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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — Quadrix 2024

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
qa593599
Banca
Quadrix
Órgão
CRP 12 (SC)
Ano
2024
Cargo
Psico AT (CRP 12)

Muito se tem discutido acerca de prisões e condenações injustas decorrentes de reconhecimento pessoal ou fotográfico realizado de forma errônea, sem o cumprimento das prescrições legais. Embora o Código de Processo Penal brasileiro estabeleça regras para a realização do reconhecimento de pessoas, essas normas, durante muito tempo, foram tomadas como mera recomendação. Há de se levar em conta ainda a questão relacionada às provas obtidas com base na memória de testemunhas, pois esta é passível de equívocos, influências externas e subjetivismo, os quais podem levar ao reconhecimento de pessoas inocentes. Outro aspecto relevante é o perfil racial dos presos e(ou) condenados injustamente por reconhecimento pessoal ou fotográfico errôneo, em sua grande maioria pessoas negras e pobres, o que assinala que estereótipos têm grande influência no reconhecimento de suspeitos.


Estudo realizado nos Estados Unidos da América (EUA) pela ONG Innocence Project aponta que, em 75% dos 365 casos de atuação da ONG em Nova Iorque, ficou provada, através da realização de exames de DNA, a inocência de uma pessoa injustamente condenada com base em reconhecimento equivocado. Em 2019, o National Registry of Exonerations, banco de dados sobre casos de erro judiciário nos EUA, apontou que 29% dos erros judiciários são decorrentes do reconhecimento equivocado de pessoas.


Em âmbito nacional, dados de levantamento feito pela Defensoria Pública do Rio de Janeiro apontam que de 2012 a 2020 foram realizadas ao menos 90 prisões injustas fundamentadas em reconhecimento fotográfico no País, sendo 73 no Rio de Janeiro. Do total, 79 contam com informações conclusivas sobre a raça dos acusados, sendo 81% deles pessoas negras.


Ademais, pesquisas na área da psicologia do testemunho vêm desmistificando o grau de exatidão e confiabilidade da memória humana, trazendo à luz sua falibilidade. Tais estudos demonstram que diversos fatores de ordem ambiental e emocional podem alterar a memória, gerando esquecimentos e até mesmo falsas memórias. Evidentemente, essas considerações têm impacto significativo no sistema de justiça, diante do alto valor probatório que normalmente é atribuído ao reconhecimento do suspeito.


Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Coletânea reflexões sobre o reconhecimento de pessoas: caminhos para o aprimoramento do sistema de justiça criminal. Coordenação Rogério Schietti Cruz, Mauro Pereira Martins, Luís Geraldo Sant’Ana Lanfredi. Brasília: CNJ, 2022, p. 9 – Apresentação (com adaptações).

Texto para o item.

 

Em relação aos aspectos linguísticos do texto, julgue o item.

 

Estariam mantidos os sentidos e a correção gramatical do texto caso o segmento “são decorrentes de" fosse reescrito como resultam no.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita de "são decorrentes de" por "resultam no" — sentido e correção

Gabarito: letra E (Errado). A reescrita não mantém os sentidos do texto, pois inverte a relação lógica entre os termos: o original afirma que os erros judiciários têm como causa o reconhecimento equivocado (causa → consequência), enquanto a reescrita afirma que os erros judiciários produzem como resultado o reconhecimento equivocado (consequência → causa). A passagem que decide é o trecho do 2º parágrafo: "29% dos erros judiciários são decorrentes do reconhecimento equivocado de pessoas".

O comando

A questão pede que se julgue se a substituição de "são decorrentes de" por "resultam no" preservaria os sentidos e a correção gramatical. Trata-se de uma questão de reescritura com manutenção de sentido — o foco está na relação semântica que cada expressão estabelece, não apenas na gramática. O verbo "julgar" indica que devemos avaliar a equivalência entre as duas construções.

O texto e a relação de sentido

O texto discute o problema das condenações injustas por reconhecimento errôneo. No 2º parágrafo, o autor apresenta dados do National Registry of Exonerations:

"29% dos erros judiciários são decorrentes do reconhecimento equivocado de pessoas."

A expressão "ser decorrente de" estabelece uma relação de causa: o reconhecimento equivocado é a causa dos erros judiciários. A estrutura é: [erros judiciários] ← são decorrentes de ← [reconhecimento equivocado]. Ou seja, o reconhecimento equivocado causa os erros.

A técnica que decide

A expressão "resultar em" estabelece relação de consequência/resultado: X resulta em Y significa que X produz Y. Se reescrevemos "os erros judiciários resultam no reconhecimento equivocado", invertemos a relação: agora os erros judiciários produzem o reconhecimento equivocado — o que é o oposto do sentido original.

Expressão

Relação

Exemplo no texto

"são decorrentes de"

Causa (X decorre de Y = Y causa X)

erros decorrem do reconhecimento equivocado

"resultam no"

Consequência (X resulta em Y = X causa Y)

erros resultam no reconhecimento equivocado

A troca inverte a seta causal: no original, o reconhecimento equivocado é a causa; na reescrita, ele passa a ser o efeito. Isso altera completamente o sentido.

A pegadinha

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a falsa sinonímia entre "decorrer de" e "resultar em". Ambas envolvem causa/consequência, mas em direções opostas: "decorrer de" aponta para a causa (vem de), enquanto "resultar em" aponta para o efeito (produz). O candidato que não atenta para a direção da relação marca "Certo".

Análise da alternativa

Alternativa E — ❌ Errado ⟵ GABARITO

A afirmação é falsa. A reescrita não mantém os sentidos, pois inverte a relação de causa e consequência. No texto, o reconhecimento equivocado é a causa dos erros judiciários; na reescrita, ele seria o resultado dos erros. Além disso, há também uma questão de regência: "resultar em" exige a preposição "em" + artigo "o" (resultam no), o que está gramaticalmente correto, mas o sentido se perde. A correção gramatical é preservada, mas o sentido não — e o item exige ambos.

Conclusão

A questão ensina uma distinção crucial: "decorrer de" e "resultar em" não são sinônimos — são relações causais inversas. Ao testar uma reescrita, pergunte sempre: a relação lógica entre os termos foi preservada ou invertida? Aqui, a inversão é clara e fatal.

Gabarito: letra E (Errado).

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