Questão de Português — Clareza e Correção — Quadrix 2024
Português›Clareza e Correção
Código
qa591807
Banca
Quadrix
Órgão
CRMV CE
Ano
2024
Cargo
Ag Fisc ( )
Black Friday e animal não é legal
O CRMV‑CE informa que Black Friday e serviços para animais não combinam. Reforçamos que é proibida publicidade de qualquer serviço veterinário com o preço e a modalidade de pagamento, conforme o Código de Ética do médico‑veterinário.
A Resolução CFMV n.o 1.138/16, capítulo VII – do sigilo profissional, art. 15, determina que é vedado ao médico‑veterinário divulgar seus serviços como gratuitos ou valores promocionais.
A Resolução CFMV n.º 1.267/2019, do Código de Ética do Zootecnista, capítulo IV – deveres na divulgação e publicidade, seção VII, incisos VII e VIII, veta qualquer propaganda pessoal e profissional. A divulgação de tabelas de honorários, de possibilidades de parcelamento ou de descontos promocionais são proibidos. Por isso, não caia nessa. Animais e profissionais que cuidam deles devem, sim, ser valorizados.
Internet: <www.crmv‑ce.org.br> (com adaptações).
Texto para o item.
Acerca dos aspectos linguísticos e dos sentidos do texto, julgue o item.
Por se tratar de uma comunicação oficial do CRMV‑CE, não é permitido que se utilize o modo imperativo no texto. No entanto, a redação do trecho “Por isso, não caia nessa” fere essa regra e incorre em erro.
CCerto
EErrado
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GabaritoE — Errado
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Modo imperativo e comunicação oficial: o que o texto realmente permite
Gabarito: E (Errado). A assertiva parte de uma premissa falsa: não existe regra que proíba o uso do modo imperativo em comunicações oficiais. O imperativo é um recurso legítimo de linguagem, especialmente em textos de caráter apelativo ou de conscientização, como é o caso do texto do CRMV-CE. O trecho “Por isso, não caia nessa” é uma escolha estilística adequada ao gênero, e não um erro. A banca tenta confundir o candidato ao associar “comunicação oficial” a uma suposta proibição que não existe.
O comando da questão
O enunciado pede para julgar (certo/errado) uma afirmação sobre o texto. A afirmação tem duas partes: (1) que, por ser comunicação oficial, não é permitido usar o modo imperativo; (2) que o trecho “Por isso, não caia nessa” fere essa regra e incorre em erro. Para resolver, é preciso verificar se essa “regra” existe. Não existe. O modo imperativo é uma forma verbal normal, usada para dar ordens, conselhos ou fazer pedidos. Em textos oficiais, seu uso não é proibido; o que se exige é clareza, impessoalidade e adequação ao gênero.
O texto e sua natureza
O texto do CRMV-CE é uma campanha de conscientização sobre a proibição de publicidade promocional de serviços veterinários. Ele informa, mas também orienta o leitor — por isso o uso do imperativo em “não caia nessa” é funcional: o autor quer alertar o público para não cair em armadilhas de Black Friday. Veja o trecho:
“Por isso, não caia nessa. Animais e profissionais que cuidam deles devem, sim, ser valorizados.”
Aqui, o imperativo “caia” (forma negativa do imperativo de “cair”) é usado para persuadir o leitor. Isso é típico de textos apelativos, que buscam influenciar o comportamento do destinatário. A comunicação oficial, quando tem caráter educativo ou de alerta, pode e deve usar esses recursos para ser eficaz.
A técnica: imperativo e gênero textual
O modo imperativo é um dos três modos verbais do português (indicativo, subjuntivo, imperativo). Ele expressa ordem, pedido, conselho, convite ou súplica. Na forma negativa, como em “não caia”, usa-se o presente do subjuntivo. A escolha do imperativo depende da intenção comunicativa do texto. Em textos oficiais, o imperativo pode aparecer em:
Manuais de instrução: “Preencha o formulário”.
Editais: “Leia atentamente”.
Campanhas públicas: “Não dirija após beber”.
Portanto, a afirmação de que “não é permitido” é falsa. O que a redação oficial evita é o tom pessoal e intimista, mas o imperativo, quando usado com impessoalidade (sem marcas de subjetividade), é perfeitamente aceitável.
Modo imperativo em comunicação oficial
1Permitido (não há proibição)
Recurso legítimo de linguagem
Textos apelativos/conscientização
Manuais, editais, campanhas
2Requisito: impessoalidade
Sem tom pessoal/intimista
Adequação ao gênero
3Proibição absoluta (premissa falsa)
Generalização indevida
Desconsidera o gênero
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Análise da assertiva
A assertiva comete um erro de generalização: ela transforma uma característica de alguns textos oficiais (a impessoalidade) em uma proibição absoluta do imperativo. Além disso, ela desconsidera o gênero do texto: não é um ofício ou um decreto, mas uma nota pública de conscientização, que se aproxima do texto jornalístico ou publicitário. Nesse contexto, o imperativo é recurso persuasivo e não um erro.
Conclusão
A assertiva está errada porque:
Não há proibição do uso do imperativo em comunicações oficiais.
O trecho “não caia nessa” é adequado ao gênero e à finalidade do texto.
A redação não incorre em erro gramatical ou de adequação.
Portanto, o gabarito é E (Errado).
PEGA ESSA DICA!
Desconfie de afirmações que impõem regras absolutas (“não é permitido”, “sempre”, “nunca”) sem base no texto. Verifique se o gênero e a intenção comunicativa justificam o uso do recurso.