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Questão de Português — Significação de Vocábulo e Expressões — FUNDATEC 2024

PortuguêsSignificação de Vocábulo e Expressões
Código
qa592722
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Criciúma
Ano
2024
Cargo
Ass Soc ( )

Estamos ligadas para sempre: Maria Claudete e eu

 

Por Claudia Tajes

 

Alguém que se chama Maria Claudete usou meu e-mail para se cadastrar na 99, o aplicativo de transporte. Maria Claudete paga todas as corridas em dinheiro, logo, não está me trazendo prejuízo. O transtorno, se posso chamar assim, é só receber as mensagens do aplicativo me informando de todos os passos dela.

 

Maria Claudete foi na rua das casas, número zero.

 

Maria Claudete foi na loja tal.

 

Maria Claudete fez uma parada antes de chegar ao seu destino.

 

No começo achei que Maria Claudete era eu, depois lembrei que meu nome é Maria Claudia. Minhas amigas me chamam de Claudete, daí a confusão que fiz entre mim e eu mesma. A outra diferença é que não uso o 99 – e agora é que não vou usar mesmo. Tentei tirar o meu e-mail da conta da Maria Claudete, mas para isso é preciso baixar o aplicativo. Só que o meu e-mail está associado a uma conta que já existe. Se tento me cadastrar, a 99 manda a mensagem: este e-mail já está em uso.

 

Estamos ligadas para sempre, Maria Claudete e eu.

 

Nos últimos tempos, ando pensando que ela é uma irmã perdida e que resolveu usar desse expediente para se reaproximar. Sei lá, vai que descobriu que o meu pai a teve fora do casamento ou, melhor ainda, a minha mãe. Quem sabe a minha mãe, muito jovem, viveu uma aventura proibida, engravidou, foi obrigada a se desfazer da filha e agora estamos aí, Maria Claudete e eu, dividindo o mesmo e-mail, já que não conseguimos crescer juntas.

 

Mas às vezes também penso que Maria Claudete pode ser só falcatrua, e que nem se chama Maria Claudete. Talvez nem seja Maria, o nome dela é Rosângela ou Márcia. Porque não faz sentido. Sabendo-se que basta entrar no Google e criar um e-mail, por que ela usa o meu?

 

Maria Claudete foi ao parque.

 

Maria Claudete foi às compras.

 

Maria Claudete foi dançar.

 

E se Maria Claudete for uma líder de facção, se além do meu e-mail, tem meus dados e está envolvida em compras de armas y otras cositas que me arrepiam só de aventar? Ou se for uma doida que pegou meu e-mail para me zoar? Pior que eu sei onde ela mora, porque Maria Claudete vai e volta e acaba sempre no mesmo endereço. Será prudente bater lá?

 

Maria Claudete foi ao mercado.

 

Maria Claudete foi até a praça.

 

Maria Claudete foi rezar.

 

Enquanto não resolvo a situação, se é que um dia vou resolver, já que precisaria ter o meu e-mail para falar com a 99, eu fantasio. É Carnaval e mal não faz. Maria Claudete me rendeu uma crônica, quem sabe não pensamos, ela e eu, em um livro? Já nos vejo na contracapa, Maria Claudete e Maria Claudia, separadas no nascimento e unidas pelo Gmail.

 

Só te peço uma coisa, Maria Claudete: juízo. Olha lá o que vai aprontar pela cidade. Não tenho nada a ver com a tua vida e não me importaria com teus passeios, não fosse obrigada a saber de cada um deles. Por isso é que te imploro para cuidar da nossa reputação. Nós temos um e-mail a  zelar.

 

(Disponível em: gauchazh.clicrbs.com.br/donna/colunistas/claudia-tajes/noticia/2024/02/estamos-ligadas-para- sempre-maria-claudete-e-eu – texto adaptado especialmente para esta prova)

Considerando o exposto pelo texto, analise as assertivas a seguir a respeito do trecho “Olha lá o que vai aprontar pela cidade”:

 

I. A expressão “Olha lá o que vai aprontar” pode ser substituída por “Veja bem o que vai fazer”, sem causar alteração significativa ao trecho.

 

II. A autora está preocupada com a segurança de Maria Claudete na cidade onde mora, pois é um lugar violento.

 

III. A autora emprega a expressão “Olha lá” em sentido figurado, pois não pede que Maria Claudete olhe para algo concreto.

 

Quais estão corretas?

  1. AApenas I.
  2. BApenas II.
  3. CApenas I e II.
  4. DApenas I e III.
  5. EApenas II e III.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Apenas I e III.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Sentido figurado e substituição de expressão — Gabarito: letra D.

A questão pede a análise de três assertivas sobre o trecho “Olha lá o que vai aprontar pela cidade”. A alternativa D é a correta porque as assertivas I e III estão certas: a expressão “Olha lá o que vai aprontar” pode ser substituída por “Veja bem o que vai fazer” sem alteração significativa, e a autora emprega “Olha lá” em sentido figurado, pois não pede que Maria Claudete olhe para algo concreto. A assertiva II está errada, pois o texto não afirma que a cidade é violenta nem que a autora se preocupa com a segurança de Maria Claudete — ela se preocupa com a reputação que compartilham, como se lê no trecho final: “Por isso é que te imploro para cuidar da nossa reputação. Nós temos um e-mail a zelar.”

