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Questão de Português — Conjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais — Avança SP 2024

PortuguêsConjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais
Código
qa592177
Banca
Avança SP
Órgão
Pref Ubatuba
Ano
2024
Cargo
Prof ( )

Paratethys, o maior lago que já existiu na Terra, ia da Suíça até o Irã

 

O avô dos atuais mares Negro e Cáspio foi lar de baleias com apenas 3 metros, e continha dez vezes mais água que todos os lagos da Terra atual somados.

 

Há 11,6 milhões de anos, no final de uma época chamada Mioceno, a Terra já era, em linhas gerais, um planeta muito parecido com o atual. Não existiam elefantes ou rinocerontes como você os conhece, mas já havia mamíferos claramente reconhecíveis como antepassados deles. Os continentes tampouco tinham os exatos contornos atuais. O Himalaia, os Alpes e os Andes estavam todos se formando. A Espanha estava conectada a Marrocos por um arquipélago. A Índia ainda estava se encaixando na Ásia. Mas você já encontraria o Brasil no mapa sem dificuldades.

 

Uma das diferenças fundamentais é que boa parte do Leste Europeu e da Ásia Central não existiam: uma região 10% maior que o atual Mar Mediterrâneo, compreendida entre atuais territórios da Suíça e do Irã, estava submersa no maior lago já encontrado no registro geológico, chamado Paratethys. Paratethys passou aproximadamente 5 milhões de anos – entre 11,6 milhões e 7 milhões de anos atrás – isolado dos outros corpos d’água da Terra. Isso permitiu a evolução de uma fauna aquática única e adequada às dimensões locais, que incluía algumas das menores baleias já encontradas por paleontólogos (como a Cetotherium riabinini, que tinha “só” 3 m de comprimento).

 

Quando Paratethys desapareceu, deixou dois descendentes famosos. O Mar Negro não chega a ser um lago: ele se conecta ao Mediterrâneo por uma finíssima faixa de água na Turquia, o Estreito de Bósforo. Já o Mar Cáspio não tem qualquer contato com outras massas de água salgada – e por isso, é considerado o maior lago do mundo atual.

 

A existência de Paratethys foi um tanto instável. Em períodos de seca exacerbada, o lago era tão raso que perdia cerca de um terço de seu volume em água e 70% de sua superfície. Os mares Negro e Cáspio atuais correspondem mais ou menos aos trechos mais fundos de Paratethys, que não desapareciam completamente em ocasiões como essa.

 

Paratethys começou a se formar há 34 milhões de anos, como um rabicho de uma massa de água maior chamada Tethys, que depois daria origem ao Oceano Índico. Daí o nome. O prefixo grego para- significa algo como “ao lado de” ou “próximo a”. Ou seja: o mar de Paratethys é, ao pé da letra, o mar próximo a Tethys.

 

Com as idas e vindas da deriva continental, montanhas recém-formadas no centro da Europa isolaram Paratethys dos demais mares e oceanos e formaram essa massa isolada, cuja salinidade era extrema em alguns trechos: algo entre 12% e 14%. Para fins de comparação, a salinidade média da água marinha é algo entre 3,5% e 5%. O Mar Morto alcança 35%.

 

No auge de sua extensão, um momento que durou de sua formação até 9,7 milhões de anos atrás, Paratethys conteve mais de dez vezes a quantidade de água de todos os lagos da Terra atual somados. Eram, ao todo, 1,77 milhão de quilômetros cúbicos de líquido. Em capítulos mais sofridos da existência do lago, porém, sua profundidade chegou a diminuir 250 metros. Esse grande mar interior cessou de existir quando se conectou ao mar Egeu, nos arredores da Grécia.

 

Revista Superinteressante. Adaptado. (Disponível em:

https://super.abril.com.br/ciencia/paratethyso- maior-lago-que-ja-existiu-na-terra-ia-da-suicaate- o-ira)

Texto para responder à questão.

 

No contexto “Os mares Negro e Cáspio atuais correspondem mais ou menos aos trechos mais fundos de Paratethys, que não desapareciam completamente em ocasiões como essa.”, a desinência modo-temporal do verbo “desaparecer” corresponde ao:

  1. Afuturo do presente do indicativo.
  2. Bfuturo do pretérito do indicativo.
  3. Cpretérito perfeito do indicativo.
  4. Dpretérito imperfeito do indicativo.
  5. Epretérito mais-que-perfeito do indicativo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — pretérito imperfeito do indicativo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Desinência Modo-Temporal do Verbo "Desaparecer"

Gabarito: letra D. A forma verbal "desapareciam" está no pretérito imperfeito do indicativo, pois apresenta a desinência modo-temporal -ia-, característica da 2ª e 3ª conjugações nesse tempo, e expressa um fato passado habitual, não concluído, em curso. A pista está na própria estrutura da forma: desaparec- (radical) + -ia- (desinência modo-temporal) + -m (desinência número-pessoal).

O Comando da Questão

A questão pede que você reconheça a desinência modo-temporal do verbo "desaparecer" no contexto dado. Isso significa que você deve identificar qual tempo e modo verbais a forma "desapareciam" expressa, com base na estrutura morfológica do verbo. Não se trata de interpretar o texto, mas de aplicar um conceito gramatical — a morfologia verbal — ao trecho citado.

