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Questão de Português — Vocábulo "Que" — Avança SP 2024

PortuguêsVocábulo "Que"
Código
qa594316
Banca
Avança SP
Órgão
Pref Lorena
Ano
2024
Cargo
Ana ( )

Omelete

 

Pior foi Jacinta, que perdeu o marido para uma omelete. Quando alguém — desinformado ou desalmado — perguntava perto da Jacinta se “omelete” era masculino ou feminino, ela respondia “feminino, feminino”. Depois suspirava e dizia: “Eu è que sei”. As amigas tentaram convencer Jacinta de que o Luiz Augusto não merecia um suspiro. O que se poderia dizer de um homem que tinha abandonado a mulher de dez anos de casamento, para não falar em cotas num condomínio horizontal da zona Sul, por uma omelete bem-feita? Mas Jacinta não se conformava. Foi procurar um curso de culinária. Pediu aulas particulares e específicas. Queria aprender a fazer omelete. A professora começou com um histórico da omelete e sua força metafórica. Uma omelete justificava a violência feita aos ovos.

 

Uma omelete... Mas Jacinta não queria saber da história da omelete. Queria aprender a fazer.

 

— Bem — disse a professora —, a omelete perfeita...

 

— Eu sei, eu sei — interrompeu Jacinta.

 

Sabia como era a omelete perfeita. Durante todos os seus anos de casada tinha ouvido a descrição da omelete perfeita. Luiz Augusto não se cansava de repetir que a omelete perfeita devia ser tostada por fora e úmida por dentro. Que seu interior devia se desmanchar, e espalhar-se pelo prato como baba. “Baveuse, entende? Baveuse.

 

Durante dez anos, Jacinta ouvira críticas à sua omelete. Quando Luiz Augusto anunciara que encontrara uma mulher que fazia omeletes perfeitas — melhores, inclusive, que as do Caio Ribeiro — e que iria morar com ela, acrescentou: — Você não pode dizer que não lhe dei todas as chances, Cintinha.

 

Jacinta sabia a teoria da omelete perfeita. Queria a prática. Precisava aprender. O curso intensivo durou duas semanas. No fim do curso, a professora recomendou que Jacinta comprasse uma frigideira especial, de ferro, para garantir a omelete perfeita. Não havia como errar. Jacinta telefonou para a casa de Beatriz e pediu para falar com Luiz Augusto.

 

— Precisamos conversar.

 

— Está bem.

 

— Aqui.

 

— Certo.

 

— Outra coisa.

 

— O quê?

 

— Não coma nada antes.

 

Quando Luiz Augusto chegou, Jacinta não disse uma palavra. Apontou para a mesa, onde estava posto um lugar. Luiz Augusto sentou-se. Jacinta desapareceu na cozinha. Reapareceu quinze minutos depois com uma omelete dentro de uma frigideira nova. Serviu a omelete e ficou esperando, de pé, enquanto Luiz Augusto dava a primeira garfada. Luiz Augusto disse: — Você chama isto de baveuse?

 

— Não — disse Jacinta —, eu chamo isto de baveuse.

 

E acertou com a frigideira a cabeça de Luiz Augusto, que caiu morto com a cara na omelete.

 

VERISSIMO, L. F. (Adaptado). Verissimo antológico — meio século

de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.

Durante dez anos, Jacinta ouvira críticas à sua omelete. Quando Luiz Augusto anunciara que encontrara uma mulher que fazia omeletes perfeitas — melhores, inclusive, que as do Caio Ribeiro — e que iria morar com ela, acrescentou: — Você não pode dizer que não lhe dei todas as chances, Cintinha.

 

No contexto apresentado, em relação à classe gramatical, os vocábulos “que” em destaque atuam, respectivamente, como:

  1. Aconjunção integrante, pronome relativo e conjunção comparativa.
  2. Bconjunção integrante, pronome relativo e conjunção integrante.
  3. Cpreposição, pronome relativo e preposição.
  4. Dconjunção causal, conjunção integrante e conjunção integrante.
  5. Econjunção causal, pronome interrogativo e conjunção comparativa.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — conjunção integrante, pronome relativo e conjunção comparativa.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O Vocábulo "Que": Conjunção Integrante, Pronome Relativo e Conjunção Comparativa

Gabarito: letra A. No trecho, os três "que" destacados atuam, respectivamente, como conjunção integrante, pronome relativo e conjunção comparativa. A classificação se prova pela função sintática de cada um: o primeiro introduz uma oração que funciona como objeto direto (equivale a "isso"); o segundo retoma o antecedente "mulher" (equivale a "a qual"); o terceiro estabelece comparação entre as omeletes de Beatriz e as do Caio Ribeiro (equivale a "do que").

