Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Crase — INSTITUTO AOCP 2024

PortuguêsCrase
Código
qa593989
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
CBM PE
Ano
2024
Cargo
Sold ( )

A morte da atenção

 

Você já teve a sensação de que está cada vez mais difícil manter o foco? Vivemos mergulhados numa chuva de estímulos – e isso tem efeitos mensuráveis sobre o cérebro.

 

Por Bruno Garattoni e Maurício

Brum Publicado em 19 out 2023, 15h55

 

Em 9 de janeiro de 2007, às 10h da manhã, um Steve Jobs saudável subiu ao palco do Moscone Center, espaço de eventos que a Apple alugava em São Francisco. “Vamos fazer história hoje”, disse. O iPhone não nasceu bem (dois meses após o lançamento, a Apple teve de cortar seu preço em 30%), mas acabou decolando. Vieram os aplicativos, redes sociais, o Android, a massificação. Hoje, 6,4 bilhões de pessoas têm um smartphone – superando com folga o saneamento básico, que chega a 4,4 bilhões. É bizarro, mas até tem seu nexo: o instinto humano de encontrar algo interessante, e prestar atenção àquilo, é tão primal quanto as necessidades fisiológicas. A internet móvel saciou, finalmente, esse desejo. Passamos a ter, pela primeira vez na história, acesso a um fluxo constante e quase infinito de informações novas.

 

Ao mesmo tempo, foram aparecendo sinais de que algo não andava bem. A média de atenção humana, segundo um estudo da Microsoft, havia regredido para míseros oito segundos – um a menos do que o peixe-dourado, uma espécie ornamental de aquário, que é capaz de focar num estímulo visual por nove segundos.

 

Essa informação, de 2017, correu o mundo: saiu no New York Times, no Guardian, nas revistas Time e New Scientist, entre outros grandes veículos de imprensa. E foi replicada em milhões de páginas da internet.

 

Só havia um problema: o tal estudo (que não era da Microsoft) não apresentava nenhuma prova. Os autores não haviam feito nenhuma experiência concreta – fosse com humanos ou peixes –, e citavam números de origem indefinida, impossíveis de comprovar. A notícia era claramente absurda. Mas isso não impediu que se espalhasse, inquestionada, por todos os cantos. Simplesmente porque ninguém havia se dado ao trabalho de prestar atenção ao que estava lendo.

 

O papo de oito segundos é um mito, mas a atenção humana está caindo, sim. Há dados comprovando o fenômeno, que você já deve ter visto e sentido na pele O ritmo acelerado do TikTok conquistou 1,6 bilhão de usuários – e todas as outras redes copiaram o formato, com vídeos verticais curtíssimos. No WhatsApp, virou hábito ouvir os áudios em velocidade acelerada, 1,5x ou mais. Assistimos a filmes e maratonamos séries, mas quase sempre com o celular ao alcance da mão, desviando periodicamente o foco da história.

 

Em vez de caçar coisas interessantes, hoje temos é que nos defender da chuva de estímulos que disputam nossa atenção. Há cada vez mais serviços de streaming, podcasts, filmes, vídeos, livros, jogos, notícias… todas as formas possíveis de informação e entretenimento.

 

Isso é ótimo, mas também tem consequências ruins. Está cada vez mais difícil focar em algo. Qual foi a última coisa que chamou a sua atenção na internet hoje? Você lembra? É bem possível que não: olhou aquilo por tão pouco tempo que o seu cérebro nem chegou a formar uma memória.

 

Nos Estados Unidos, os casos de TDAH (transtorno de déficit de atenção e hiperatividade) dobraram na última década. E essa condição, até então restrita a crianças, alcançou também jovens adultos – que hoje enchem o TikTok de vídeos sobre ela e os remédios que tomam para tentar contê-la.

 

[...]

 

Disponível em: https://super.abril.com.br/comportamento/a-morte-da-atencao. Acesso em: 10 nov. 2023.

Assinale a alternativa em que a reescrita do trecho do texto preserva a norma-padrão da língua quanto às regras de indicação de crase.   “[...] olhou aquilo por tão pouco tempo que o seu cérebro nem chegou a formar uma memória.”.
  1. A“[...] olhou aquilo por tão pouco tempo que o seu cérebro nem chegou à formação de uma memória.”.
  2. B“[...] olhou aquilo por tão pouco tempo que o seu cérebro nem chegou a formação de uma memória.”.
  3. C“[...] olhou aquilo por tão pouco tempo que o seu cérebro nem chegou à construir memórias.
  4. D“[...] olhou aquilo por tão pouco tempo que o seu cérebro nem chegou à memorizar”.
  5. E“[...] olhou aquilo por tão pouco tempo que o seu cérebro nem chegou à memórias”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — “[...] olhou aquilo por tão pouco tempo que o seu cérebro nem chegou à formação de uma memória.”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase na reescrita: "chegou à formação"

Gabarito: letra A. A única reescrita que preserva a norma-padrão é a que emprega o acento grave em "chegou à formação", pois o verbo "chegar" exige a preposição "a" e o substantivo feminino "formação" admite o artigo "a" — ocorre a fusão (preposição + artigo = crase). As demais alternativas erram ao colocar crase antes de verbo (C, D) ou antes de palavra no plural sem artigo definido (E), ou ao omitir a crase onde ela é obrigatória (B).

