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Questão de Português — Regência Nominal e Verbal (Casos Gerais) — Avança SP 2024

PortuguêsRegência Nominal e Verbal (Casos Gerais)
Código
qa592163
Banca
Avança SP
Órgão
Pref Ubatuba
Ano
2024
Cargo
Ag ( )

Tijolos da Mesopotâmia revelam anomalia

antiga no campo magnético da Terra

 

Cruzando dados do campo magnético do planeta com inscrições em blocos de argila, cientistas confirmaram a existência de um fenômeno ocorrido há 3 mil anos.

 

O campo magnético da Terra não foi sempre o mesmo. O polo Norte e o polo Sul já trocaram de lugar algumas vezes ao longo das erasgeológicas. Além disso, sua intensidade aumenta e diminui com o tempo, às vezes de maneira desigual. Essas mudanças deixam cicatrizes químicas em certos minerais, que se tornam boas pistas para investigar o passado da magnetosfera. Átomos de ferro presentes, por exemplo, podem ter se alinhado ao campo em um certo ponto do passado, e então permanecido travados nessa posição – o que os torna uma janela para um instante exato da história do planeta. Uma pesquisa publicada recentemente no periódico especializado Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) investigou essas cicatrizes em minerais um tanto especiais: grãos de óxido de ferro presentes em 32 tijolos fabricados na Mesopotâmia há mais de 3 mil anos. Como esses blocos de argila têm inscrições indicando o nome do déspota que governava o território na época de sua fabricação, torna-se possível cruzar o dado histórico com o químico, o que torna a datação extremamente precisa.

 

O estudo confirma a existência de um fenômeno chamado “anomalia geomagnètica da Idade do Ferro no Levante”. Entre 1050 e 550 a.C., o campo magnético da Terra era estranhamente forte na região do Levante (os arredores de Iraque, Jordânia, Síria e Israel), por razões ainda misteriosas. Evidências dessa anomalia já haviam sido detectadas em lugares distantes, mas dados vindos do próprio Oriente Médio eram escassos.

 

Arqueomagnetismo

Um mapeamento cada vez mais detalhado das mudanças no campo magnético da Terra com o passar das eras dá aos arqueólogos uma ferramenta cada vez melhor para datar artefatos antigos.“Muitas vezes dependemos de métodos de datação, como radiocarbono, para ter uma noção da cronologia na antiga Mesopotâmia. No entanto, alguns dos vestígios culturais mais comuns, como tijolos e cerâmicas, não podem ser facilmente datados porque não contêm material orgânico [ou seja, material com átomos de carbono]”, diz Mark Altaweel, coautor do artigo, em declaração â imprensa. “Este trabalho agora ajuda a criar uma importante base que permite que outros se beneficiem da datação absoluta usando o arqueomagnetismo.” Em sua fala, Altaweel se refere ao método de datação mais comum da arqueologia, em que os pesquisadores descobrem quando um objeto foi fabricado (ou, no caso de um ser vivo, quando ele viveu) pela taxa a que átomos de carbono radioativos presentes nessa coisa se desmancham em outros átomos, mais estáveis. Grosso modo, quanto mais antigo o item, menos carbono radioativo haverá nele. A equipe espera que a área de pesquisa incipiente do arqueomagnetismo – a busca por assinaturas do campo magnético da Terra em artefatos arqueológicos –, aumente a precisão com que conhecemos história desse escudo invisível que circunda o planeta (e, de quebra, que melhore nossa capacidade de datar o passado da nossa própria espécie).

Revista Superinteressante. Adaptado.

(Disponível em: https://super.abril.com.br/ciencia/tijolos-damesopotamia- revelam-anomalia-antiga-no-campomagnetico- da-terra)

Texto para responder à questão.   Considere o excerto: “Um mapeamento cada vez mais detalhado das mudanças no campo magnético da Terra com o passar das eras dá aos arqueólogos uma ferramenta cada vez melhor para datar artefatos antigos.” No contexto apresentado, em relação à regência, o verbo “dar” é:
  1. Atransitivo direto e indireto.
  2. Btransitivo direto.
  3. Ctransitivo indireto.
  4. Dintransitivo.
  5. Ede ligação.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — transitivo direto e indireto.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Regência do verbo "dar": transitividade no contexto

Gabarito: letra A. No excerto, o verbo "dar" é transitivo direto e indireto (bitransitivo), pois apresenta dois complementos: um objeto direto ("uma ferramenta cada vez melhor") e um objeto indireto ("aos arqueólogos"). A passagem que comprova é:

"Um mapeamento cada vez mais detalhado das mudanças no campo magnético da Terra com o passar das eras dá aos arqueólogos uma ferramenta cada vez melhor para datar artefatos antigos."

Aqui, "dar" exige dois complementos para completar seu sentido: o quê (objeto direto) e a quem (objeto indireto, introduzido pela preposição "a").