O Comando: Classificação Morfológica no Contexto

A questão pede que você identifique a classe gramatical de cada ocorrência do vocábulo "que" no contexto em que aparece. Não se trata de decorar uma lista de funções, mas de analisar a função sintática que cada "que" exerce na oração em que está inserido. O comando "no contexto apresentado" é o aviso de que a resposta depende da análise da frase, não de regra isolada.

O Texto: Onde Estão os Três "Que"

O trecho-base é:

"Quando Luiz Augusto anunciara que encontrara uma mulher que fazia omeletes perfeitas — melhores, inclusive, que as do Caio Ribeiro — e que iria morar com ela..."

Temos três ocorrências do "que":

  1. "que encontrara" — após o verbo "anunciara".

  2. "que fazia" — após o substantivo "mulher".

  3. "que as do Caio Ribeiro" — após o adjetivo "melhores".

Cada uma exige um teste específico.

A Técnica: Os Três Testes Decisivos

1º "que" — Conjunção Integrante:

O "que" é conjunção integrante quando introduz uma oração que exerce função de sujeito, objeto direto, objeto indireto, predicativo, complemento nominal ou aposto de outra oração. O teste clássico: substitua a oração iniciada por "que" por "isso".

  • "anunciara que encontrara uma mulher" → "anunciara isso"

A oração "que encontrara uma mulher" funciona como objeto direto do verbo "anunciar". Logo, é conjunção integrante.

2º "que" — Pronome Relativo:

O "que" é pronome relativo quando retoma um termo anterior (o antecedente) e inicia uma oração adjetiva. O teste: substitua por "o qual / a qual / os quais / as quais".

  • "uma mulher que fazia omeletes perfeitas" → "uma mulher a qual fazia omeletes perfeitas"

O "que" retoma "mulher" e exerce função de sujeito da oração adjetiva. Logo, é pronome relativo.

3º "que" — Conjunção Comparativa:

O "que" é conjunção comparativa quando introduz o segundo termo de uma comparação, geralmente após um adjetivo ou advérbio no comparativo de superioridade ("melhor", "pior", "maior", "mais... que"). O teste: substitua por "do que".

  • "melhores, inclusive, que as do Caio Ribeiro" → "melhores, inclusive, do que as do Caio Ribeiro"

A oração "que as do Caio Ribeiro" é uma oração subordinada adverbial comparativa, e o "que" é a conjunção que a introduz. Logo, é conjunção comparativa.

Análise das Alternativas

Ocorrência

Contexto

Substituição

Classificação

1º "que"

"anunciara que encontrara"

"anunciara isso"

Conjunção integrante

2º "que"

"mulher que fazia"

"mulher a qual fazia"

Pronome relativo

3º "que"

"melhores que as do Caio"

"melhores do que as do Caio"

Conjunção comparativa

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A classifica corretamente os três "que": conjunção integrante (1º), pronome relativo (2º) e conjunção comparativa (3º). Como demonstrado, cada classificação se sustenta no teste de substituição e na função sintática.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro no terceiro "que": classifica como conjunção integrante, mas ele é comparativo. A oração "que as do Caio Ribeiro" não exerce função de sujeito/objeto; ela compara. O teste de "isso" falha: "melhores isso" não faz sentido.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro no primeiro e no terceiro "que": classifica como preposição. O primeiro "que" não equivale a "de", "a" ou "para" (preposições acidentais); é conjunção integrante. O terceiro também não é preposição, é conjunção comparativa.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro no primeiro e no terceiro "que": classifica o primeiro como conjunção causal (mas não há relação de causa; é objeto direto) e o terceiro como conjunção integrante (mas é comparativo).

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro no primeiro e no segundo "que": classifica o primeiro como conjunção causal (não é) e o segundo como pronome interrogativo (mas não há pergunta; é relativo). O terceiro está correto, mas a alternativa como um todo falha.

Conclusão

A questão testa a capacidade de distinguir as funções do "que" pelo contexto. A pegadinha está em confundir o terceiro "que" (comparativo) com integrante ou causal. Regra de ouro: aplique os testes de substituição — "isso" para integrante, "o qual" para relativo, "do que" para comparativo. Com isso, você elimina as distratoras com segurança.

Gabarito: letra A.

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