recurso clássico da dissertação argumentativa, que encadeia raciocínio para levar o leitor à tese. As demais alternativas erram ao atribuir ao trecho marcas que não existem nele (advérbios de modo, pretérito imperfeito, imperativo, pretérito perfeito, infinitivo) ou ao classificar a tipologia como expositiva, narrativa ou descritiva, que não correspondem à intenção persuasiva do trecho.

A pegadinha central da questão é a troca de marcas linguísticas: cada distratora inventa uma combinação de elementos que não aparecem no trecho (ou que aparecem, mas com outra função) e a associa a uma tipologia. A banca explora a confusão entre as características de cada tipo textual — por exemplo, associar "verbos no pretérito" à narração, "adjetivos" à descrição, "imperativo" à injunção — mas o trecho não apresenta essas marcas. A única alternativa que descreve com precisão o que está escrito é a B.

1Argumentativa
Operador argumentativo ("portanto")
Presente do indicativo ("são", "é", "resta")
Intenção: convencer/persuadir
2Expositiva
Informar
Impessoal
3Narrativa
Contar fatos
Verbos de ação no pretérito
4Descritiva
Caracterizar
Adjetivos
5Injuntiva
Instruir
Imperativo
Tipologia textual
LEVELsoulevel.com.br
Tipologia textual: Argumentativa (Operador argumentativo ("portanto"), Presente do indicativo ("são", "é", "resta"), Intenção: convencer/persuadir); Expositiva (Informar, Impessoal); Narrativa (Contar fatos, Verbos de ação no pretérito); Descritiva (Caracterizar, Adjetivos); Injuntiva (Instruir, Imperativo)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que há "uso de advérbios de modo e de intensidade" e "verbos no pretérito imperfeito do indicativo". No trecho, não há advérbios de modo (como "rapidamente", "bem") nem de intensidade (como "muito", "pouco"), e nenhum verbo está no pretérito imperfeito (como "eram", "tinham"). Os verbos estão no presente do indicativo. A alternativa extrapola ao inventar marcas que não existem no texto e ainda as associa à tipologia argumentativa, que, embora correta, não se sustenta com essas marcas.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa identifica corretamente o operador argumentativo "portanto" e os verbos no presente do indicativo ("são", "é", "resta"), características da tipologia argumentativa. O trecho defende a tese de que descuidar do patrimônio arquivístico é abandonar parte da humanidade, usando o "portanto" para concluir o raciocínio. O presente do indicativo confere tom de verdade universal, típico da argumentação. A alternativa está inteiramente sustentada pelo texto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que há "verbos com valor imperativo" e "pronomes pessoais", características da tipologia expositiva. No trecho, não há verbos no imperativo (como "faça", "preserve") — os verbos estão no presente do indicativo. Há pronomes pessoais ("nós", "nos"), mas eles não são marca da tipologia expositiva, que é impessoal. Além disso, a tipologia predominante é argumentativa, não expositiva. A alternativa contradiz o texto ao atribuir marcas que não existem e classificar a tipologia incorretamente.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que há "verbos no pretérito perfeito do indicativo" e "advérbios de tempo e lugar", características da tipologia expositiva. No trecho, não há verbos no pretérito perfeito (como "foi", "fez") — os verbos estão no presente. Também não há advérbios de tempo (como "ontem", "agora") nem de lugar (como "aqui", "ali"). A tipologia predominante é argumentativa, não expositiva. A alternativa extrapola ao inventar marcas que não existem e classificar a tipologia incorretamente.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que há "verbos no infinitivo" e "adjetivos", características da tipologia narrativa descritiva. No trecho, não há verbos no infinitivo (como "preservar", "proteger") — os verbos estão no presente do indicativo. Há adjetivos ("preciosas", "impossível"), mas eles não são marca da tipologia narrativa, que se caracteriza por verbos de ação no pretérito e progressão temporal. A tipologia predominante é argumentativa, não narrativa descritiva. A alternativa contradiz o texto ao atribuir marcas que não existem e classificar a tipologia incorretamente.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de tipologia, pergunte-se: qual é a intenção do autor? Se ele quer convencer, é argumentativo; se quer informar, é expositivo; se quer contar, é narrativo; se quer descrever, é descritivo; se quer instruir, é injuntivo. Depois, confira se as marcas linguísticas da alternativa realmente aparecem no trecho.

Gabarito: letra B — a única alternativa que descreve com precisão as marcas linguísticas (operador argumentativo "portanto" e verbos no presente do indicativo) e a tipologia predominante (argumentativa) do trecho.

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