Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Crase — Quadrix 2024

PortuguêsCrase
Código
qa593499
Banca
Quadrix
Órgão
CRP 12 (SC)
Ano
2024
Cargo
Aux Adm (CRP 12)

A ideia de que o ser humano é um ser social, de que precisa da vida comunitária, de pertencer a uma coletividade e de conviver em sociedade, até para dar sentido à sua existência, está presente nas obras e no pensamento de Aristóteles (384‑322 a.C.) e de Karl Marx (1818‑1883), filósofos de períodos e contextos profundamente distintos, mas que compartilhavam o mesmo conceito — viver em sociedade é da natureza humana.


Pesquisas mostram que pessoas conectadas socialmente são mais felizes e fisicamente mais saudáveis. De acordo com uma pesquisa longitudinal realizada sistematicamente ao longo dos últimos setenta anos pela Harvard Business School, nos Estados Unidos da América, pessoas que têm boas conexões sociais com a família, com os amigos e com a comunidade vivem mais e melhor.


Em 2015, um estudo realizado pela Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, propôs que pacientes em tratamento para a ansiedade praticassem um ato de gentileza por dia. Após um mês de experimento, os pacientes estavam com os níveis de dopamina e serotonina, conhecidos como “hormônios da felicidade”,mais elevados. Além disso, notou‑se também a redução de isolamento social até mesmo naquelas pessoas que apresentavam um quadro de fobia social. No mesmo sentido, outra pesquisa da Harvard Business School investigou questões relacionadas à felicidade em 136 países e também concluiu que gestos altruístas e gentis liberam dopamina, responsável por promover a euforia positiva.


Psicólogo do Sistema Único de Saúde (SUS) de Belo Horizonte e especialista em saúde mental, Arnor Trindade pondera que posturas como empatia, altruísmo, tolerância e solidariedade são importantes em qualquer relação social: “É algo que está relacionado ao reconhecimento e respeito ao outro.”


Relacionamentos saudáveis são importantes, inclusive, para o enfrentamento de uma rotina desgastante no trabalho e no ambiente familiar, pois ativam no cérebro o chamado “quarteto da felicidade”: endorfina, serotonina, dopamina e ocitocina, neurotransmissores essenciais para a sensação de bem‑estar.


Internet: <www.otempo.com.br> (com adaptações).

Texto para o item.   Acerca de aspectos gramaticais do texto, julgue o item.   O emprego do acento indicativo de crase no segmento “à sua existência” é facultativo, por isso sua supressão não prejudicaria a correção gramatical do texto.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase facultativa antes de pronome possessivo

Gabarito: C (Certo). O acento grave em “à sua existência” é facultativo, pois ocorre diante de pronome possessivo feminino adjetivo (“sua”), caso em que a crase pode ser suprimida sem prejuízo gramatical. A banca cobra exatamente essa regra: quando o possessivo funciona como adjetivo, o artigo “a” é dispensável, e, sem o artigo, não há crase.

O comando

O item pede um julgamento sobre correção gramatical — não sobre sentido. A pergunta é: a supressão do acento grave em “à sua existência” mantém a frase gramaticalmente correta? Para responder, precisamos analisar a natureza do termo “sua existência” e a regência do verbo “dar”.

O texto e a regra

No trecho “até para dar sentido à sua existência”, o verbo “dar” rege a preposição “a” (quem dá, dá algo a alguém). O complemento é “sua existência”, núcleo feminino “existência” precedido do possessivo “sua”.

A crase ocorreria pela fusão da preposição “a” com o artigo “a” que antecederia “sua existência”. Porém, o artigo é facultativo diante de pronome possessivo adjetivo. Veja:

  • Com artigo: “dar sentido à sua existência” (preposição + artigo + possessivo + substantivo)

  • Sem artigo: “dar sentido a sua existência” (apenas preposição + possessivo + substantivo)

Ambas as construções são corretas. A gramática normativa considera facultativo o uso do artigo antes de possessivo adjetivo, e, consequentemente, facultativa a crase. É o que ensinam as gramáticas tradicionais: diante de pronome possessivo feminino que acompanha um substantivo, o acento grave é opcional.

PEGA ESSA DICA!

Para testar a facultatividade, substitua o possessivo por um nome próprio feminino: “dar sentido à Maria” (obrigatório) × “dar sentido a Maria” (facultativo). O mesmo raciocínio vale para possessivos: “à sua” ou “a sua” — ambos corretos.

Crase antes de possessivo adjetivo
  • 1Facultativa
    • Com artigo: "à sua existência"
    • Sem artigo: "a sua existência"
  • 2Obrigatória
    • Antes de palavra feminina que exige artigo
    • Ex.: "à Maria"
LEVEL · soulevel.com.br

Análise do item

O item afirma que o emprego do acento é facultativo e que sua supressão não prejudicaria a correção gramatical. Isso está correto. A supressão apenas elimina o artigo, mantendo a preposição “a”, o que não viola a regência do verbo “dar” nem a estrutura da frase.

Conclusão

A banca explora a distinção entre crase obrigatória (diante de palavra feminina que exige artigo) e facultativa (diante de possessivo adjetivo). Como o possessivo “sua” admite a omissão do artigo, a crase é opcional. Portanto, o item está Certo.

Gabarito: C (Certo).

Link permanente: /questoes/qa593499