O Texto e o Contexto

No trecho, o autor afirma que os mares Negro e Cáspio atuais correspondem aos trechos mais fundos de Paratethys, "que não desapareciam completamente em ocasiões como essa". O verbo "desapareciam" descreve uma ação passada que não se concluiu, que era contínua ou habitual: os trechos mais fundos não sumiam de vez. Esse valor semântico de ação passada em curso, não concluída ou habitual é exatamente o que caracteriza o pretérito imperfeito do indicativo.

A Técnica que Decide: Morfologia do Verbo

Para resolver, você precisa conhecer as desinências modo-temporais (DMT) do modo indicativo. Elas são os sufixos que, junto com a vogal temática, indicam o tempo e o modo do verbo. No caso do pretérito imperfeito do indicativo, temos:

  • 1ª conjugação: desinência -va- (ex.: cantava, falava).

  • 2ª e 3ª conjugações: desinência -ia- (ex.: vendia, partia, desaparecia).

A forma "desapareciam" é da 3ª conjugação (terminação -er? Não, é -er? Vamos ver: desaparecer termina em -er, logo é 2ª conjugação. Mas a desinência é -ia- mesmo, pois a 2ª conjugação usa -ia- no imperfeito. Ex.: comer → comia, vender → vendia. Portanto, "desaparecer" é 2ª conjugação e usa -ia-).

A estrutura é: radical (desaparec-) + vogal temática (e) + desinência modo-temporal (-ia-) + desinência número-pessoal (-m). Na prática, a forma "desapareciam" = desaparec- + -ia- + -m. A desinência -ia- é a marca do pretérito imperfeito do indicativo.

As Alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

Futuro do presente do indicativo. O futuro do presente é marcado pela desinência -ra- tônica (ex.: desaparecerá, desaparecerão). A forma "desapareciam" não apresenta essa desinência, e o sentido é de passado, não de futuro. Erro: troca de desinência.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Futuro do pretérito do indicativo. O futuro do pretérito é marcado pela desinência -ria- (ex.: desapareceria, desapareceriam). A forma "desapareciam" tem apenas -ia-, sem o -r- intermediário. A confusão é comum, pois ambas têm "ia", mas a presença do -r- é decisiva. Erro: troca de desinência (confunde -ia- com -ria-).

Alternativa C — ❌ Incorreta

Pretérito perfeito do indicativo. O pretérito perfeito é marcado pela desinência -Ø- (zero) na maior parte das pessoas, ou -ra- na 3ª pessoa do plural (ex.: desapareceram). A forma "desapareciam" tem a desinência -ia-, que não é do perfeito. Além disso, o sentido de ação contínua não combina com o perfeito, que indica ação concluída. Erro: troca de desinência e de valor semântico.

Alternativa D — ✅ Correta

Pretérito imperfeito do indicativo. A forma "desapareciam" apresenta a desinência modo-temporal -ia-, característica do pretérito imperfeito da 2ª e 3ª conjugações. O contexto confirma: "que não desapareciam completamente em ocasiões como essa" indica uma ação passada habitual, não concluída, que se repetia. É exatamente o valor do imperfeito.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Pretérito mais-que-perfeito do indicativo. O mais-que-perfeito é marcado pela desinência -ra- átona (ex.: desaparecera, desapareceram). A forma "desapareciam" tem -ia-, não -ra-. Além disso, o mais-que-perfeito indica ação passada anterior a outra ação passada, o que não ocorre no trecho. Erro: troca de desinência.

Conclusão

A única alternativa que corresponde à desinência modo-temporal de "desapareciam" é a letra D, pois a desinência -ia- é a marca do pretérito imperfeito do indicativo. As demais alternativas ou usam desinências de outros tempos ou confundem o valor semântico. Gabarito: letra D.

1Pretérito imperfeito
1ª conj.: -va-
2ª/3ª conj.: -ia-
2Pretérito perfeito
-Ø- (maioria)
-ra- (3ª pl.)
3Pretérito mais-que-perfeito
-ra- (átona)
4Futuro do pretérito
-ria-
5Futuro do presente
-ra- (tônica)
Desinências modo-temporais (indicativo)
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Desinências modo-temporais (indicativo): Pretérito imperfeito (1ª conj.: -va-, 2ª/3ª conj.: -ia-); Pretérito perfeito (-Ø- (maioria), -ra- (3ª pl.)); Pretérito mais-que-perfeito (-ra- (átona)); Futuro do pretérito (-ria-); Futuro do presente (-ra- (tônica))
PEGA ESSA DICA!

Para identificar o tempo verbal, olhe para a desinência modo-temporal e para o sentido da frase. No imperfeito, a ação é contínua, habitual, não concluída. No perfeito, é concluída. No mais-que-perfeito, é anterior a outra passada. No futuro do pretérito, há o -r- antes do -ia-. Memorize as desinências: -va-/-ia- (imperfeito), -ra- (mais-que-perfeito), -ria- (futuro do pretérito), -ra- tônica (futuro do presente).

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