O comando da questão

A questão pede que você classifique a transitividade do verbo "dar" no contexto específico do excerto. Isso é uma questão de gramática aplicada ao texto: não basta saber a definição teórica de cada tipo de verbo; é preciso analisar a estrutura da oração e identificar os complementos que o verbo exige. O comando "no contexto apresentado" reforça que a resposta depende da análise do trecho, não de uma regra decorada isolada.

O texto e a estrutura da oração

O excerto é um período composto por subordinação, mas o núcleo da análise está na oração principal: "Um mapeamento [...] dá aos arqueólogos uma ferramenta cada vez melhor". Vamos decompor:

  • Sujeito: "Um mapeamento cada vez mais detalhado das mudanças no campo magnético da Terra com o passar das eras" (núcleo: "mapeamento").

  • Verbo: "dá" (forma do verbo "dar").

  • Objeto indireto: "aos arqueólogos" (introduzido pela preposição "a" + artigo "os" = "aos").

  • Objeto direto: "uma ferramenta cada vez melhor" (sem preposição).

O verbo "dar" é bitransitivo (ou transitivo direto e indireto) porque pede dois complementos: um sem preposição (objeto direto) e outro com preposição (objeto indireto). Essa é a regência clássica do verbo "dar" no sentido de "oferecer", "entregar": dar algo a alguém.

A técnica que decide

Para classificar a transitividade de um verbo, pergunte: o verbo precisa de complemento? Se sim, quantos e com ou sem preposição?

  • Transitivo direto (VTD): exige complemento sem preposição (objeto direto). Ex.: "Ele comprou um livro."

  • Transitivo indireto (VTI): exige complemento com preposição (objeto indireto). Ex.: "Ele gosta de música."

  • Transitivo direto e indireto (VTDI): exige dois complementos, um sem e outro com preposição. Ex.: "Ele deu um presente ao amigo."

  • Intransitivo (VI): não exige complemento; o sentido é completo. Ex.: "Ele morreu."

  • De ligação (VL): liga o sujeito a um predicativo, não indica ação. Ex.: "Ele é professor."

No excerto, "dar" claramente se encaixa no VTDI: dá (o quê?) uma ferramenta (OD) a quem? aos arqueólogos (OI).

Análise das alternativas

Verbo "dar" no excerto
  • 1Transitivo direto e indireto (VTDI)
    • Objeto direto: "uma ferramenta cada vez melhor"
    • Objeto indireto: "aos arqueólogos"
  • 2Classificação pela pergunta
    • "dá o quê?" → OD
    • "dá a quem?" → OI
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O verbo "dar" é transitivo direto e indireto (VTDI), pois apresenta dois complementos: "uma ferramenta cada vez melhor" (objeto direto, sem preposição) e "aos arqueólogos" (objeto indireto, com preposição "a"). A estrutura "dar algo a alguém" é o exemplo típico de bitransitividade. A passagem do texto comprova:

"dá aos arqueólogos uma ferramenta cada vez melhor"

O primeiro complemento responde a "dá o quê?" (OD); o segundo, a "dá a quem?" (OI).

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que o verbo é apenas transitivo direto, mas isso ignora o complemento "aos arqueólogos", que é introduzido por preposição e funciona como objeto indireto. A alternativa restringe a transitividade, suprimindo um dos complementos essenciais do verbo. O texto mostra claramente os dois complementos.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que o verbo é apenas transitivo indireto, mas isso ignora o complemento "uma ferramenta cada vez melhor", que é objeto direto (sem preposição). A alternativa restringe a transitividade ao omitir o objeto direto. O verbo "dar" não é apenas VTI no contexto; exige também o OD.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que o verbo é intransitivo, ou seja, que não exige complemento. Isso é falso, pois o verbo "dar" no excerto exige dois complementos para completar seu sentido. A alternativa contradiz a estrutura da oração, que apresenta claramente OD e OI.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que o verbo é de ligação, o que ocorreria se ele ligasse o sujeito a um predicativo (ex.: "Ele é professor"). No excerto, "dar" expressa uma ação de transferência, não um estado ou qualidade do sujeito. A alternativa troca o conceito de verbo de ligação, que não se aplica aqui.

Fechamento

A regra de ouro: para classificar a transitividade, identifique os complementos do verbo no contexto. Se houver dois complementos, um sem e outro com preposição, o verbo é VTDI. No excerto, "dar" exige "uma ferramenta" (OD) e "aos arqueólogos" (OI), confirmando a letra A.

PEGA ESSA DICA!

Ao analisar a transitividade, sublinhe o verbo e pergunte: "o quê?" e "a quem?" (ou "de quê?", "com quê?"). Se houver resposta para ambas, é VTDI. Desconfie de alternativas que classificam o verbo como apenas direto ou apenas indireto quando há dois complementos.

Gabarito: letra A

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