O comando

A questão pede que você identifique a reescrita que preserva a norma-padrão quanto às regras de crase. Isso significa que você deve verificar, em cada alternativa, se o acento grave foi empregado (ou omitido) corretamente, considerando a regência do verbo "chegar" e a classe da palavra seguinte. Não se trata de interpretação de sentido, mas de aplicação de uma regra gramatical específica.

O texto e a regra

No trecho original, temos "chegou a formar uma memória". O verbo "chegar" rege a preposição "a" (quem chega, chega a algum lugar ou a algum estado). Na reescrita, o substantivo "formação" substitui o verbo "formar". Como "formação" é um substantivo feminino que admite o artigo definido "a", temos:

  • Preposição "a" (exigida por "chegar") + artigo "a" (que antecede "formação") = à (crase).

A crase é a fusão de duas vogais idênticas, marcada pelo acento grave. Para saber se há crase, o macete é substituir a palavra feminina por uma masculina: se aparecer "ao", há crase; se aparecer apenas "ao" sem crase, não há. Veja:

  • "chegou à formação" → "chegou ao processo" (aparece "ao", então há crase)

  • "chegou a formar" → "chegou a construir" (não aparece "ao", então não há crase)

Esse macete é infalível e resolve a questão sem decoreba.

A pegadinha da banca

A banca explora a confusão entre crase antes de substantivo (obrigatória) e crase antes de verbo (proibida). Muitos alunos aplicam a crase automaticamente após "chegou a", sem verificar a classe da palavra seguinte. Lembre-se: crase antes de verbo é sempre proibida, pois o verbo não admite artigo. Por isso, as alternativas C e D, que usam "à" antes de verbos no infinitivo ("construir", "memorizar"), estão erradas.

Análise das alternativas

1Antes de substantivo feminino
"à formação" (prep. + artigo)
2Antes de verbo
"à construir" (proibido)
"à memorizar" (proibido)
3Antes de plural sem artigo
"à memórias" (proibido)
Crase após "chegou a"
LEVELsoulevel.com.br
Crase após "chegou a": Antes de substantivo feminino ("à formação" (prep. + artigo)); Antes de verbo ("à construir" (proibido), "à memorizar" (proibido)); Antes de plural sem artigo ("à memórias" (proibido))

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A reescrita "chegou à formação" está correta porque:

  • O verbo "chegar" exige a preposição "a" (quem chega, chega a algo).

  • O substantivo "formação" é feminino e admite o artigo definido "a".

  • A fusão preposição + artigo gera a crase: à.

Confirme com o macete: "chegou ao processo" (aparece "ao", então há crase). A alternativa preserva o sentido original e a norma-padrão.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A reescrita "chegou a formação" omite a crase onde ela é obrigatória. Como "formação" é um substantivo feminino que admite artigo, a preposição "a" exigida por "chegar" se funde com o artigo "a", formando "à". Sem o acento grave, a frase fica incorreta: "chegou a formação" soa como se "formação" fosse um verbo ou um termo sem artigo, o que não é o caso.

Erro: omissão de crase obrigatória (restringe indevidamente o uso do artigo).

Alternativa C — ❌ Incorreta

A reescrita "chegou à construir" coloca crase antes de verbo no infinitivo. Crase antes de verbo é sempre proibida, pois o verbo não admite artigo definido. O correto seria "chegou a construir", sem acento grave.

Erro: crase proibida antes de verbo (generalização indevida da regra de crase após "chegar a").

Alternativa D — ❌ Incorreta

A reescrita "chegou à memorizar" também coloca crase antes de verbo no infinitivo. Pela mesma regra, é proibida. O correto seria "chegou a memorizar", sem acento grave.

Erro: crase proibida antes de verbo (mesma armadilha da alternativa C).

Alternativa E — ❌ Incorreta

A reescrita "chegou à memórias" coloca crase antes de um substantivo no plural sem artigo definido. No plural, o artigo seria "as", e a preposição "a" se fundiria com "as", formando "às". Mas a forma "à" (singular) não pode anteceder um plural. Além disso, o sentido original fala de "uma memória" (singular), então a reescrita altera o número e fica gramaticalmente incorreta.

Erro: crase inadequada diante de plural sem artigo definido (troca de número e uso incorreto do acento).

Conclusão

A única alternativa que preserva a norma-padrão é a letra A, pois emprega corretamente a crase na fusão preposição + artigo diante de substantivo feminino. As demais erram por omitir crase obrigatória (B), usar crase antes de verbo (C, D) ou usar crase diante de plural sem artigo (E).

PEGA ESSA DICA!

Ao reescrever trechos, sempre verifique a classe da palavra após o "a": se for substantivo feminino que admite artigo, use crase; se for verbo, nunca use. O macete de substituir por palavra masculina resolve na hora.

Gabarito: letra A

Link permanente: /questoes/qa593989