Questão de Português — Sinônimos e Antônimos — FUNDATEC 2024
- Código
- qa592223
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- PalcoParaná
- Ano
- 2024
- Cargo
- Fisio ( )
Exercício físico como deleite?
Por Carlos Alberto Gianotti Dia desses, falei com um velho colega e amigo ultramaratonista para saber como ele havia se saído na recente Travessia Torres-Tramandaí. A resposta veio taxativa: "Simplesmente desisti, abandonei a prova na altura da Praia do Barco e fui tomar uma cerveja, porque cheguei à conclusão de que corria por obrigação, e não por prazer."
Sei que meu amigo chegaria a Tramandaí entre os melhores, não só em sua categoria. Mas parou ao sentir ou a falta de prazer no que estava a fazer, ou o tormento da obrigação. Sim, concluir uma prova, como meta, é a obrigação. Disputá-la, o sacrifício. Ao término, e só então, há o prazer de haver cumprido o percurso. No caso, parece, houve, além de algo estranhável, ou um erro de avaliação ou de autoengano momentâneo (o mais provável), por alguém acostumado a treinos de longas distâncias, horas a fio. Corridas de fundo não se constituem em prazer, mas em disciplina, esforço, sacrifício. Logo, não há deleite.
Há, entre os vídeos que se acumulam na internet, um essencialmente pedagógico relativo à prática do fundismo, com o doutor Dráuzio Varella, conhecido médico, escritor e maratonista, com cujo conteúdo concordo plenamente, depois de eu, hoje aos 71 anos, já ter corrido por mais de 36 anos cerca de 48 mil quilômetros. Diz Dráuzio que o exercício físico não é algo "natural" para o ser humano, sendo ele o único animal que o pratica. A tendência das pessoas é de permanecer quietinhas, gastando energia apenas para reprodução da espécie, para conseguir alimentos (no caso dos humanos, o tal trabalho) e para escapar de predadores da espécie (no Brasil, fugir da bandidagem). Diz o médico que nunca ninguém viu, em um zoológico, girafa fazendo alongamento ou leão correndo maratona.
Ora, essa conversa bacana de que correr pelos parques ou pelas ruas é um momento edificante espiritual e físico pode ser faltar com a verdade para os ouvintes ou para si mesmo. Prática esportiva continuada requer disciplina, logo é sacrifício. Creio que não houve uma vez nesses meus anos de fundista em que me preparasse para sair a treinar e que não tenha, antes da partida, conjecturado comigo mesmo: "Por que estou fazendo isso?". Claro que há benefícios físicos e psíquicos notórios na prática periódica do exercício físico, mas daí a dizer que se trata de um prazer é um grande autoengano.
(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/esportes/noticia/2018/02/carlos-alberto-gianotti-exercicio-fisico-como-deleite-cjddnqo9a07sj01kevloi0rqm.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
- AImaginado.
- BDesacreditado.
- CCaluniado.
- DDifamado.
- EMaldito.