O comando

O enunciado pede para analisar assertivas sobre um trecho específico. Isso exige compreensão (o que o texto diz) e interpretação (o que o trecho significa no contexto). A assertiva I testa substituição de palavras sem alteração de sentido; a II testa inferência (será que o texto autoriza a conclusão sobre violência?); a III testa denotação × conotação (sentido literal × figurado).

O texto

A crônica narra a descoberta de que uma desconhecida, Maria Claudete, usa o e-mail da autora (Maria Claudia) no aplicativo 99. A autora recebe notificações de todos os passeios da desconhecida e, entre fantasias e preocupações, termina com um apelo direto: “Só te peço uma coisa, Maria Claudete: juízo. Olha lá o que vai aprontar pela cidade.” O tom é irônico e bem-humorado, mas o pedido é claro: que Maria Claudete se comporte, pois as ações dela refletem na autora, já que dividem o mesmo e-mail.

A técnica que decide

Assertiva I — substituição: “Olha lá o que vai aprontar” e “Veja bem o que vai fazer” são paráfrases equivalentes. “Olha lá” aqui não é um comando literal de visão, mas uma interjeição de alerta (“cuidado”, “preste atenção”), e “aprontar” significa “fazer algo errado/duvidoso”. “Veja bem” cumpre o mesmo papel de alerta, e “o que vai fazer” preserva o sentido de “o que vai aprontar”. A troca não altera o sentido — apenas muda o registro (de coloquial para um pouco mais neutro), o que é aceitável.

Assertiva II — inferência sobre violência: O texto não diz que a cidade é violenta. A autora não demonstra preocupação com a segurança de Maria Claudete; ela se preocupa com a própria reputação, pois as ações da desconhecida podem refletir nela. A passagem final prova isso:

“Não tenho nada a ver com a tua vida e não me importaria com teus passeios, não fosse obrigada a saber de cada um deles. Por isso é que te imploro para cuidar da nossa reputação.”

A preocupação é com a imagem compartilhada, não com a integridade física de Maria Claudete. A assertiva extrapola ao acrescentar a ideia de violência urbana, que não está no texto.

Assertiva III — sentido figurado: “Olha lá” é usado conotativamente (sentido figurado). A autora não quer que Maria Claudete olhe fisicamente para algo; ela quer que Maria Claudete tenha cuidado com o que vai fazer. O verbo “olhar” perde o sentido literal de “dirigir a vista” e ganha o sentido figurado de “prestar atenção”, “cuidar-se”. A prova está no contexto: o apelo é por juízo e reputação, não por atenção visual.

Análise de assertivas
  • 1I. Substituição de expressão
    • "Olha lá" = "Veja bem" (alerta)
    • "Aprontar" = "fazer" (sentido preservado)
  • 2II. Inferência sobre violência
    • Texto não menciona cidade violenta
    • Preocupação é com a reputação
  • 3III. Sentido figurado
    • "Olha lá" = conotativo (cuidado)
    • Não pede olhar concreto
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que apenas a assertiva I está correta. Erro: ignora a assertiva III, que também está correta (sentido figurado de “Olha lá”). A alternativa restringe o conjunto de assertivas corretas.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que apenas a assertiva II está correta. Erro: a assertiva II é falsa — o texto não menciona violência na cidade nem preocupação com a segurança de Maria Claudete. A alternativa contradiz o texto ao atribuir uma preocupação que não existe.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que as assertivas I e II estão corretas. Erro: repete o equívoco da assertiva II (extrapolação sobre violência). A assertiva I está correta, mas a II não. A alternativa extrapola ao acrescentar informação ausente do texto.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que as assertivas I e III estão corretas. Correta: a I é verdadeira (substituição sem alteração de sentido) e a III é verdadeira (sentido figurado). A II é falsa. A alternativa sustenta-se integralmente no texto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que as assertivas II e III estão corretas. Erro: repete o equívoco da assertiva II (extrapolação sobre violência) e omite a assertiva I, que é correta. A alternativa extrapola e restringe ao mesmo tempo.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a extrapolação na assertiva II — o candidato pode “achar” que a autora se preocupa com a segurança de Maria Claudete, mas o texto fala apenas em reputação. A palavra “cidade” no trecho pode induzir a pensar em violência urbana, mas isso não está no texto.

PEGA ESSA DICA!

Ao analisar assertivas, teste cada uma com a pergunta: “o texto autoriza esta afirmação, ou ela exige acrescentar algo de fora?”. Se a afirmação depende de informação externa (como “cidade violenta”), ela é extrapolação e está errada.

Conclusão: a questão ensina a distinguir paráfrase válida (I), inferência legítima (que exige pista no texto — a II não tem) e sentido figurado (III). A resposta correta é a letra D, pois apenas I e III são sustentadas pelo texto.

Gabarito: letra D

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