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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FUNDATEC 2024

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa592573
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Paraí (RS)
Ano
2024
Cargo
Ag Adm Aux (Paraí)

Não estou falando de abelhas

 

Por Pedro Guerra

 

Começo de ano é sempre um exercício de paciência para qualquer ansioso. Com o ritmo desacelerado graças às recentes festas e às férias de “todo mundo menos eu”, as primeiras semanas desse novo ciclo parecem engatinhar. E o que pode ser mais desafiador em um mundo que vive apressado do que aprender a reduzir a marcha? Com certeza entender que está tudo bem fazer o que se precisa com calma.

 

Já faz algum tempo que li que uma abelha pousa em 40 mil flores todos os dias. Em sua busca pelo pólen e pelo néctar, a jornada frenética converge em um número antagônico, algo nada expressivo: uma única abelha pode produzir apenas cinco gramas de mel por ano. Fazendo contas rápidas, é necessário visitar 5 milhões de flores para que um só quilo de mel seja produzido. Essa saga toda me faz pensar na velha história contada desde que nos conhecemos por gente: de grão em grão, a galinha... Certo, estamos falando de abelhas. Mas a lógica serve.

 

Passei o primeiro mês do ano da mesma forma que a maioria das pessoas: brincando (talvez um pouco sério demais) que janeiro estava sendo um mês interminável. E realmente foi. Mas se paro e penso que, em contrapartida, estamos seguidamente reclamando do quão rápido o tempo passa, um mês duradouro não seria motivo de festa?

 

Nos últimos anos, aprendemos a nos acostumar com diversas ideias: a efemeridade e a descartabilidade das coisas, o que consequentemente resulta em vivências rápidas e soluções imediatas. Pergunte para qualquer jovem se ele está disposto a trabalhar incansavelmente para produzir anualmente apenas 5 gramas de determinada coisa, que provavelmente haverá cara feia ou desistência. Estamos mal-acostumados com o processo das coisas – sim, ele continua existindo. Ninguém produz mel do dia pra noite.

 

Dando continuidade aos ditados populares, tem aquela frase que diz que um dia entenderemos o porquê de tudo ter demorado o tempo que precisou demorar. Mas a questão toda é: estamos preparados para esperar esse tempo, seja ele qual for? E se esperarmos, quando “o mel” enfim ficar pronto, ainda teremos vontade de comê-lo, ou teremos desistido na metade do caminho? Em terra de ansioso, quem cultiva a paciência é rei.

 

(Disponível em: www.gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/pedro-guerra/noticia/2024/02/nao-estou-falando-de-abelhas – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando o fragmento “Em terra de ansioso, quem cultiva a paciência é rei”, infere-se predominantemente que o autor:
  1. AValoriza a ansiedade e a impaciência.
  2. BAfirma que o mundo é dos ansiosos.
  3. CValoriza quem é paciente.
  4. DAlerta o leitor sobre as consequências da ansiedade.
  5. EDiminui a importância de tratar a ansiedade.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Valoriza quem é paciente.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Inferência a partir do fragmento: valorização da paciência

Gabarito: letra C. O fragmento “Em terra de ansioso, quem cultiva a paciência é rei” permite inferir que o autor valoriza quem é paciente, pois a expressão “é rei” atribui ao paciente uma posição de destaque e superioridade em um contexto dominado pela ansiedade. Essa leitura é confirmada pelo desenvolvimento do texto, que contrapõe a pressa e a impaciência à virtude da paciência, como se vê no trecho: “Em terra de ansioso, quem cultiva a paciência é rei.”

O comando pede uma inferência predominante: não se trata de localizar uma informação explícita, mas de depreender a intenção do autor a partir das pistas textuais. A palavra “rei” não deve ser tomada ao pé da letra (como soberano de um território), mas em sentido figurado, indicando quem se destaca, quem vence, quem é bem-sucedido. O texto todo constrói essa oposição: de um lado, a ansiedade e a impaciência (retratadas como negativas); de outro, a paciência (apresentada como virtude a ser cultivada).

A técnica para resolver: teste cada alternativa perguntando se o texto autoriza a leitura ou se ela extrapola o que está dito. A correta é a que traduz fielmente o sentido figurado do fragmento, sem acrescentar ideias que o texto não sustenta.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa contradiz o texto: o autor não valoriza a ansiedade, mas a paciência. O fragmento coloca o paciente como “rei”, ou seja, como superior; a ansiedade é o contexto negativo que o paciente supera. Não há nenhuma passagem que elogie a ansiedade ou a impaciência; pelo contrário, o texto critica a pressa e a busca por soluções imediatas.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa inverte o sentido: o fragmento não diz que o mundo é dos ansiosos, mas que, mesmo em um mundo de ansiosos, quem tem paciência se destaca. A expressão “é rei” indica superioridade do paciente, não domínio dos ansiosos. O texto afirma que a ansiedade é o contexto, mas a paciência é a virtude que vence.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa parafraseia corretamente o sentido figurado do fragmento. “Quem cultiva a paciência é rei” significa que o paciente é valorizado, tem destaque, é bem-sucedido. O texto reforça essa ideia ao longo de todo o desenvolvimento, como na passagem: “Estamos mal-acostumados com o processo das coisas – sim, ele continua existindo. Ninguém produz mel do dia pra noite.” A paciência é apresentada como virtude necessária para alcançar resultados.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa extrapola: o fragmento não alerta sobre consequências da ansiedade, apenas valoriza a paciência. O texto menciona a ansiedade como contexto, mas não desenvolve um alerta sobre seus efeitos. A inferência predominante é a valorização do paciente, não um aviso sobre os males da ansiedade.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa contradiz o texto: o autor não diminui a importância de tratar a ansiedade; ele a reconhece como um problema ao longo do texto, mas o foco do fragmento é a valorização da paciência. Não há nenhuma passagem que minimize a ansiedade ou seu tratamento.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a leitura literal de “rei”, levando o candidato a pensar que o fragmento fala do domínio dos ansiosos. Mas o sentido é figurado: “rei” = quem se destaca, quem vence. Fique atento a expressões metafóricas.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de inferência, pergunte-se: “o que o autor quer dizer com isso?”. Não se apegue ao sentido literal das palavras; busque a intenção por trás da expressão.

Gabarito: letra C

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